Armas na mão de criminosos são de pequeno porte e produzidas legalmente no Brasil

Uma pesquisa realizada pela ONG Viva Rio em parceria com o Ministério da Justiça mostra que a grande maioria das armas de fogo usadas por criminosos no Brasil é de pequeno porte e produzida legalmente em território nacional, caindo na ilegalidade pela má fiscalização do transporte e do comércio.

De acordo com os dados do levantamento, que demorou cerca de dois anos para ser feito, 80% das armas apreendidas pela polícia no Brasil são nacionais e de pequeno calibre – como revólveres e pistolas. Os números desmentem, segundo o coordenador da pesquisa, Antônio Rangel, a impressão de que a entrada de grandes armas como fuzis e submetralhadoras importados seja o principal causador do problema do excesso de armas no país.

– Compramos armas legais e elas acabam indo para a clandestinidade, através de roubo e vendas. Em 2003, 27 mil armas foram roubadas de residências de homens de bem.

Rangel destacou que as armas particulares compradas por policiais são uma das grandes fontes do mercado ilegal. Além da arma que usa em serviço, fornecida pela polícia, policiais e militares são autorizados a comprar três armas por ano, que acabam sendo roubadas, extraviadas e às vezes até mesmo vendida para criminosos.

O levantamento mostra também que há quase 16 milhões de armas em circulação no Brasil, o que dá uma média de uma arma para cada 12 habitantes. Dessas, 14 milhões estão com a sociedade civil – 7,6 milhões ilegais e 8,4 milhões autorizadas –, o que faz com que o Brasil tenha 87% de suas armas com civis – a média internacional, segundo Rangel, é de 58%. O Estado, Forças Armadas e forças de segurança têm apenas 13% das armas – 2 milhões.De acordo com o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, o “principal fator de êxito para a redução de homicídios no país nos últimos anos foi o desarmamento. Ele afirmou que, apesar de o “não” ter ganhado o referendo sobre o tema, em 2005, permitindo que as armas continuassem sendo comercializadas, as campanhas de desarmamento voluntário têm funcionado de maneira razoável.

– Se queremos Brasil mais seguro, condições de circular com mais tranquilidade nas ruas temos que ter política forte de banimento de posse ou porte de arma de fogo. Arma não tem outra função além de matar.

Ele defendeu um controle maior dos locais em que as armas são armazenadas e comercializadas, além de alguma iniciativa – ainda não definida – para evitar que as armas particulares de policiais e militares caiam no mercado negro.

O ministro disse ainda que, apesar de o estudo mostrar que o foco maior no combate às armas deve ser feito fiscalizando o armazenamento, transporte e comércio das armas nacionais, o controle das fronteiras não será deixado de lado, e a Polícia Federal vai continuar intensificando o combate ao tráfico internacional.

Do R7

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