Padre: “Porto da Embraps não trará desenvolvimento a Santarém”

Edilberto Sena diz que projeto do Porto da Embraps é discutível, pois tem jogo de interesses

A construção do porto da Embraps, na grande área do Maicá, em Santarém, continua rendendo polêmica; ambientalistas lutam para que a obra não se concretize, alegando que com a construção dos portos, haverá destruição do meio ambiente e outros prejuízos à natureza, bem como aos moradores do local. Para falar sobre o assunto, entrevistamos o padre Edilberto Sena, da Comissão de Justiça e Paz da Diocese de Santarém e do Movimento Tapajós Vivo.

“Esse projeto do Porto da Embraps, na boca do Lago do Maicá, é discutível porque tem jogo de interesses. Esse jogo implica, de um lado o empresarial que quer invadir o espaço urbano da cidade para implantar seus projetos de portos para exportação de grãos para a China, Europa e Índia. De outro lado estão os moradores do município de Santarém, que são invadidos por empresas que obrigam a população a ir para a periferia. Esse jogo do porto da Embraps tem várias consequências (negativas e positivas). Tem o lado positivo para o dono da empresa e, talvez alguma migalha para o Município, mas para a população não tem nada. A construção desses portos vai agredir a frente da cidade, que já foi agredida pela Cargill, Bertolini e por outras empresas. Essa é mais uma ocupação que vai ocupar a Boca do Lago do Maicá, que embora eles digam que não vai causar efeito negativo para os pescadores, mas a própria Colônia dos Pescadores já deu sinal dos prejuízos para essas pessoas que pescam no Lago do Maicá”, disse o religioso.

Ao ser questionado sobre os prejuízos causados com a implantação do porto da Embraps, Padre Edilberto diz que “vai diminuir o fluxo de peixe, porque o porto vai se esticar, ou seja, vai entrar no Rio Amazonas. É só olhar o que a Cargill faz, quando tem um navio em seu porto com a poeira jogada, causando impacto na boca do rio e dificuldades para o pescador. Dizem que cerca de 450 pescadores tiram sua renda e se alimentam com a pesca no Lago do Maicá. Outro aspecto que considero tão grave quanto o primeiro, é que no Projeto para atender o escoamento dos grãos pelo porto da Embraps, está a construção de uma rodovia, que vem por trás do Cipoal e do 8ª BEC , desce um rodovia passando pelo Mararu e aí entra em uma avenida passando por cerca de 9 bairros da periferia de Santarém. Agora, imaginem uma grande avenida asfaltada, aonde vão circular em torno de 700 a 800 carretas por dia, indo e vindo, o impacto que vai causar na vida das pessoas que moram nesses bairros. Para mim, o mais grave será a violência aos seres humanos que moram nesses bairros. Agora, como há um jogo de interesse, a empresa tenta cooptar os moradores, oferecendo presentes, comprando terrenos; só que esses moradores que vendem seus terrenos acabam indo pra onde? Aumentam as ocupações. Você tem como exemplo agora recentemente a Polícia teve fazer uma reintegração de posse no Urumary. Para onde vai esse pessoal? Vai para a periferia, e a cidade vai sendo evacuada para atender os empresários que querem ocupar a cidade de Santarém”.

