O BAIXO AMAZONAS VIROU CAMPO DE BATALHA — E NÃO APENAS ENTRE OS NOSSOS
Por Fábio Maia*
Duas semanas de campanha oficial completadas, e há um movimento acontecendo na nossa região que merece atenção. O Baixo Amazonas deixou de ser apenas o quintal onde os candidatos locais se enfrentam. Virou território cobiçado por candidatos de fora, com estrutura estadual e capacidade de investir aqui.
E o eleitor precisa entender o que isso significa antes de 4 de outubro.
O que os números da região mostram
A Doxa realizou um levantamento específico do Baixo Amazonas para deputado federal, ouvindo mil eleitores em doze municípios: Santarém, Mojuí dos Campos, Belterra, Óbidos, Alenquer, Monte Alegre, Oriximiná, Juruti, Terra Santa, Prainha, Almeirim e Faro. Testou vinte nomes.
O resultado: Júnior Ferrari em primeiro com 16,2%. José Priante em segundo com 14%. Henderson Pinto em terceiro com 10,8%. Airton Faleiro em quarto com 6,5%. Adriana Almeida em quinto com 6,1%.
Olhe com atenção para o segundo colocado. José Priante é deputado federal com base em Belém. Fez 167.275 votos em 2022 — a esmagadora maioria na região metropolitana. E aparece hoje em segundo lugar no Baixo Amazonas, à frente de dois deputados que moram aqui.
O que significa aparecer bem numa região onde não se tem base
Aqui é preciso fazer uma distinção que muda completamente a leitura desses números.
Existe uma diferença enorme entre ter votos numa região e ter base numa região. Um candidato com estrutura estadual, verba de campanha robusta e tempo de televisão consegue aparecer bem em qualquer lugar do Pará — inclusive onde nunca pisou fora de período eleitoral. Isso é presença de campanha, não é vínculo territorial.
Vínculo territorial é outra coisa. É ter domicílio eleitoral aqui, ter votação concentrada aqui, ter história aqui e depender daqui para se eleger. Um candidato assim não pode abandonar a região depois de eleito — porque é dela que vem seu mandato.
Essa distinção fica evidente quando se olha o resultado de 2022 município por município.
O que aconteceu em 2022 em Santarém
Santarém tem 253.097 eleitores e é o terceiro maior colégio eleitoral do Pará. É a cidade que define o resultado do Baixo Amazonas inteiro.
Em 2022, o deputado federal mais votado em Santarém foi Henderson Pinto, com 49.026 votos. Foi a maior votação obtida por qualquer candidato ao cargo na história recente da cidade.
Júnior Ferrari, que lidera as pesquisas regionais, fez 9.938 votos em Santarém naquele mesmo ano. Airton Faleiro, também com base na cidade, fez 12.458.
Ou seja: na cidade que concentra a maior fatia do eleitorado da região, a diferença entre o primeiro colocado e os demais foi de cinco vezes.
Isso não diminui Júnior Ferrari — ele fez 160.342 votos no estado, é o sexto mais votado do Pará e construiu uma votação admirável, pulverizada por dezenas de municípios. Mas mostra que os dois constroem coisas diferentes: um tem capilaridade estadual, o outro tem enraizamento local.
Por que isso importa para quem mora aqui
A pergunta que o eleitor do Oeste do Pará precisa fazer não é apenas “quem tem mais votos”. É “quem depende de mim para se eleger”.
Um deputado que faz 10 mil votos aqui e 150 mil espalhados pelo resto do estado pode perder toda a votação de Santarém e ainda assim se eleger. Ele não precisa de nós. Um deputado que faz 49 mil votos aqui e depende disso para chegar a Brasília não pode nos ignorar — porque a próxima eleição dele passa obrigatoriamente por esta cidade.
Não é uma questão de simpatia. É de matemática eleitoral e de incentivo político. Quem depende de um território, atende esse território.
O risco real: a fragmentação do voto local
E aqui chegamos ao ponto que mais me preocupa neste ciclo.
Santarém tem quatro candidatos ao federal — Henderson Pinto, Adriana Almeida, Biga e Chapadinha —, além de Airton Faleiro, que também tem base na cidade. São cinco nomes locais disputando parcela do mesmo eleitorado, em blocos partidários diferentes, cujos votos não se somam entre si.
Enquanto isso, candidatos de fora chegam com estrutura estadual e disputam esse mesmo eleitorado — sem enfrentar fragmentação nenhuma, porque cada um é o nome forte do seu próprio território.
Se o voto de Santarém se dividir em cinco partes, o resultado é aritmético: nenhum dos cinco chega ao patamar necessário, e os votos da nossa região acabam elegendo representantes de Belém, de Ananindeua, de Marabá.
Já vimos esse filme antes. Em 2018, Santarém elegeu apenas um deputado federal. Em 2022, foram dois — Henderson Pinto e Airton Faleiro — e foi comemorado como conquista histórica. Manter os dois em 2026 é mais difícil do que parece, justamente porque agora há mais candidatos locais disputando o mesmo bolo e mais candidatos de fora olhando para cá.
O que observar nas próximas cinco semanas
Três coisas.
A primeira: quem aparece fisicamente nos municípios. Com 53,95% do eleitorado paraense ainda indeciso para deputado federal, presença de rua vale mais do que qualquer peça publicitária. Repare em quem vem, quantas vezes vem, e se já vinha antes de agosto.
A segunda: quem consegue mostrar entrega verificável. Emenda destinada e executada, obra viabilizada, recurso que chegou. Não promessa — comprovação.
E a terceira, que é a mais importante: se o eleitor do Oeste do Pará vai votar de forma dispersa ou concentrada. Essa decisão, tomada individualmente por cada um de nós, define coletivamente quantos representantes a região terá em Brasília nos próximos quatro anos.
No domingo, esta coluna analisa a disputa estadual no Baixo Amazonas — onde quatro candidatos estão separados por pouco mais de um ponto percentual.
Política é gestão. E gestão da representação começa entendendo quem depende de você para governar.
Fábio Maia é consultor político, com atuação no Oeste do Pará. Escreve aos domingos e quartas no Jornal O Impacto.
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Realmente isso é muito importante, mais tem um deputado federal no município de Santarém e do oeste do Pará, muito atuante, com vários movimentos presentes , emendas parlamentares entregues e concluídas , mais quem decide se ele vai continuar é o eleitor!