MILTON CORRÊA

Círio a fé que move a multidão 

A multidão católica de Santarém e da região do futuro estado do Tapajós, movida pela fé se reúne neste domingo, 27/11, em torno de Nossa Senhora da Conceição, na caminhada do círio, que sai da Praça da Igreja de São Sebastião, com chegada em frente a Igreja Matriz, percorrendo cerca de oito quilômetros pelas Avenidas São Sebastião; Cuiabá e Tapajós.

De acordo com o site WWW.ciriodaconceição.com.br, o Círio nos moldes como é realizado nos nossos dias, começou em 1919, com isso concordam historiadores de nossa cidade. Foi neste ano que surgiu a idéia de iniciar a Festa da Padroeira com Trasladação e Círio.

O Círio, hoje, é um fenômeno que só a Fé justifica. Um turbilhão de Fé que arrasta multidões pelas ruas de Santarém.  É um mistério que só pode ser compreendido pela linguagem da Fé. Trata-se de uma paixão inexplicável, mas plenamente justificada pela graça redentora do Evangelho de Cristo que veio ao mundo redimir o homem e pôde cumprir sua missão graças ao “SIM” humilde e decisivo de Maria.

A Virgem da Conceição é, sem exagero algum, um símbolo de Unidade dos santarenos e de toda a população tapajônica,  que depositam aos pés da Mãe de Jesus, as dores, mas também as esperanças de um futuro melhor, com a criação do nosso Estado do Tapajós, que há de vir. 

Corda do Círio

Nos primeiros anos da Festa da Conceição, não existia a Corda do Círio, a mesma começou a ser utilizada a partir de 1971.

A Corda do Círio é uma espécie de ligação entre o povo e a Virgem Maria. É o momento em que milhares de fiéis se juntam na condução da mesma, prestando assim, contas de seus compromissos de fé a Virgem e agradecendo pelas graças alcançadas.

Esta condução é feita por devotos e devotas que se comprimem em um grande cordão ao redor da Imagem de Nossa Senhora da Conceição, caminham sempre com os pés descalços. 

A corda tem hoje 200 (duzentos) metros em sua extensão e nos dois últimos anos a passou a ser de cisal (fibra vegetal). Para acompanhar o Círio na Corda é necessário, antes de tudo, vitalidade.

As pessoas que disputam esta honra costumam madrugar no local de saída do Círio, onde a corda é tradicionalmente estendida.

Há dois lados distintos: os das mulheres e o dos homens, mas a maioria sempre caminha descalços.

Há quem tente aliviar o sufoco dos romeiros que seguem na Corda distribuindo água para amenizar-lhes a sede e o cansaço.

O momento mais marcante de toda essa penitência é quando a Corda chega às proximidades do Elevado da Matriz. Todos levantam e depois soltam em sinal de agradecimento por terem caminhado mais um ano no Círio com a força da fé e os cuidados da Mãe de Jesus e geralmente a corda é cortada em pequenos pedaços, todos querem levar não apenas uma recordação, mas a certeza da esperança na fé continuada, tendo um pedaço da corda em casa.

O Manto de Nossa Senhora

Não se sabe ao certo quando começou o uso do Manto da Imagem de Nossa Senhora no Círio. Sabemos que por volta do ano de 1922, o uso do Manto já era freqüente. O uso do Manto cessou em 1931, quando houve a “Troca” das Imagens no Círio.

Em 1961, retornou-se o uso do Manto na Imagem que circula até os dias atuais. Hoje não dá para se imaginar a Virgem da Conceição sem o Manto a lhe conferir a Majestade que o povo proclama nas ruas. Os Mantos, atualmente, são doados por Famílias Católicas da nossa cidade.

O Manto da Virgem da Conceição é uma relíquia que os devotos fazem questão de preservar como um dos símbolos do Círio. É natural que o povo de Deus queira que ele seja confeccionado com todo o cuidado e com o que há de melhor. Afinal, Maria é a Mãe de Jesus e de todos os que têm fé.

Guarda Jovem de Nossa Senhora

Criada em 1985, pelo Projeto Crisma da Catedral e Nossa Senhora das Graças. Hoje é coordenada pela Comissão Círio e Berlinda em parceria com os coordenadores dos diversos grupos de jovens da Diocese de Santarém.

É uma grande corda humana, formada por jovens que tem a função de “amortecer” a Corda Oficial e também dar oportunidade da juventude de manter a fé na Virgem em evidência. 

História

De um modo geral, a história das principais cidades do nosso Estado está intimamente ligada à história da Igreja Católica.

Em 22 de junho de 1661, quando o Padre João Felipe Bettendorf fundou a Missão de Nossa Senhora da Conceição dos Tapajós, núcleo da cidade de Santarém, começava não só a história de nossa cidade, mas também a história da Igreja em Santarém.

Em 22 de Abril de 1757, o Bispo da Diocese  de Belém, Dom Frei Miguel de Bulhões, antecedeu-se à criação das vilas e extinguiu, à protencional da Virgem.

Foi nomeado Pároco o Padre Francisco Xavier Eleutério. Sua própria vontade, a Missão de Nossa Senhora da Conceição dos Tapajós e erigiu-a Paróquia, mantendo a mesma designação.

(Do Programa da Festa de 1997

P/ Pe. Sidney Augusto Canto)

Por: Milton Corrêa

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