OCUPAÇÃO DO LAGO DO JUÁ: Como o assunto é ocupação de áreas, questionamos o Padre Edilberto Sena sobre a invasão de uma grande área no Juá, onde os invasores já estão na beira do Lago do Juá, sendo que anos atrás houve um movimento “Abraço ao Lago do juá”, que impediu a construção da obra da empresa Buriti, que foi embargada pela Justiça. O líder religioso foi enfático e disse: “A ocupação já está com 3 anos que iniciou, já houve a Justiça fazendo reintegração, depois os advogados dos moradores provaram com documentos que aquela área não tinha propriedade e por isso a Polícia não fez a reintegração. Então, a primeira parte que tem na Fernando Guilhon, são mil famílias cadastradas, segundo a líder Magareth. Eu respeito a Margareth, que pode ter críticas destrutivas, mas ela foi uma que desde o começo assumiu a causa dos sem moradia. Quando foi feito o “Minha casa, Minha Vida” já se falava que a carência de moradia em Santarém era de 30 mil famílias, mas foram atendidas somente 3 mil e poucas famílias. Existem outras famílias que estão morando em casas de parentes, casas alugadas e que têm direito à moradia. O que está acontecendo nesta extensiva ocupação na Bela Vista do Juá, como eles chamam, por trás da Buriti, falta o poder público tomar pé da coisa, urbanizar, legalizar o que tem que ser legalizado e exigir o respeito à área de proteção, pois ali tem uma APA. Então,  o poder público está se omitindo e aí, as pessoas vão ocupando e junto com os ocupantes entram os invasores. Eu tenho uma ideia, de minha experiência no Santarenzinho, que quando tem uma ocupação dessa, tem os aproveitadores. Eu diria que 40% dos que entram ali têm interesse oportunistas, mas 60% estão precisando de moradia. Nós hoje que temos onde morar, fazemos uma avaliação muito simplista, dizendo que são todos invasores e vagabundos. Isso é uma crítica errada. Eu estive acompanhando ali, apoiei a ocupação da Fernando Guilhon, chamada Bela Vista do Juá. Agora, não estou apoiando o que está sendo feito depois, já é falta de responsabilidade do poder público. No caso específico da Buriti é outra situação; ali foi uma invasão, no governo da ex-prefeita Maria do Carmo, e nós levantamos a crítica e o Secretário de Meio Ambiente na época era pessoa de duplo interesse porque era parte interessada de negociar a terra. Então, se ele foi preso ou punido a gente não sabe, o que sabemos é que a Buriti foi sentenciada pela Justiça a pagar 1 milhão de reais de multa e a reflorestar, mas só que até agora não tem nada de reflorestamento na área. Por que a Justiça não coloca providência em cima daquilo? Por que a Justiça obriga agora no Urumari a fazer uma reintegração de posse? Foi feita a sentença, mas não se sabe se foi cumprida. Nesse sentido que digo, os poderes públicos (Legislativo, Executivo e Judiciário) estão deixando nossa cidade ao Deus dará e aí, quem for mais esperto está ocupando. Nossa cidade vai sendo violentada na sua estrutura urbana. Cito os bairros Santo André e Alvorada, o que se vê ali é um Deus nos acuda, é o abandono geral. Existe uma garantia de que a Embraps vem para Santarém e vai gerar emprego e renda. Isso é mentira, papo furado. Vai gerar alguns empregos e alguma renda, mas dizer que isso vai trazer desenvolvimento a Santarém é mentira. Está aí a Cargill como exemplo, qual é o desenvolvimento que Santarém ganhou com esse porto da Cargill? Já estive lá e ninguém soube me responder qual foi o desenvolvimento que eles trouxeram para nossa cidade. Desenvolvimento significa melhoria da qualidade da vida da maioria da população. Isso vai acontecer também com o porto da Embraps. São essas questões que nós como pessoas mais sensíveis, da Comissão de Justiça e Paz, temos que ter o dever, assim como a imprensa, para colocar isso em discussão para a população saber o que será necessário e bom para a cidade, para melhorar a qualidade de vida desse povo”, declarou Padre Edilberto Sena.

Nossa reportagem falou ao religioso sobre vários focos de incêndios que são verificados na área do Juá e ninguém se manifesta sobre isso, inclusive os ambientalistas. Padre Edilberto falou: “O que é um ambientalista? Todos nós somos ambientalistas e defendemos a nossa casa e o ambiente. Estou jogando a responsabilidade em cima do poder público e da Justiça, para que verifiquem esse fogo. Por que não vão lá investigar? Usar a Polícia para agir se for necessário. Eu não me considero um ambientalista, me considero um cidadão da Amazônia, que se preocupa com a natureza, da floresta, os rios e, acima de tudo, com os seres humanos. Neste sentido eu sou um amazônida, mas inclui também a defesa do meio ambiente. Então, quando nós fomos defender o Juá, nós estávamos defendendo um patrimônio de nosso Município, que foi violentado pela destruição provocada pela empresa Buriti e depois pelo “Minha Casa, Minha Vida”, quando eles irresponsavelmente fizeram um canal para jogar enxurrada para cair no Lago do Juá. Reparem como a falta de seriedade com a urbanização e com as populações da cidade. É isso que eu critico, o que fazem na minha terra e me preocupa como cidadão. Não é porque eu sou ‘cri-cri’, sou um cidadão que me preocupo com o bem comum de nossa população”, enfatizou.

Padre Edilberto Sena concluiu sua entrevista dizendo que nesta semana Santarém está promovendo a atualização do Plano Diretor do Município. Isso implica que nós cidadãos participemos da audiência que vai acontecer e digamos ao servidor público (Secretário de Planejamento, Prefeito, funcionário público municipal), que eles estão a serviço da nossa convivência na cidade. O Plano Diretor deve priorizar o cuidado com o ser humano dessa cidade, não priorizar empregos e rendas de empresas que chegam de fora para usufruir de nossa posição geográfica de nossa cidade que tem dois rios lindos, que abrem espaços para navegação de grande porte. Nós temos que nos preocupar primeiramente com o bem estar da população de Santarém”, finalizou Padre Edilberto Sena.

FIQUE POR DENTRO: Em janeiro de 2016, o empresário Pedro Riva esteve em nossa redação e concedeu entrevista. Na ocasião, Pedro Rivas disse que a Embraps vem para somar com Santarém e Região. Natural do Rio Grande do Sul, formado em Economia, Pedro Riva sempre teve em mente, que o trabalho e a dedicação o fariam fazer a diferença na vida de seus familiares e das pessoas de um modo em geral.

