Bena Santana, uma das maiores referências do rádio santareno

Radialista diz que para a pessoa vencer na profissão, tem que ter dedicação, humildade e gostar do que faz.

Em entrevista, jornalista fala de sua carreira e aconselha quem está começando nessa área

Esta semana entrevistamos um colega de imprensa, que milita no meio do jornalismo ao longo de muitas décadas. O radialista e repórter Bena Santana, que também escreve uma coluna de esportes na edição impressa do Jornal O Impacto, concedeu entrevista exclusiva, onde fala um pouco sobre sua carreira e também desses tantos anos que atua na área. Acompanhe a entrevista:

Jornal O Impacto: Você sempre foi e é uma profissional citado pelo o excelente trabalho, pela sua seriedade e quem não lhe conhecia fisicamente e ouve muito pelo rádio hoje, agora no mundo todo você está tendo oportunidade de se apresentar. Eu pergunto: quando você começou no rádio?

Bena Santana: Primeiro, vou falar meu nome completo: Benedito José Mota Santana, tenho 59 anos de idade, eu comecei no rádio em 1977. Antes, eu joguei futebol. O atual presidente da CBF (Confederação Brasileira de futebol) Coronel Nunes, é natural do Monte Alegre, foi para Belém e entrou na Polícia Militar. Ele era o comandante da CIPM (Companhia Independente de Polícia Militar) que hoje é 3º BPM. Naquela época, ele organizou o campeonato Dente de Leite lá no campo da PM, a decisão foi Náutico e São Francisco. Eu jogava pelo Náutico, eu era o maior do time, por causa disso que eu não apanhei na decisão que foi por pênalti. O último fui eu que bati, dei um bico na bola que ela foi parar no rumo do Seminário. O Náutico perdeu o campeonato e aí também encerrei minha carreira, sem falar que nunca mais bati pênalti na minha vida. O náutico nesse tempo tinha o saudoso Sabá Bode, que era taxista do aeroporto; o Francine também ajudava o time, que também foi taxista por muito tempo; o João Picota, que tomava conta do time, era pai do Naldo Picota e do Cica. Me convidaram e eu fui jogar o campeonato amador pelo Norte Clube, mas antes eu joguei no Vasquinho, no campo do Veterano, onde hoje é o Mercadão 2000; depois joguei no amador pelo Náutico, Norte Clube e América. Mas minha mãe disse que eu tinha que estudar. Estudei primeiro no Colégio Aparecida, que era o primário; depois fui para o Rodrigues dos Santos, onde meu irmão Bernardo era o diretor, mesmo assim ele não perdoou e um dia me suspender. A gente morava junto na Borges Leal, casa de número 1918. Na ocasião, eu falei para o Bernardo: ´Rapaz, eu vou contar para mamãe quando chegar lá em casa`. Ele disse: ´Pode contar, não interessa. Pode sair da sala`. Eu sai, tive que obedecer. Aprendi muito com ele. Não se faz hoje mais professor como o Bernardo, Mariana. Daí eu fui para a Rádio Clube e foi exatamente o Almir Calderaro, que morava ao lado de casa, que me convidou. Ele sabia que eu escutava rádio todo dia, de madrugada escutava muito rádio de fora e aí ele disse: ´Rapaz, você quer trabalhar?`. Ele era operador de som e eu fui para a Rádio Clube em 1977, que funcionava ali na Galdino Veloso.

Jornal O Impacto: E aí tudo começou, você entrou na área esportiva?

Bena Santana: Eu fui para Rádio Clube e no ano seguinte, em 1978, fui para a Rádio Rural para atuar na área esportiva. Começaram a me convidar para viajar com o time comandado pelo Anadir Brito, era o Escrete do Rádio. Um certo dia me disseram para eu fazer um teste de locutor, pois achavam que a Rádio Rural iria me contratar. O Manoel Dutra era o gerente da Rádio Rural, que era composta por gente especial, como Campos Filho, Olímpio Guarany, Osvaldo de Andrade. Eles disseram: ´O teste é aqui, veja o que você faz em 5 minutos. Fala alguma coisa que o Dutra vai avaliar. Faz duas notícias de futebol`. Então, eu falei: ´O Clube do Remo treinou hoje à tarde no estádio Evandro Almeida, se preparando para seu próximo compromisso pela Taça do Brasil`, que naquele tempo era o Campeonato Nacional. Aí fiz outro: ´O São Francisco treina no estádio Elinaldo Barbosa, se preparando para seu próximo compromisso`. Aí, eles disseram: ´Esse moleque é bom, esse moleque vai longe!´. Graças a Deus, deu tudo certo..

