Quando a injustiça diz por último

Dr. Ismael de Moraes.

Afirmo, tranquilo, que estou a cavaleiro para asseverar o que digo aqui, porque não possuo vinculação político-partidária com ninguém e, hoje, muito menos com ninguém do PT, partido que tem como importantes, e abriga, pessoas que eu acusei, processei e denunciei nos quatro anos do governo Ana Júlia.
Apesar disso, não posso deixar de registrar minha admiração e respeito pela vida de muitos quadros dessa agremiação. Entre eles, fiquei especialmente triste quando surgiu o mensalão e atingiu em cheio o então deputado federal Paulo Rocha, que eu não conheço e apenas uma vez cumprimentei, ao ser apresentado a ele por um amigo comum, em razão da sua história pessoal.
Aos poucos, com a curiosidade peculiar de advogado, fiquei sabendo dos detalhes da acusação contra ele. Posso resumir o fato descrito na denúncia a título de crime: receber, através da conta de terceiros, valores que foram repassados pelo PT através do Banco Rural para pagar gastos de campanha. Isso foi classificado na denúncia como lavagem de dinheiro e, embolado a outros fatos e pessoas com quem não tem relação alguma, Paulo Rocha está colocado como “membro da quadrilha do mensalão”.
Sabendo das circunstâncias, não há como deixar de ficar estupefato com a perversidade da acusação. O então deputado Paulo Rocha era o presidente regional do PT no Pará, portanto, possuía um cargo administrativo e consequentes responsabilidades financeiras. Como todo político que assume tais funções, devia estar desesperado por quitar dívidas de campanha com a direção central do seu partido, o PT. Foram encaminhados valores por meio de contas de sua esposa e da secretária. Como poderia saber se o dinheiro fora obtido pelo partido com empréstimo, certo ou errado ou por contribuição de alguma empresa? Aliás, quem espera algum dinheiro para pagamento de uma conta, ao ver o crédito, vai se certificar quem é o depositante e de como ele obteve o dinheiro antes de gastá-lo? Isso é até ridículo! O pior de tudo é que ficou comprovado no processo que todo o dinheiro que recebeu foi usado para quitar gastos de campanha do PT, e isso foi provado com notas fiscais do tempo em que os pagamentos foram feitos!
E a tese de ele ser membro de uma quadrilha, de ter recebido dinheiro para apoiar o governo? Simplesmente o deputado Paulo Rocha era um dos mais importantes lideres do PT na Câmara, quando Lula era o presidente. Ora, como poderia ter recebido dinheiro para apoiar o seu próprio partido?
Até aquele tempo, há dez anos, a contabilidade partidária ainda era, em qualquer partido, uma casa da mãe joana, e quero saber de algum político ou membro de partido que tenha administrado uma agremiação e não tenha praticado tal irregularidade de versar dinheiro sem passar por contabilidade eleitoral. Esse fato, essa realidade inelutável não justifica e nem absolve ninguém daquilo que pode ser ilegal, mas jamais, nunca constituiria lavagem de dinheiro ou teria o condão de conferir a alguém a configuração de ser membro de uma quadrilha, muito menos a destruição implacável da imagem de uma vida pública respeitável.
Quero deixar claro que não estou negando a existência do mensalão, como um meio de agraciar parlamentares fisiológicos para votarem com os projetos do governo, em um Congresso que só funciona, até hoje, com o toma-lá-dá-cá.
Eu afirmo é que estamos diante de uma irresponsável, cruel e desumana acusação, que atribui aos fatos objetivos colorido jurídico que não corresponde ao que diz a lei. Caso haja condenação nos moldes pedidos pelo Ministério Público, todos estaremos em risco, porque qualquer um poderá sofrer injustiça semelhante.
Além disso, esse caso nos traz consequências como paraenses na representação federativa, pois subtrai do Congresso, por pelo menos oito anos, após o cumprimento da pena, um político que poderia agregar forças às necessidades do nosso Estado.
Nós paraenses deveríamos assinar uma petição à presidente Dilma Rousseff pedindo, em caso de condenação de Paulo Rocha, uma anistia face à injustiça, irrecorrível judicialmente, porque o STF já deu a única palavra: a última.

Fonte: RG 15/O Impacto

18 comentários em “Quando a injustiça diz por último

  • 23 de agosto de 2012 em 11:35
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    Alguem com coragem defende a legalidade e o direito do cidadão sem auferir vantagem. Parabens Dr. Ismael pelo artigo, ajudando companheiro do nosso PT

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  • 22 de agosto de 2012 em 16:25
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    È isso ai Doutor, gostei da aula de direito a muitos babacas que falaram do companheiro Paulo Rocha. Esse artigo deveria ser publicado nos blogs de Belém e nos jornais. Gosto de ler o Impacto por ser um jornal que publica a verdade. Estou em Belém e acesso todos os dias o site do jornal. Já repassei o site do jornal para varios companheiros para ler a materia. Está sendo bem acessado o Impacto aqui em Belém.

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  • 22 de agosto de 2012 em 15:05
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    Quando as causas são analisadas por pessoas isentas e competentes, é outra coisa. Só sabem bater no companheiro Paulo Rocha. O advogado não tem amizade e conversou apenas uma vez com o companheiro, porém analisou a questão a luz do direito e não verificou nada que possa condenar o companheiro Paulo Rocha. Gostei do artigo do advogado. Falta coragem e postura nas pessoas passam a condenar as outras sem ouvir o outro lado. Muito bom o artigo do advogado.