Quatro anos após concluir do Curso de Economia, mudou-se para o município de Sorriso, no estado do Mato Grosso, onde iniciou o trabalho como produtor rural. Primeiro plantou arroz e depois soja. Posteriormente, investiu na criação de gado. Hoje apesar de manter a propriedade rural em Sorriso, também atua como empresário do ramo imobiliário. Em 2003 resolveu percorrer a BR 163 até Santarém. Naquela época, Pedro observou que apenas o Porto Graneleiro da Multinacional não seria suficiente para atender a demanda. No ano de 2012 resolveu constituir no Município, a Empresa Brasileira de Portos de Santarém (Embraps).

“Nós estamos falando há 38 anos, sobre a importância da BR 163 e do Porto em Santarém. Conheci Santarém em 2003, e percebi que o Porto da CDP e o Porto da Cargill seriam insuficientes para atender à demanda da região Norte do País, com Mato Grosso. Neste período, começamos a cobrar do Governo Federal, em várias ocasiões, a implantação da pavimentação da BR 163, e com isso também a instalação de um porto em Santarém com qualidade. Depois de várias reuniões em Brasília, com o Ministério dos Transportes, Ministério de Portos e Agência Nacional de Transporte Aquático (Antaq), recebemos a autorização para procurar em Santarém, um local para instalação de um Porto Privado. Iniciamos os trabalhos, procurando a Faculdade Naval de Belém, que são os nossos condutores do projeto, os técnicos e engenheiros da Faculdade, iniciaram os trabalhos em 2012, elaborando todos os estudos. Depois foi elaborado o projeto conceitual, e hoje nós estamos concluindo já o projeto estrutural de implantação do terminal e os estudos ambientais, que também foram conduzidos pela Faculdade Naval de Belém. Então, o que nos trouxe a Santarém foi a necessidade de melhorar a logística da saída do grão, principalmente para exportação do País. Porque o porto de Paranaguá está 2.150 km da base de Sorriso-MT. Santarém está a 1.350 km. Então, são 800 km de rodovia, que contabilizando ida e volta trazem uma redução de 1.600 km. Desta forma, o Custo Brasil será reduzido, aumentando a competitividade das exportações brasileiras. Se a gente correr atrás de fato, planejar e implantar esse novo terminal aqui em Santarém irá contribuir e trazer mais dinâmica para economia do País”, informou Pedro Riva, na época.

“A Embraps é genuinamente santarena. Ela foi criada e constituída em Santarém, no dia 29 de fevereiro de 2012. As pessoas e os bairros do entorno aonde a gente vem trabalhando, comunicando o empreendimento, percebemos a receptividade, tanto da parte pública, como das pessoas, que valorizam a construção deste Porto Privado. Não é uma multinacional, somos cidadãos brasileiros, trabalhadores, lutadores e com o objetivo de que as coisas mudem para melhor, para o nosso País e para nosso povo. Então, nós viemos somar, não viemos aqui para impactar. Nossa preocupação é com as pessoas, e por isso lutamos pela construção do anel viário, que a gente vem cobrando do poder público, para atender as demandas dos portos, porque a Embraps será o primeiro, mas virão outros com certeza. Inclusive tirando esse tráfego pesado, que hoje passa por dentro da cidade. Eu fico muito feliz, em ver tão próximo a concretização deste sonho. Passamos muitos dias e noites pensando neste projeto, junto com a equipe, hoje a equipe em Belém são 38 engenheiros e técnicos trabalhando para o projeto desde o começo. E graças a Deus, como nós obtivemos o SPU, temos a área que adquirimos primeiro as posses, depois o título, onde será implantado o terminal. Estamos recolhendo todas as taxas e impostos. Estamos chegando na reta final na conclusão da documentação e para receber as Licenças dos órgãos competentes para podermos iniciar as obras desse terminal”, observou o empresário em janeiro de 2016.

Por: Jefferson Miranda

Fonte: RG 15/O Impacto

 

3 comentários em “Padre: “Porto da Embraps não trará desenvolvimento a Santarém”

  • 22 de setembro de 2017 em 19:16
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    Sim tem grandes interesse sim!…
    O DA PASTORAL DA TERRA E DO GREEN PEACE EM TRAVAR O NOSSO DESENVOVIMENTO.
    Se não fizermos alguma coisa pra combater essa grande mentira de ong’s como GREEN PEACE e da PASTORAL DA TERRA QUE TRABALHAM JUNTOS, vamos ver emprego e geração de renda indo pra outros municípios.

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  • 22 de setembro de 2017 em 12:38
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    Ridículo! Padre com pensamento da idade média.

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  • 21 de setembro de 2017 em 21:17
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    Miritituba agradece, podem deixar todo escoamento por lá, afinal Santarém já tem empregos demais, muitas empresas e grana municipal sobrando, kkkkkkkkkk…

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