Jornal O Impacto: Então, sua trajetória começou na Rádio Clube, depois Rádio Rural, Rádio Tropical, Rádio Guarany e hoje está na Rádio 94 FM?

Bena Santana: No Sistema Tapajós de Comunicação estou muito satisfeito. Por sinal, quero agradecer pela confiança. O sistema lá é assim: o Nelson Mota toma conta da rádio e a Tatiane Lobato é geral. Trabalha todo mundo junto. Eu trabalho na rádio, mas qualquer informação a gente passa para o Sistema e vai para a TV. Quando eu fui para a Rádio Tropical, que hoje é a Rádio Clube do Tapajós, quase toda equipe da Rádio Rural praticamente foi contratada pelo saudoso Ubaldo Corrêa, que estava lá com o Rui Correa. Foi show de bola. Depois, passei pela Rádio Guarany, onde trabalhei com muita satisfação e sempre fui bem tratado, não tenho do que reclamar.

Jornal O Impacto: Durante todo esse período que você está no rádio, você se inspirou em algum locutor de fora?

Bena Santana: Eu sempre gostei de ouvir rádio. Eu ouvia muito a Rádio Clube do Pará, as narrações do Cláudio Guimarães, Zaire Filho, do Thadeu Matos, da Super Marajuara de Belém do Pará, do Diógenes Tavares, tinha o Neca já falecido que era da Liberal. Aqui na área de Santarém, tinha o Dário Tavares, excelente narrador esportivo, sempre acompanhei nosso colega Jota Parente e a torcida sacudindo o estádio Elinaldo Barbosa lotado. Eu tenho imagem até hoje do Elinaldo Barbosa, a gente trabalhando no gramado. Eu não esqueço nunca o Osvaldo de Andrade narrando o jogo e eu trabalhando no gramado. Eu também não esqueço do dia que o São Raimundo ganhou o Campeonato Brasileiro, do Macaé; na hora do segundo gol eu estava atrás da trave; para mim a impressão é que aquele estádio ia desabar. Então, são coisas que a gente se inspira e recorda realmente.

Jornal O Impacto: Você tem em sua trajetória algum fato que poderia destacar, envolvendo alguns profissionais, pode ser do lado pitoresco ou do lado sério?

Bena Santana: Têm vários. O nosso saudoso Pedrinho Moreira fez uma comigo, disse que eu vim do Tucumanduba, que na verdade eu não nasci em Tucumanduba, eu nasci em Santarém, mas tenho orgulho de dizer que eu me considero de lá. Todos nós nascemos ali na Avenida Borges Leal. O Pedrinho disse que eu vindo do Tucumanduba pra ser jogador de futebol e o Ailton, que é pastor evangélico agora, veio pra ser exatamente locutor. Eu virei locutor e o Ailton virou jogador de futebol. Essa do teste de rádio, foi o teste do Ailton, já falaram que ele nega, mas o Parente me contou que realmente ele mandou fazer o teste: ´Olha, para passar na rádio faz o teste. Lê essa notícia aqui`. Aí, o Ailton, estava no tempo da guerra do Irã, leu uma notícia: ´Atenção, o AEUA ataca o Irã`. Rapaz, mas como que o AEUA ataca o Irã? Era Estados Unidos da América ataca o Irã. O Pedrinho Moreira que inventou do Ailton e não é verdade, era brincadeira. O saudoso e querido Pedrinho Moreira era uma figura, que representa muitas saudades depois que nos deixou.

“O futebol do passado deixou muita saudade, a torcida vibrava no estádio Elinaldo Barbosa. Hoje, a gente vai para o estádio e não vê mais isso”

Jornal O Impacto: Você pode fazer uma análise, pela sua experiência e pelo seu trabalho, comparando o futebol santareno na época que você começou, no antigo estádio Elinaldo Barbosa e a época de hoje. A atual praça de esportes é diferente?

