UM MILHÃO DE ELEITORES, DÉCIMOS DE DIFERENÇA

Por Fábio Maia

Faltam quatro dias. E acaba de sair o levantamento mais específico já feito sobre a nossa região neste ciclo eleitoral — um recorte que trata exclusivamente do Oeste do Pará e mostra algo que esta coluna vem antecipando desde maio: a disputa aqui será decidida voto a voto.

A pesquisa

A Doxa divulgou um recorte regional da sua pesquisa estadual, cobrindo as mesorregiões do Sudoeste Paraense e do Baixo Amazonas — 29 municípios ao todo.

O levantamento foi registrado no Tribunal Regional Eleitoral sob o número PA-09367/2026, com coleta entre 8 e 12 de setembro, amostra estadual de 2.000 entrevistas, sendo 320 na nossa região, e margem de erro informada de 2,2 pontos percentuais.

O primeiro dado que salta é o tamanho do que está em jogo: a região reúne 1.005.657 eleitores — cerca de 16% de todo o eleitorado paraense.

O que significa um milhão de eleitores

Vale fazer a conta que quase ninguém faz.

Se a representação fosse estritamente proporcional ao eleitorado, esses 16% dariam ao Oeste do Pará cerca de 6 das 41 cadeiras da Assembleia Legislativa e quase 3 das 17 vagas na Câmara dos Deputados.

Historicamente, elegemos menos que isso. Em 2018, Santarém elegeu um deputado federal. Em 2022, elegeu dois — e foi comemorado, com razão, como conquista histórica.

A diferença entre o que a região representa e o que ela conquista não se explica por falta de candidatos. Explica-se por dispersão.

A disputa para a Assembleia Legislativa

No recorte regional, a corrida ao estadual aparece assim entre os primeiros colocados:

CandidatoIntenção de voto
João Pingarilho6,20%
Maria do Carmo6,00%
Ângelo Ferrari5,80%
JK do Povão5,60%
Nélio Aguiar4,40%

Do primeiro ao quarto colocado, a diferença é de 0,6 ponto percentual — bem abaixo da margem de erro de 2,2 pontos informada pelo instituto. Estatisticamente, não há líder: há quatro candidatos empatados. E Nélio Aguiar, com 4,40%, aparece a 1,8 ponto do primeiro colocado, também dentro de uma faixa que a margem de erro não permite tratar como distância definitiva.

E o dado mais impressionante: 43,50% dos eleitores da região ainda estão indecisos ou pretendem votar em branco ou nulo para deputado estadual. Praticamente metade. Com quase metade do eleitorado ainda em aberto, qualquer diferença de um ou dois pontos entre candidatos é, na prática, reversível nos últimos dias.

A disputa para a Câmara dos Deputados

No federal, o quadro é ainda mais comprimido:

CandidatoIntenção de voto
Júnior Ferrari6,90%
Henderson Pinto6,80%
Priante6,72%
Adriana Almeida6,71%

Leia os números com atenção. Entre o primeiro e o quarto colocado há 0,19 ponto percentual de diferença. Dezenove centésimos. É menos de um décimo da margem de erro da pesquisa.

Na prática, significa que quatro candidatos estão rigorosamente empatados na disputa pelos votos do Oeste do Pará — e que qualquer movimento nos últimos dias pode alterar completamente a ordem.

Os eleitores flutuantes no federal somam 30,43% — ou seja, cerca de 306 mil votos da nossa região ainda sem destino definido.

O que esses números dizem ao eleitor

Três leituras me parecem incontornáveis.

A primeira: nunca a região esteve tão disputada. Ter quatro candidatos separados por décimos, nas duas disputas, significa que cada voto daqui pesa mais do que em qualquer ciclo recente. Quem diz que voto não muda nada está, este ano, factualmente errado.

A segunda: a indefinição é enorme. Quase metade dos eleitores do Oeste não decidiu o voto para deputado estadual e quase um terço não decidiu para federal. Isso significa que a eleição não está decidida — está sendo decidida agora, nestes últimos dias.

A terceira, e mais importante: com margens tão estreitas, a dispersão do voto regional é o maior risco que corremos. Se os votos do Oeste se distribuírem entre muitos nomes e muitos blocos partidários, o resultado aritmético é conhecido — elegemos menos do que elegeríamos com o mesmo número de votos melhor concentrado.

Uma observação sobre os recortes

Vale um esclarecimento técnico. A definição de “Oeste do Pará” varia conforme o levantamento. Alguns consideram apenas o Baixo Amazonas; este recorte da Doxa soma Baixo Amazonas e Sudoeste Paraense, chegando aos 29 municípios e ao milhão de eleitores.

Também é preciso registrar que a subamostra regional é de 320 entrevistas. É um recorte válido e registrado, mas subamostras menores têm variação estatística maior que a amostra total. Por isso os números devem ser lidos como retrato de tendência — e a tendência, aqui, é inequívoca: disputa apertadíssima e eleitorado ainda em aberto.

O que fazer com quatro dias

Esta coluna publicou 29 artigos desde maio. Todos com o mesmo propósito: mostrar que a eleição proporcional tem regras próprias, que o eleitor precisa conhecer para não desperdiçar o voto.

Os critérios que defendi ao longo de toda a série continuam valendo, e resumo aqui pela última vez.

Prefira o candidato com histórico verificável na região — obra entregue, emenda executada, presença fora do período eleitoral. Prefira quem depende da nossa região para se eleger, porque quem depende, atende. E verifique se o partido dele tem chance real de atingir o quociente eleitoral, porque bom candidato em bloco inviável não se elege.

No domingo, um milhão de eleitores do Oeste do Pará vão às urnas. Numa disputa decidida por décimos de ponto, nenhum voto é irrelevante — nem o seu.

Política é gestão. E, no domingo, a gestão está na sua mão.

Nas edições de sexta-feira e sábado, encerro esta série explicando as escolhas que farei como cidadão.

Fábio Maia é consultor político, com atuação no Oeste do Pará. Escreve aos domingos e quartas no Jornal O Impacto.
Fonte: Doxa Pesquisa, recorte Região Oeste Paraense, registro TRE PA-09367/2026.


O conteúdo deste artigo é de inteira responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do jornal ou de sua direção.


O Impacto

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