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  • 22 de agosto de 2012 em 11:37
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    Gostei da postura do advogado. Isso demonstra respeito pela pessoas, pela ideias elogiosos e criticas. Sabedoria e respeito não é para qualquer um. Excelente postura Dr. Ismael.,

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  • 22 de agosto de 2012 em 09:58
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    Obrigado a todos, mesmo àqueles que discordam. Apenas reitero que não sou amigo do ex-deputado Paulo Rocha, a quem apenas cumprimentei uma vez, em 2006, ao ser apresentado por um amigo.
    Respeito a postura daqueles que repugnam todo e qualquer político porque, infelizmente,é isso que eles têm inspirado nas pessoas: nojo. Mas, da repulsa cidadã ao julgamento do direito de alguém há uma longa distância, e devemos ter responsabilidade nessa esfera.
    Agradeço pelo carinho e respeito que tenho junto aos leitores dO Impacto.

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  • 22 de agosto de 2012 em 09:38
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    Concordo com o Thiago. O advogado está expondo uma situação que ele conhece como ele mesmo diz. Nos não podemos julgar apenas pelo que diz a imprensa. Não podemos condenar sem o direito de defesa. Dr. Ismael, parabens pela coragem de defender Paulo Rocha. Advogado com sua posição é dificil encontrar. A maioria é covarde e tem medo do poder e das criticas.

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  • 22 de agosto de 2012 em 08:36
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    Pessoal não podemos julgar apenas pelo que a imprensa relata. Ela sabe apenas aquilo que a Policia e o Ministerio Público escreve e não o que o advogado de defesa apresenta. A imprensa gosta de noticia, dificilmente publica a realidade dos fatos. O advogado está certo. Se ele se expos é porque tem suas razões com base nas provas apresentadas nos autos. Dr. Ismael sempre escreve para O Impacto e tem demonstrado postura correta e coerente. Pelo que li dele, ele é firme, capacitado e corajoso e com condições de expor suas razões. Parabens Dr. Ismael, poucos advogados tem sua postura, ou melhor os melhores advogados faz o que o senhor está fazendo.

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  • 22 de agosto de 2012 em 08:29
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    Não é possivel alguem defender o Paulo Rocha com que foi apresentado na imprensa. Até agora Paulo Rocha não se defendeu. Ficou calado se tivesse defesa ele já teria se pronunciado. Se ele não recebeu o valor foi pra quem e em que foi usado. Não acredito na inocencia dele.

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  • 21 de agosto de 2012 em 22:53
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    conheci o Paulo Rocha ele e culpa. A turma do PT esta envolvida nessa trama. O PT se lambuza em dinheiro quando pega. Nunca tima vsta em sua frente. Discordo da defesa do advogado.

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  • 21 de agosto de 2012 em 22:50
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    conheco o advogado Ismael do jornal o impacto. Sempre admirei pelas materias. Mais Dr., o senhor foi muito mal. Nao gostei da sua defesa. O senhor deve ser amigo do Paulo Rocha para defender esse cara das garras do STF. Ele e culpado sim. Dr. Nesse o senhor foi mal

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  • 21 de agosto de 2012 em 21:35
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    Prezados, eu estudei para ter segurança de defender o que digo no artigo. Gostaria que vcs apresentassem argumentos para possamos debater. Apresento fatos e circunstâncias que evidenciam não ter sido ele \”mensaleiro\”, mas instrumento da utilização de caixa 2 na gestão dos gastos eleitorais do PT. Repito que não possuo vinculação político-partidária com quem quer que seja, muito menos com o PT.
    É um princípio cristão que sejamos justos. Seria desonesto obter informações sobre determinado processo cuja discussão é pública e escrever de acordo com o gosto da multidão que quer ver o enforcamento. Não é para isso que temos conhecimento. No caso dos advogados, nossa missão de fazer Justiça é tanta quanto de um juiz ou promotor.
    Não devemos destruir ninguém porque isso não é justiça, é vingança. Não devemos participar do linxamento de alguém, mesmo que ele tenha algum tipo de culpa. A Justiça deve ser o mais proporcional e equilibrada possível de acordo com o ato praticado. E Paulo Rocha não praticou ato de corrupção, não se apropriou de dinheiro e nem se organizou em quadrilha. Isso não se aplica a José Dirceu, João Paulo e aoutros.
    Por que ele deve ser \”justiçado\” numa fogueira junto com outros, sem critério?
    Isso não é Justiça; é injustiça.
    Me perdoem.

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    • 21 de agosto de 2012 em 22:46
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      nao concordo Dr com o senhor. Se Paulo Rocha nao fosse culpado por que o PT nao colocou ele em qualquer cargo. Ele pegou dinheiro sim. O Ministro fundamentou sua demência e muitas evidencias existem. Dr., infelizmente o senhor foi mal.

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  • 21 de agosto de 2012 em 20:26
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    MEU DEU ONDE IREMOS CHEGAR?

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  • 21 de agosto de 2012 em 18:47
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    Deve ser adgovado do PT para defender Paulo Rocha. Já materia polemica desse advogado. Não esperava ele defender um mensaleiro.

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  • 21 de agosto de 2012 em 18:46
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    Se a Dilma não deu emprego a ele, como vai anistiar.

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  • 21 de agosto de 2012 em 18:44
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    Inocente, que lindo! Vai ser tesoureiro do PT.

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  • 21 de agosto de 2012 em 18:43
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    Se o PT não deu emprego a ele, como ele é inocenteW. Dr. Ismael é fã dele.

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  • 21 de agosto de 2012 em 18:41
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    Não entendi essa do Dr. Ismael defendendo um mensaleiro. Será que esse Paulo Rocha esta acima da justiça e lei? Como é que pode alguem defender uma pessao que até o PT desprezou.

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