Bena Santana: Muitas saudades daquele tempo. Eu te confesso que hoje apesar do esforço de alguns diretores, a gente observa muita falta de organização, tanto no clube como na própria estrutura, pois muita gente só entra por interesse. Realmente, aquela época deixou muita saudade, a torcida vibrando no Elinaldo Barbosa, o horário era respeitado e o torcedor ia para o estádio tranqüilo. Hoje, a gente vai para o estádio, mas observamos muita coisa a desejar. O jogo entre Tapajós e São Francisco, a parte técnica só foi melhorar no segundo tempo, mas inicialmente foi um jogo muito travado. Às vezes a gente vê que o árbitro tem que ter pulso. Então, eu acho que naquele tempo era mais alegre, muito embora a gente observa, hoje, o esforço de algumas pessoas. Eu lembro quando terminou a Copa do Mundo, o Galvão Bueno falou uma verdade e o Casagrande endossou, depois todo mundo da Globo acabou concordando: Arrogância no futebol, muitas vezes se coloca arrogância e orgulho na frente e deixa o futebol de lado. Por exemplo, apesar de ser um cara bacana, eu achei o Tite assim. Igual o treinador do São Raimundo na última temporada, que foi bem no Campeonato Paraense, mas quando chegou no Campeonato Brasileiro deu uma subida para sua cabeça. O Tite nas últimas partidas eu acho que ele vacilou. O time vinha bem nas eliminatórias, mas parece que aquela empolgação, de não dá entrevista, você não fala com ninguém, essas coisas todas vão influenciando e acabam atingindo lá no ponto.

Jornal O Impacto: Vamos falar um pouco de carnaval. Você tem o lado carnavalesco, participou de vários carnavais não só trabalhando, mas como também brincante?

Bena Santana: Eu brinquei no Bloco da Pulga, brinquei em vários blocos de Santarém e até hoje eu acompanho tudo isso. Eu sempre gostei do desfile ali na Barão do Rio Branco. Para mim, o carnaval santareno a partir do momento que saiu da Barão do Rio Branco deu uma parada. Não me entra o carnaval ali na orla da cidade, parece que é sem graça. Depois que saiu da Barão eu acho que onde foi melhor foi quando colocaram aquele ano na Silva Jardim, descendo A Seminfra. Na orla é sem graça, não faz você vibrar. Eu brinquei no Sobreviventes dos Buracos de Santarém, e quem tomava conta era o médico Everaldinho, junto com o Milton Peloso, Paulo Gasolina. O Edinaldo Mota trabalhava na Rádio Rural, chegou e disse: ´Parente, não escala o Bena, que ele vai sair no bloco, ele gosta do carnaval, não tem que trabalhar`. Só que depois o Parente disse: ´Rapaz, é mesmo. Era para ter deixado o Bena brincar`. Eu falei com o Parente e ele caiu na risada. Aí eu fui escalado e tive que trabalhar, mas eu abri bacana: ´Boa tarde torcedor, ai eu apaguei no domingo de carnaval. Não consegui abrir a porta da sala, porque era uma chave americana, o Dom Thiago que trouxe dos Estados Unidos, praticamente só ele que atendia o Dutra, que era o gerente. Não teve jeito, só sai da sala quando o Manoel Dutra chegou, por volta das seis horas da tarde. O Dutra perguntou: ´Bena, o que houve ai?`. Eu disse: ´Rapaz, estava cansado e eu dormi`. O Dutra respondeu: ´Então, vai para casa descansar, vai completar o sono e quarta-feira de cinzas tu volta para trabalhar`. Quando eu sai da Rádio Rural ia passando bem perto do cemitério o Bloco Sobrevivente dos Buracos de Santarém, eu entrei logo no bloco e fui embora. Não demorou uns 15 minutos, o Santino Soares estava trabalhando com o Edinaldo Mota no palanque na Barão com a Mendonça, virou e disse: ´Mota, aquele não é o Bena que vai ali no meio do bloco? `. O Mota respondeu: ´É ele mesmo`. Eu já estava descendo no bloco, mas até hoje o Dutra não me suspendeu, me pagou direitinho e ainda me deu uma gratificação, deu um aumento. Acompanhe a entrevista na integra na TV Impacto em www.oimpacto.com.br

Jornal O Impacto: Vamos falar um pouco da família, você é casado e tem filhos?

