A luta da ACES pelo Distrito Industrial de Santarém
Por Fábio Maia
Ex-quase-futuro Distrito Industrial: o sonho antes da mobilização empresarial
Desde os primeiros anos da Associação Comercial e Empresarial de Santarém (ACES), a ideia de um Distrito Industrial já se apresentava como um projeto vital para o desenvolvimento da cidade. Esse sonho foi esboçado pela primeira vez em 1953, com o advogado Ubirajara Bentes anunciando a venda de 952 lotes do terreno Lorena, pertencente a Antônio Duarte Brito. Sua proposta era criar o maior parque industrial do Baixo Amazonas, combinando área industrial e residencial capaz de abrigar seis mil moradores.
Apesar de contar com planejamento urbanístico ambicioso, incluindo um grupo escolar, a capela de Nossa Senhora de Fátima e infraestrutura urbana com lotes reservados, a iniciativa não avançou e ficou marcada como um dos primeiros esforços frustrados em busca da industrialização na região. Embora a ACES já existisse à época, sua atuação estava voltada primordialmente para o fortalecimento do comércio e dos serviços. Foi apenas anos depois que essa entidade assumiria a liderança na luta por esse sonho industrial.
Gestão Manoel Chaves (1987-1988): primeiros passos e reflexão econômica
Durante a gestão de Manoel Chaves, a ACES começou a dar seus primeiros passos concretos rumo à discussão sobre industrialização. Em junho de 1988, sob coordenação de Marcelo Mário e Altevir Fernandes, foi realizado o I Simpósio de Empresários do Oeste do Pará. Este evento proporcionou espaço para entidades discutirem desafios enfrentados por setores como indústria, comércio, mineração e agricultura, além de propor soluções práticas para os entraves econômicos da região. Embora ainda embrionário, o simpósio preparou terreno para debates mais profundos sobre a necessidade de um Distrito Industrial.
Gestão Antônio Jorge Simões Hamad (1993-1994): estruturas essenciais para a mobilização
Sob a liderança de Jorge Hamad, a ideia do Distrito Industrial começou a ganhar força. A ACES articulava junto à Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) e outras entidades a necessidade de estabelecer um espaço voltado para a instalação de indústrias em Santarém. Jorge Hamad também contribuiu ativamente como delegado da FIEPA, facilitando diálogos estratégicos com representantes estaduais.
O período foi marcado por um grande desafio logístico e estrutural: a falta de energia elétrica adequada para sustentar o parque industrial. O governo estadual exigia que o parque fosse implantado antes do fornecimento de energia, enquanto as empresas precisavam de infraestrutura mínima para justificar seus investimentos. Esse impasse demonstrou as dificuldades que a ACES enfrentaria nos anos subsequentes.
Gestão Ademilson Macêdo Pereira (1995-1998): mobilização política e empresarial
Durante a gestão de Ademilson Macêdo Pereira, a ACES intensificou suas ações para inserir a pauta do Distrito Industrial nas prioridades políticas e empresariais do estado. Ademilson promoveu encontros estratégicos com lideranças públicas e empresariais, buscando criar alinhamento entre os atores envolvidos. Além disso, sua gestão trabalhou na divulgação do projeto para atrair investimentos ao município.
A criação de alianças regionais e o fortalecimento do diálogo institucional marcaram esse período, demonstrando a habilidade de gestão da ACES em construir parcerias eficazes.
Gestão Ivair Chaves (1999 – 2000): impactos da energia de Tucuruí
A chegada da energia de Tucuruí trouxe expectativas de avanços no projeto do Distrito
Industrial. Ivair Chaves conduziu debates com o governo estadual para garantir que Santarém estivesse preparada para receber esse benefício, mas os incentivos fiscais e a burocracia continuaram como obstáculos significativos. Embora o progresso fosse lento, a ACES continuava a manter articulações constantes para que o distrito saísse do papel.
Gestão Olavo das Neves (2007-2010): ALC e expansão estratégica
Sob a liderança de Olavo das Neves, a ACES buscou novas alternativas para impulsionar a industrialização, como a criação de uma Área de Livre Comércio (ALC). Essa iniciativa foi inspirada no modelo da Zona Franca de Manaus, visando atrair investimentos e fomentar o desenvolvimento regional. Além disso, Olavo organizou seminários e campanhas municipais para divulgar as vantagens de um condomínio industrial, ampliando a consciência pública sobre o tema.
Gestão Alberto Oliveira (2011-2014): polo de armazenagem e Zona Franca
Na gestão de Alberto Oliveira, a ACES conseguiu conquistar um avanço significativo com a autorização do Polo de Armazenagem do Entreposto da Zona Franca de Manaus. Essa conquista foi resultado de intensa articulação com instituições federais e estaduais, consolidando Santarém como parte de uma rede logística nacional. Além disso, Alberto manteve uma agenda de encontros frequentes com o governo municipal para discutir demandas, como o Distrito Industrial e a criação de uma secretaria voltada à indústria e comércio.
Gestão César Ramalheiro (2015-2016): protocolo de intenções e escolha de local
A liderança de César Ramalheiro trouxe de volta à pauta o Distrito Industrial, desta vez com a assinatura de um Protocolo de Intenções entre a Prefeitura de Santarém, o Governo do Estado e a Codec. A Serra do Diamantino foi inicialmente escolhida como área destinada ao distrito, mas a regularização fundiária inviabilizou o uso dessa localização. Ramalheiro continuou pressionando por alternativas para viabilizar o projeto.
Gestão Roberto Branco (2017-2022): avanços fundiários
Roberto Branco intensificou os esforços para superar os entraves fundiários que vinham atrasando o projeto. A ACES identificou a comunidade de Cipoal como nova área apropriada para o Distrito Industrial. Foram realizados georreferenciamentos e processos de regularização em parceria com o INCRA, e finalmente, os trâmites avançaram em Brasília, culminando no reconhecimento da área.
Gestão Alexandre Chaves (2023-2024): a realização do sonho
Sob a presidência de Alexandre Chaves, o Distrito Industrial de Santarém foi oficializado. Em 18 de outubro de 2024, o governador Helder Barbalho assinou a autorização para desapropriação das áreas, tornando o projeto uma realidade. Previsto para contar com 125 lotes distribuídos em seis zonas econômicas, o distrito promete transformar a economia da região.
Conclusão: uma luta de décadas
A luta pelo Distrito Industrial exemplifica a persistência da ACES ao longo de décadas. Cada gestão contribuiu de maneira única para o avanço desse projeto, enfrentando desafios políticos, logísticos e burocráticos. Com a formalização do projeto, a ACES reafirma seu compromisso em garantir que o Distrito Industrial se torne um verdadeiro polo de desenvolvimento para Santarém e toda a região Oeste do Pará.
O Impacto
vamos aguardar o valor que irão paga para os proprietário das terras desapropriada, o valor apresentado preeliminarmente é muito inferior do que realmente vale, torcer para que ninguém seja prejudicado nesse projeto.