A ANACONDA
Por César Ramos, advogado criminalista
Depois de fundarem a SOCIEDADE DOS BICHOS – SOBICHOS, seus idealizadores decidiram ampliar o quadro de associados para reforçar a luta pela causa animal e arrostar as intempéries naturais.
Foi assim que ela, ainda novinha, conseguiu sua admissão na entidade e, paulatinamente, granjeou a estima de outros bichos.
Aparentando inofensividade, costumava se enrolar nas pernas e nos pescoços de outros bichos. Parecia um gesto carinhoso e fofo.
Alguns bichos não curtiam muito o jeito dela, pois conhecem a natureza traiçoeira da espécie.
Assim, havia o grupo dos que gostavam dela e o dos que a observavam com certa cautela.
Alimentava-se de pequenos roedores e insetos que apareciam na sua frente. Foi com essa base alimentar que ela cresceu e fortaleceu suas vértebras para enfrentar os desafios que afligem as rastejantes.
Observadora e estratégica, percebeu que poderia ocupar um espaço relevante dentro da SOBICHOS.
Para tanto, ela precisaria conquistar a confiança de um número cada vez maior de bichos, incluindo aqueles que a viam com reservas. Então, passou a agir sorrateiramente junto aos associados.
Além disso, ela disfarçava a sua intenção e, mormente, seu real tamanho: não era mais uma pequena e cândida cobrinha como aparentava. Na verdade, já era uma anaconda pronta para dar o bote.
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O Impacto