Bena Santana: Eu tenho três filhos. O Breno que é mais velho, está casado com a enfermeira Taianaque e tem dois filhos. Meu segundo filho é o Lucas, que se formou no ano passado em Engenharia Florestal pela Ufopa e ele está fazendo mestrado em Lavras (Minas Gerais). Se Deus quiser, termina em fevereiro e o projeto dele é voltar e trabalhar nessa área que escolheu aqui em Santarém. Tem o último, o menor que é o Rafael, de 13 anos,. Ele é grandão, tem um pouco de autismo, estuda na Escola Fluminense. Por sinal eu quero fazer essa colocação aqui, a Escola Fluminense hoje é uma referência nesse tipo de ensinamento. Se você conversar com Rafael hoje, não vai observar praticamente nada. Ele estuda, desenha, bate-papo, já deu entrevista até para a TV Tapajós. Eu só queria agradecer a dedicação das professoras, da diretora do Fluminense, pelo trabalho que eles estão fazendo, não apenas com o meu filho, mas é um trabalho muito importante. Já dei uma camisa do Botafogo para ele, também.

Jornal O Impacto: Para terminar, você como um profissional da área de jornalismo, rádio e televisão, qual o conselho que você dá para os jovens que estão começando agora nessa área?

Bena Santana: No sábado passado, eu e o Oti Santos estivemos lá na UNAMA, era a gincana dos estudantes do curso de Direito dessa Faculdade. Eu falei de um lado e o Oti falou de outro lado, a respeito disso. Eram duas equipes, falamos a questão como era naquele tempo os direitos que a gente tinha, o que você podia fazer e o que você não podia fazer. Foi muito bacana. Eu sempre tenho falado nas outras universidades, também, que convidam a gente. Sempre estou disposto a ajudar com minha experiência. Eu sempre tenho falado que a pessoa tem quer dedicação, acima de tudo, tem que gostar do que faz, ser humilde e se dedicar ao trabalho. Uma vez uns estudantes do IESPES foram comigo e batemos um papo. Eu disse: ´Meus amigos, quem acorda somente às 8 ou 8: 30 horas, pode vazar, pois não tem como atuar nessa área, não serve para quem tem preguiça`. Você tem que estar por dentro dos assuntos, tem que estar atento desde cedo. Mesmo de férias, eu estou trabalhando, tenho que estar antenado. Então, eu acho que é isso aí, dedicação, gostar do que você faz, humildade é muito importante e responsabilidade. Amanheceu, está chovendo, eu não vou trabalhar. Isso está errado. A pessoa quer saber o resultado do jogo, não interessa se está chovendo ou não. Se a pessoa matou alguém, atropelou alguém ou sofreu um acidente, o cidadão quer a informação. Eu vou dar um ponto de referência para você ficar por dentro das notícias, chama-se Garapeira Ypiranga. Vá lá, que você fica por dentro de tudo.

Por: Jefferson Miranda

Fonte: RG 15/O Impacto

Um comentário em “Bena Santana, uma das maiores referências do rádio santareno

  • 11 de outubro de 2018 em 08:11
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    Tenho a honra e o prazer de conhecer esse Grande Profissional que enaltece o Rádio Santareno, dos áureos tempos em que jogar pelada no campinho improvisado, atrás do hoje estádio panterão era uma farra para os meninos do bairro de Aparecida, entre eles: os saudosos Jorginho sujeira, Buião, Riva e Manguito; além de saúba, machico, tupamaro, nelinho, cica, Dênis, pisca, mergulhão, etc.; molecada que como o Grande Radialista, jogávamos também, nossas peladas no Coritiba do Seu Canhoto, éramos, todos garotos, hoje, pais e avôs, honramos nossas profissões dando o melhor para a sociedade de Santarém, a exemplo dessa fera do Rádio do Oeste do Pará.
    Bons tempos aqueles meu Caro Bena Santana!

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