Mãe que abandonou bebê quer ficar com a guarda

“Estou muito arrependida. Quero o meu filho de volta”. Três dias após ter abandonado seu bebê dentro de uma sacola plástica no quintal de um vizinho, Elinaura Nascimento Santos, 20 anos, clama pela guarda da criança.

Como justificativa para o ato, ela conta que tinha medo da reação de sua família, que vive no Maranhão. “Minha mãe sempre disse que não queria ninguém com filho em casa”, disse. Mais consciente do crime cometido, ela espera agora ser perdoada. “Gosto muito de criança e quero tê-lo comigo. Não queria machucar ninguém”, garante.

Para Bezerra, dono da casa onde Elinaura trabalhava como babá, o ocorrido foi uma surpresa. “Ninguém sabia que ela estava grávida. E mesmo depois de ter o neném ela passou o Natal normalmente conversando com todo mundo”, afirma. Sobre a permanência da jovem na sua residência, ele acredita não ser mais viável. “Naná (Elinaura) era uma excelente babá, mas com as críticas dos vizinhos e da opinião pública acho melhor que ela não more mais aqui”.

Na casa ao lado, a família que encontrou o recém-nascido ainda se acostuma com a condição de “heróis”. De forma cautelosa, o serralheiro Carlos Barros preferiu não opinar sobre a atitude da mãe do bebê. “Não posso julgá-la porque não conheço a história de vida dela”, afirma.

INTERNADOS

Ao lado da esposa e do filho de 9 anos, ele garante que o único pensamento quando encontrou a criança foi garantir sua vida. “Na hora que eu vi o bebê tão pequeno só lembrei do meu filho e saí correndo atrás de médicos e enfermeiros que pudessem salvá-lo”.

Elinaura e o bebê ainda permanecem internados na Santa Casa de Misericórdia, em Belém, onde passam por exames e avaliação clínica. O estado de saúde do recém-nascido é estável, mas ele deve permanecer no Centro de Cuidados Intermediários por mais 15 dias tomando medicamentos antibióticos e aguardando o resultado do exame de DNA que comprovará sua maternidade.

Em homenagem à data comemorativa, os dois conselheiros tutelares responsáveis pelo caso, Abner Lopes e Irnaclei Pantoja, decidiram chamar o bebê de Natalino de Jesus. “Assim como Jesus, essa criança passou por dificuldades, mas sobreviveu. É um exemplo de que vida prevaleceu”, disse Abner.

No momento, a criança está sob a proteção do Estado e somente depois de receber todos os cuidados de saúde, o Juizado da Infância irá decidir se Natalino retornará para a mãe, ficará sob a guarda de familiares ou irá para outra família. Elinaura dos Santos deve responder inquérito policial por abandono de incapaz, lesão corporal e tentativa de homicídi.

Diário do Pará

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