Novais é 5º ministro a deixar governo Dilma‏

A saída do ministro do Turismo abalou o PMDB. Novais foi o terceiro peemedebista a deixar o governo

O Palácio do Planalto confirmou a demissão do ministro do Turismo, Pedro Novais, 81, na noite de ontem. Novais foi o quinto ministro a deixar o governo desde junho.

Acompanhado do vice-presidente, Michel Temer, Novais foi ao gabinete da presidente Dilma Rousseff, no início da noite de ontem, para entregar a carta de demissão. Ele permaneceu apenas cinco minutos na sala. Deixou o local pelo elevador ministerial.

“Cumpro o dever de pedir-lhe minha exoneração do cargo de ministro de Estado do Turismo, para o qual fui honrosamente nomeado por V. Exa. Aproveito o ensejo para externar-lhe meus protestos de elevada consideração e respeito”, diz a carta.

Mais cedo o ex-ministro esteve reunido com o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Henrique Alves, que teria pedido para que ele refletisse sobre o seu desgaste na Pasta e do PMDB.

Alves afirmou que Novais irá responder a todas as denúncias, mas preferiu deixar o cargo porque o processo “vai demandar aborrecimentos, constrangimentos e tempo”, e ele não queria penalizar o Ministério.

Denúncias

A situação de Pedro Novais ficou insustentável com as últimas revelações de que ele pagou com dinheiro público o salário de sua governanta por sete anos e a de que sua mulher usa irregularmente um funcionário da Câmara dos Deputados como motorista particular. Ele estava em situação delicada desde o começo de agosto quando uma operação da Polícia Federal prendeu 37 pessoas, incluindo o então secretário-executivo do Ministério do Turismo, Frederico Costa.

Logo após a sua nomeação, em dezembro de 2010, foi revelado que Novais usou R$ 2.156 da sua cota parlamentar para pagar despesas de um motel em São Luís, em junho de 2010.

No mesmo mês, novas investigações mostraram que ele foi flagrado em escutas da Polícia Federal pedindo ao empresário Fernando Sarney que beneficiasse um aliado na Justiça Federal.

Com a saída de Novais, são quatro os ministros que deixaram o governo sob denúncias de irregularidades após quase nove meses do mandato de Dilma. Antes dele, pediram demissão Antonio Palocci (Casa Civil), por suposto enriquecimento ilícito; Alfredo Nascimento (Transportes), após suspeitas de superfaturamento em obras de rodovias; e Wagner Rossi (Agricultura), que usou jatinho de uma empresa privada que tinha contratos com a Pasta. Nelson Jobim saiu da Defesa após a crise política motivada por declarações de que as colegas Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil) eram “fraquinhas”.

Faxina

O líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Duarte Nogueira (SP), afirmou que a saída de Novais é uma prova de que a faxina de Dilma é marketing.

“A permanência do ministro no cargo, que já estava complicada depois da prisão de 38 pessoas, foi se agravando com a enxurrada de denúncias envolvendo convênios e contratos e se tornou insustentável nos últimos dias. Todo esse processo durou mais de um mês, o que demonstra que a faxina da presidente Dilma não é para valer”, disse o tucano, defendendo a continuidade das investigações após a saída de Novais.

O líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), afirmou que a queda não encerra a apuração de denúncias. “Essa armadilha montada no Turismo para desviar dinheiro público precisa ser desarmada”, disse, defendendo a abertura de uma CPI da Corrupção no Congresso. O deputado também quer que a Procuradoria Geral da República apure a conduta do ministro.

Segundo ele, o PPS estuda, com outros partidos da oposição, pedir no Conselho de Ética da Câmara a cassação do mandato de Pedro Novais, que retorna a Casa após saída do Ministério.

ACUSAÇÕES

Escutas

Novais foi flagrado em escutas da Polícia Federal pedindo ao empresário Fernando Sarney que beneficiasse um aliado na Justiça Eleitoral

Despesas de Motel

Logo após sua nomeação, Novais usou R$ 2.156 da cota parlamentar para pagar despesas de um motel em São Luís, em junho de 2010

Desvios em Pasta

Operação da PF contra desvios de recursos do Turismo prendeu oito integrantes do Ministério, entre eles o número dois de Novais, Frederico Costa

Empreiteira

Denúncia divulgada no mês passado revela que, quando deputado, Novais destinou R$ 1 milhão do Turismo para uma obra que será executada por uma empreiteira de fachada em Barra da Costa, no Maranhão

Obras irregulares

O Ministério do Turismo gastou R$ 351,7 milhões nos últimos dois anos em obras que nada têm a ver com o setor: drenagem, esgotamento sanitário, praças e pontes

Funcionários

Novais usou verba público para bancar o salário da governanta, entre 2003 e 2010. A mulher dele usa irregularmente um funcionário da Câmara como motorista particular

NOVO TITULAR

PMDB oferece 79 candidatos à substituição de ministro

Brasília. A bancada do PMDB na Câmara decidiu ontem que a presidente Dilma Rousseff escolherá entre os 79 deputados que integram a legenda na Casa quem será o substituto de Pedro Novais no Ministério do Turismo. A decisão foi confirmada pelo líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). Apesar de especulações de que o novo titular seria definido ontem, até as 23 horas não havia anúncio oficial. A expectativa é de que seja o deputado Gastão Vieira (PMDB-MA).

O líder do PMDB na Câmara disse que a presidente deixou a cargo do partido a escolha do novo ministro. “O vice-presidente Michel me pediu que, diante das circunstâncias, ele achava que oferecêssemos alternativas”, afirmou ele.

“Qualquer nome que ela escolher terá a nossa aprovação. Será merecedor do apoio da bancada do PMDB. O compromisso claro da presidente é a escolha de um deputado da bancada. Acho que o nome sai até amanhã (hoje)”, afirmou o líder do PMDB na Câmara.

Alves disse que conversou com alguns deputados federais para tomar a decisão. A lista com todos os nomes dos deputados foi levada à Dilma pelo vice-presidente Michel Temer. Entre os peemedebistas, os nomes mais defendidos para o cargo são os de Manoel Junior (PB) e Marcelo de Castro (PI).

Fonte: Diário do Nordeste

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