JURUTI: HOMEM MATA A FILHA E O ATUAL DA EX, DEIXA MULHER EM ESTADO GRAVE E COMETE SUICÍDIO

A noite de sexta-feira (31) foi marcada por uma grande tragédia no bairro Vitória Régia, em Juruti, oeste do Pará. Um ataque de extrema violência destruiu uma família, deixou toda cidade e região em cenário de dor, indignação e revolta.

O autor do massacre foi identificado como o vigilante Willame de Lira Lopes. Segundo as investigações da Polícia Civil, Willame armou-se e invadiu a residência da ex-companheira, Frandeilza de Sousa dos Santos, de 45 anos, disposto a cometer o crime.

Ao entrar no imóvel, Willame efetuou diversos disparos de arma de fogo contra os ocupantes da casa. As balas atingiram a própria filha do acusado, a pequena Maria Luz de Sousa Lopes, de apenas 10 anos, o atual companheiro de Frandeilza, Wellington Sousa dos Reis, e a própria ex-esposa.

Wellington Sousa dos Reis não resistiu aos ferimentos e faleceu. A criança de 10 anos e a mãe foram socorridas por equipes de emergência e levadas ao Hospital Municipal de Juruti, porém a menina teve o óbito confirmado pouco depois de dar entrada na unidade de saúde.

Frandeilza de Sousa foi atingida gravemente e permanece internada em estado gravíssimo sob intensos cuidados da equipe médica.

Após os disparos, ainda no local, o suspeito tirou a própria vida. A cena encontrada pelas equipes de segurança e de resgate foi descrita como devastadora, refletindo a dimensão da violência que abalou familiares, vizinhos e toda a comunidade.

De acordo com relatos da polícia, Willame já possuía antecedentes por violência doméstica.  Havia sido preso anteriormente, mas respondia o processo em liberdade.

A Polícia Civil instaurou inquérito para esclarecer todas as circunstâncias dos assassinatos. O Superintendente Regional da Polícia Civil, delegado Jardel Guimarães, deslocou-se para Juruti para acompanhar pessoalmente as investigações. Equipes da Polícia Militar e reforços enviados de Santarém também atuaram na ocorrência, realizando perícias, oitivas e demais diligências para a completa elucidação do caso.

Prisão por lesão corporal

Willame de Lira Lopes foi preso no dia 2 de julho, suspeito de lesão corporal no âmbito da violência doméstica. A vítima foi sua namorada.

Conforme os autos (processo: 0801527-15.2026.8.14.0086), o acusado se utilizou de uma faca, tanto para agredir e ameaçar a vítima acaso acionasse a polícia, bem como capturá-la quando procurou socorro em via pública.

Na audiência de custódia, que aconteceu no dia 3, o magistrado converteu a prisão flagrante em preventiva, visando a garantia da ordem pública e conveniência da instrução criminal.

“[…] não existe possibilidade de aplicação de medida cautelar típica ou atípica diversa da prisão, pois se fosse imposta, seria inadequada e insuficiente”, disse o Juiz. O magistrado ressaltou ainda, que fato do acusado possuir arma de fogo por ser vigilante, colocaria em risco a vítima e testemunhas.

Em decisão judicial do dia 10 de julho, Willame de Lira foi colocado em liberdade. A defesa do acusado requereu a revogação da prisão preventiva com aplicação de medida cautelares.

O Ministério Público, manifestou-se a favor, e solicitou o deferimento das medidas protetivas requeridas pela vítima. As solicitações foram atendidas pelo magistrado.

Medidas cautelares:

I – obrigação de manter seu endereço atualizado; II – comparecer em juízo, bimestralmente, para justificar atividade; III – proibição de frequentar bares, casas noturnas e estabelecimentos destinados predominantemente ao consumo de bebidas alcoólicas.

Medida protetiva:

Afastamento do lar e convivência com as ofendidas; Proibição de posse ou porte de arma de fogo, exceto no local de trabalho, sob rigorosa supervisão do superior/gerente da empresa; Proibição de contato com as ofendidas, inclusive por qualquer meio de comunicação como WhatsApp, rede social; Proibição de se aproximar-se das ofendidas, no limite mínimo de 100 metros. Proibição de frequentar a residência das vítimas, seus locais de trabalho, estudo ou quaisquer outros locais por elas habitualmente frequentados.

Vale ressaltar, que a vítima deste caso não foi sua ex-companheira.

Passados 21 dias da decisão que o colocou em liberdade, Willame de Lira promoveu a tragédia que chocou o município de Juruti e o estado do Pará

Por Wandra Trindade

O Impacto

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