Paixão de Cristo: Espetáculo celebrará quatro décadas unindo arte e identidade amazônica
Um dos eventos mais emblemáticos da cena cultural santarena, o espetáculo Paixão de Cristo chega aos seus 40 anos de encenação com fôlego renovado e muitas novidades para o público. A tradicional apresentação será realizada no dia 18 de abril de 2025, na Praça Tiradentes, localizada na orla da cidade, com a promessa de mais uma noite inesquecível para os milhares de espectadores que, todos os anos, se emocionam com a encenação da vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.
A primeira apresentação aconteceu em meados da década de 1980, na Praça Tiradentes, por iniciativa de um grupo de jovens, assessorados pelo padre verbita José Dillon, que atuava na Paróquia São Raimundo Nonato, no bairro da Aldeia, dando origem ao Grupo Teatral José de Anchieta, que passou a ser responsável pelas montagens posteriores. No ano 2000, passou a ser encenada no Estádio Colosso do Tapajós, ainda sob responsabilidade do mesmo grupo. Posteriormente, passou a acontecer em frente à Igreja São Raimundo Nonato, sendo realizada pelo Projeto Arte e Cultura, da mesma paróquia. Em 2015, o Grupo Teatral Kauré tornou-se o mantenedor do espetáculo, realizando-o no Espaço Pérola do Tapajós, retornando à Praça Tiradentes em 2022, onde permanece até hoje.
Nestas quatro décadas, a Paixão de Cristo transcendeu a representação bíblica para se consolidar como um verdadeiro manifesto cultural da Amazônia. Além de narrar a trajetória de Jesus Cristo, o espetáculo ganhou corpo e alma amazônicos, visíveis nos rostos, nas vozes, nos figurinos e nos cenários.
A cada edição, a encenação dialoga com o presente, incorporando temas como a fome, a violência, a desigualdade e a justiça social, em sintonia com a Campanha da Fraternidade. É nesse entrelaçar de arte e pertencimento que o espetáculo se torna um grito coletivo da sociedade tapajônica, onde cada cena é carregada de significado e esperança.
Em 2024, o espetáculo reuniu 300 integrantes, entre atores, técnicos, cenógrafos, figurantes e equipe de apoio, atraindo cerca de 5 mil pessoas. A produção, que agrega o melhor da arte teatral de Santarém, se consagra como um espaço de valorização artística, revelação de talentos e encontro entre gerações.
Espetáculo de encontros
“Falar da Paixão de Cristo é falar de encontros de gerações. Essa peça aconteceu pela primeira vez em 1985, e muitos que estavam lá no início continuam agora, com seus filhos e netos no elenco e na produção”, afirma Alenilson Ribeiro, que já atuou em diversos papéis ao longo dos anos.
Em 2024, ele interpretou Caifás, o sumo sacerdote que teve papel central na condenação de Jesus. Para este ano, Alenilson segue na direção geral do espetáculo, guiando a nova geração e mantendo viva a chama do teatro no Oeste do Pará.
“A gente celebra o teatro da nossa região, discutindo temas como meio ambiente, inclusão e fé. Este é um dos maiores espetáculos do Oeste Paraense, que resiste há quatro décadas nessa teimosia cabocla de fazer arte”, ressalta.
Arte que atravessa gerações
A história da Paixão se entrelaça com a história de seus integrantes e de suas famílias. Carlos Miranda, que nos anos 1990 interpretou Jesus, hoje atua como diretor cênico. Passou a missão de conduzir o papel para o filho, João Carlos Miranda, que vem emocionando o público nos últimos 10 anos como o protagonista da encenação. Emocionado com a data histórica, Carlos destaca que a apresentação será ainda mais grandiosa.
“Queremos transmitir toda a intensidade da história, provocando emoções e reflexões. Vamos intensificar a interação com o público, teremos novidades na parte audiovisual e o retorno de algumas pessoas que ajudaram a construir essas quatro décadas de história. Afinal, esse espetáculo não se faz sozinho. Contamos com cada pessoa que já subiu nesse palco e com todos que estão chegando agora para fazer um grande espetáculo.”
A mãe de João, a atriz Vânia Rego, também integra o elenco, interpretando Maria, tornando a experiência ainda mais simbólica e familiar, dentro e fora dos palcos.
“A cada ano, a apresentação cresce, passa por uma avaliação e ajustes com o objetivo de proporcionar ao público um espetáculo com ainda mais qualidade e impacto. Este ano queremos convidar as pessoas a participarem e se emocionarem mais uma vez com a Paixão de Cristo, mas também a celebrarem conosco a arte e a cultura santarena. Celebrar essas quatro décadas de realização é celebrar algo que faz parte não só da minha história ou da minha família, ou de outras famílias que fizeram e fazem parte deste movimento que é a Paixão de Cristo, mas também é celebrar a própria história das artes cênicas em Santarém”, finaliza João Carlos.
Kauré: tradição e renovação
Desde 2015, a produção do espetáculo está sob responsabilidade do Grupo Teatral Kauré, que há 27 anos marca presença na cena cultural santarena com propostas que mesclam teatro, cinema e temas amazônicos. Fundado em homenagem ao ator Manuel Maria Duarte Pereira (Kauré), falecido em 1996, o grupo é conhecido por seu compromisso com a valorização da cultura local, da educação ambiental e da formação de novos artistas.
O grupo já foi homenageado com comendas da ALEPA e da Associação Comercial de Santarém, e segue sendo referência de resistência e inovação nas artes cênicas da região.
A Paixão de Cristo em Santarém é mais do que uma peça: é um movimento. Um reflexo do potencial artístico da cidade e da união dos artistas e fazedores que participam de sua construção, com um legado que se renova a cada ano. Em 2025, o espetáculo quer celebrar 40 anos, mas também projetar o futuro do teatro santareno com ainda mais luz, emoção e pertencimento.
Programação
Lançamento do Cartaz
Data: 04 de abril (sexta-feira)
Horário: 10h
Local: Salão Paroquial – Igreja São Raimundo Nonato
Endereço: Rua Silvério Sirotheau, Bairro Aldeia
Espetáculo Paixão de Cristo
Data: 18 de abril (Sexta-feira Santa)
Horário: 19h
Local: Praça Tiradentes
Endereço: Avenida Tapajós, Bairro Aldeia – Orla da cidade
O Impacto com informações do Grupo Kauré