POR QUE VOTO EM HENDERSON PINTO PARA DEPUTADO FEDERAL
Por Fábio Maia
Ontem expliquei por que voto em Nélio Aguiar para a Assembleia Legislativa. Hoje, véspera da eleição, explico minha escolha para a Câmara dos Deputados — e repito a transparência que abri na edição de ontem.
Quem acompanha esta coluna desde maio sabe que isso nunca impediu a publicação do que os dados mostravam. Foi aqui que registrei que Henderson apareceu em décimo segundo lugar entre os deputados federais em pesquisa estadual, que sua votação é concentrada demais em Santarém e que perdeu 94% dos votos de Altamira entre 2018 e 2022. Nada disso foi omitido.
É justamente por conhecer esses números — e os de todos os concorrentes — que faço a escolha que faço. E explico os motivos.
O primeiro motivo: ele depende de nós
Escrevi na quarta-feira passada sobre as duas formas de perder um voto: o paraquedista e o candidato sem viabilidade. E propus uma pergunta como critério: esse candidato depende da nossa região para se eleger?
Em 2022, Henderson Pinto fez 74.746 votos, dos quais 49.026 em Santarém — quase dois terços do total em um único município. Foi uma das maiores votações obtidas por um candidato a deputado federal nesta cidade na história recente.
Um deputado com essa distribuição não pode ignorar Santarém. A eleição dele começa aqui — e uma parcela decisiva de sua votação também. É diferente do candidato que faz alguns milhares de votos na região e concentra sua força eleitoral em outro território. Para este último, Santarém pode ser apenas uma parte pequena de uma equação maior.
Para Henderson, não.
E há um segundo elemento que considero importante nesta eleição: ele aprendeu com a própria experiência de 2022.
Foi eleito naquele ano pelo MDB, em uma chapa extremamente competitiva, chegando à última vaga da bancada. Em 2026, mudou para o União Brasil, que integra a Federação União Progressista com o PP.
Não vejo essa mudança apenas como uma troca de legenda. Vejo como uma decisão eleitoral que precisa ser compreendida à luz do que aconteceu quatro anos atrás: quem conhece a própria votação, a composição das chapas e o funcionamento das sobras sabe que eleição proporcional não se ganha apenas com votos individuais. A matemática partidária também decide.
É uma diferença importante entre disputar uma eleição e entender como uma eleição proporcional é construída.
O segundo motivo: entrega verificável
Aqui também faço uma correção importante em relação ao que escrevi anteriormente.
Não é tecnicamente correto dizer simplesmente que Henderson destinou “mais de R$ 500 milhões em emendas” para Santarém.
O levantamento do próprio gabinete aponta R$ 508,1 milhões em recursos indicados para o município, somando diferentes modalidades de emendas e recursos articulados em parceria com governos e outros parlamentares. É um número relevante.
Quando olhamos somente para as emendas individuais rastreadas nas bases oficiais, o levantamento que publiquei em setembro identificou R$ 27,3 milhões destinados a Santarém. No conjunto dos municípios, foram identificados R$ 119,3 milhões empenhados em 21 emendas individuais entre 2024 e 2026, dos quais R$ 105,2 milhões apareciam como pagos.
Faço questão dessa distinção porque ela é exatamente o tipo de cuidado que esta coluna procurou defender durante cinco meses: recurso indicado não é necessariamente recurso empenhado; recurso empenhado não é necessariamente recurso pago; e recurso articulado não é sinônimo de emenda individual.
O mérito, portanto, não está em escolher o maior número. Está em saber o que cada número significa.
E, nesse conjunto de informações, há uma constatação objetiva: Santarém aparece entre os principais destinos dos recursos de Henderson.
Em 2026, por exemplo, o próprio Portal da Transparência do município registra emendas de Henderson para saúde, medicamentos, procedimentos clínicos e diagnósticos, além de recursos para atividades como a Feira Agropecuária do Baixo Amazonas e o Sairé.
É recurso que pode ser localizado, acompanhado e auditado.
O terceiro motivo: a persistência que os números contam
Henderson Pinto foi vereador de Santarém em quatro mandatos. Disputou o estadual em 2014 e não se elegeu — fez 30.965 votos. Disputou o federal em 2018 e ficou como primeiro suplente, com 63.533 votos. Só se elegeu em 2022, na terceira tentativa para cargo legislativo superior.
Conto essa trajetória porque ela diz algo que currículo nenhum diz: ele não chegou por acaso nem por herança. Construiu voto a voto, ciclo após ciclo, sendo derrotado duas vezes antes de vencer.
Na política brasileira, onde tanta gente entra por sobrenome ou por notoriedade repentina, isso merece registro.
O quarto motivo: a pauta que ele escolheu
Durante o mandato, Henderson construiu representação junto aos pescadores artesanais — uma categoria que, no Oeste do Pará, se confunde com a própria população ribeirinha. É gente que vive do rio, em comunidades espalhadas pelo Arapiuns, pelo Tapajós e pela calha do Amazonas.
Essa não é uma pauta que rende manchete em Belém. É pauta que exige logística cara, deslocamento difícil e presença em lugares onde a campanha tradicional não chega. Escolher trabalhar por ela diz mais sobre um mandato do que qualquer discurso.
E há um dado concreto que sustenta essa afirmação.
Em 2024, Henderson apresentou o PL 2.232, que propõe incluir pescadores artesanais de baixa renda entre os beneficiários do Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais. O projeto ainda não virou lei e continua em tramitação. Mas existe uma diferença entre prometer atenção a uma categoria e transformar uma reivindicação em proposição legislativa.
O mesmo vale para uma das principais agendas econômicas de Santarém.
Henderson apresentou o PL 1.949/2024, que propõe a criação da Área de Livre Comércio de Santarém. Também é uma proposta que ainda está em tramitação. Não é uma conquista legislativa consumada — e não deve ser apresentada como tal. Mas é uma iniciativa concreta na direção de uma pauta econômica que há anos aparece no debate sobre o desenvolvimento regional.
É também um defensor do setor produtivo. Defensor da regularização fundiária. Do produtor rural — do pequeno ao grande —, assim como do morador da área urbana, que merece o título definitivo de sua casa.
O que está em jogo neste domingo?
Em 2018, Santarém elegeu um deputado federal. Em 2022, elegeu dois — e foi celebrado como conquista histórica.
Manter essa representação em 2026 é mais difícil do que parece, porque há mais candidatos locais disputando o mesmo eleitorado e mais candidatos de fora olhando para a nossa região.
E aqui volto àquilo que escrevi tantas vezes nesta coluna: eleição proporcional não é apenas uma disputa de popularidade. É uma combinação de votos, distribuição territorial, composição das chapas, quociente eleitoral e sobras.
Em 2022, Henderson aprendeu isso na prática.
Em 2026, ele fez uma escolha partidária diferente, dentro de uma nova arquitetura eleitoral.
Se essa estratégia funcionará, a urna responderá. Mas é possível analisar a decisão antes da apuração — e é justamente isso que uma coluna política deve fazer.
Perder uma cadeira federal significa quatro anos com menos representação política da região, menos capacidade de disputar recursos em Brasília e menos presença nas pautas que afetam o Oeste do Pará. Reconquistar uma cadeira perdida também não é tarefa simples.
O que espero dele?
Espero que Henderson Pinto amplie o que já faz: emenda destinada e executada, presença nos municípios e defesa das pautas estruturantes da região — o Distrito Industrial de Santarém, a infraestrutura portuária e rodoviária, a regularização fundiária, o setor produtivo e a pesca artesanal.
E espero que ele cobre de si mesmo aquilo que a coluna apontou como fragilidade: presença mais forte no interior, recuperação dos municípios onde a votação caiu e menos dependência de um único território.
Registrei isso publicamente antes da eleição e vou continuar registrando depois dela.
Meu voto não apaga as críticas que fiz a Henderson. Pelo contrário. É justamente porque conheço suas forças e suas fragilidades que faço esta escolha.
Uma palavra final, depois de cinco meses
Foram 30 artigos desde maio. Analisei candidatos que admiro e candidatos de quem discordo. Apontei erros de estratégia, vulnerabilidades e pontos cegos — inclusive dos dois em quem declarei voto nestas duas edições.
Fiz isso porque acredito que o eleitor do Oeste do Pará merece mais do que propaganda. Merece entender como o sistema funciona, por que um candidato com muitos votos pode não se eleger, como as chapas interferem no resultado e por que a aritmética decide mais do que o discurso.
Amanhã cada um de nós entra sozinho na cabine.
O que fiz aqui foi oferecer informação.
A decisão, como sempre, é de quem vota.
Política é gestão. E voto consciente é a primeira forma de gestão que todo cidadão exerce.
Fábio Maia é consultor político, com atuação no Oeste do Pará. Escreve aos domingos e quartas no Jornal O Impacto.
O conteúdo deste artigo é de inteira responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do jornal ou de sua direção.
O Impacto



Com certeza Henderson Pinto é um candidato muito eficaz e eficiente para o Oeste do Pará, principalmente para Santarém que é o polo da região, suas lutas e metas não podem serem esquecidas e nem deixar de ser lembradas , sempre busca meios e formas de legislar em favor do seu povo, que seja uma vitória alcançada que quem ganha é a região em si !