Aprovação de licença da Cargill provoca polêmica em Santarém

Terminal graneleiro da Cargill

A licença definitiva de instalação e expansão do terminal graneleiro da Cargill, no porto de Santarém, aprovado pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente (Coema), e divulgado na última sexta-feira, dia 13, provocou reação negativa entre integrantes de movimentos sociais do Oeste do Pará. Uma nota distribuída na segunda-feira, (16/07) indica a disposição dos grupos sociais em contestar a decisão do Coema.

Por outro lado, informação ainda não confirmada indica que, nos próximos dias, a Associação Comercial e Empresarial de Santarém realizará uma sessão festiva em comemoração à conquista da licença ambiental pelo porto da multinacional. Ocorre que o porto da multinacional norte-americana continua sub judice na Justiça Federal, e o EIA RIMA, produzido pela empresa CPEA para a Cargill foi denunciado como fraudulento.

Eis a nota que foi divulgada: “A Associação das Mulheres Domésticas de Santarém (AMDS); a Comissão Pastoral da Terra (CPT); a Federação das Organizações Quilombolas de Santarém (FOQS); a Frente em Defesa da Amazônia (FDA); o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santarém (STTR); Comissão Diocesana de Justiça e Paz – Santarém e a União dos Estudantes de Ensino Superior de Santarém (UES), organizações sociais situadas no município de Santarém/PA, vêm, repudiar os últimos acontecimentos relativos ao licenciamento da empresa multinacional Cargill Agrícola S.A, detentora de uma história de ilegalidades, fraudes e violações de direitos, além dos efeitos danosos, com a expansão do agronegócio nessa nova fronteira agrícola do oeste paraense”, diz a nota que foi divulgada. Seguindo, analisando que: “ A Cargill Agrícola S.A., multinacional com sede nos Estados Unidos, tem como principal área de atuação o comércio internacional de grãos e, no Brasil, é a principal exportadora de soja. Com a valorização excepcional do preço e o crescimento por demanda no mercado internacional no fim da década de 90 e durante a década seguinte, a soja tornou mais atrativa para o cultivo”, A nota transcrita em partes, analisa o perfil da Cargill como vilã na questão do Meio Ambiente: “ Ocorre que, por conta do esgotamento de terras nas regiões centro e sul, buscaram-se novas áreas de plantio. A Amazônia e todo seu território apareceram, assim, como fronteira agrícola a ser conquistada. Eis o script da inserção da soja e da Cargill no oeste paraense.

Com a alta do preço da soja no mercado internacional e a procura pela diminuição dos custos, a instalação da Cargill no porto da Companhia das Docas do Pará em Santarém, em 1999, caiu como uma luva aos interesses dos sojicultores. Com o porto graneleiro, haveria como escoar a produção do Mato Grosso (maior estado produtor de soja), assim como viabilizaria a expansão da fronteira agrícola do agronegócio no interior da Amazônia, uma vez que a Cargill apoia financeiramente os produtores.

Quando a população tomou conta da instalação do empreendimento (o leilão da concessão da área da CDP e os bastidores políticos sobre a sua instalação aconteceram no “escuro”) também surgiram as reações sociais, ambientais e jurídicas.

Foi-se a praia da Vera-Paz, a única praia de acesso à maioria da população, patrimônio sociocultural da cidade, agora só viva nas canções, poesias e fotos. Privatizou-se parte do rio Tapajós em frente à cidade. Edificou-se o empreendimento em cima de sítios arqueológicos com registro de 12 mil anos. Os conflitos sociais, ameaças à lideranças e aos contrários a presença da soja, aumento dos bairros periféricos, envenenamento de igarapés com agrotóxicos, comunidades inteiras sumiram do mapa para dar lugar ao progresso, entre outros, foram acontecendo.

As leis também foram abandonadas em favor do progresso. A Constituição Federal foi simplesmente esquecida durante a implantação do empreendimento. O Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (EIA/RIMA), necessário para empreendimentos dessa magnitude, não foi sequer realizado. Como se sabe, o mundo dos fatos não tomou conhecimento do mundo jurídico. Com uma série de recursos, liminares e mandados de segurança, a força política, jurídica e econômica do agronegócio, figurada na Cargill, tornou-se fato consumado. Com o empreendimento já construído e em pleno funcionamento, e quase 8 anos após o ingresso das ações, a Justiça resolve, finalmente, obrigar a Cargill Agrícola S.A. a realizar o EIA/RIMA. Enquanto não se cumpria as leis ambientais, o empreendimento deveria ser paralisado, o que foi derrubado por outro mandado de segurança.

Quando finalmente os estudos ficaram prontos e puderam ser apresentados e discutidos com a sociedade em sede de audiência pública todos foram surpreendidos com as denúncias e provas de fraude no EIA/RIMA feitas por técnicos desse digno órgão ministerial e outros atores participantes, consistentes ora no falseamento de dados bibliográficos, ora em sua manipulação, ora em sua omissão. Ato contínuo, o MPE/PA, ali presente por meio de sua representante, anunciou a todos que ao término do ato se dirigiria à Delegacia de Polícia Civil para providenciar a instauração de inquérito policial para apuração do fato. No mesmo sentido da opinião manifestada pela Polícia Civil, também na visão das entidades subscreventes, não poderia ser outra a conclusão, diante da demonstração cabal, pelos técnicos do Ministério Público, na presença de centenas de pessoas, dos erros, omissões, contradições e, principalmente, manipulações de dados bibliográficos pela empresa Consultoria Paulista de Estudos Ambientais Ltda. (CPEA) em favor da Cargill Agrícola S/A. Enfim, não é difícil perceber que o real objetivo do estudo sempre foi o de “construir” um cenário favorável às pretensões da empresa Cargill.

No entanto, tempos depois, todos fomos surpreendidos ao saber que a denúncia havia sido proposta, porém, imputando crime culposo, a título de mera negligência, à empresa CPEA e a seu Diretor, responsáveis pela elaboração do EIA/RIMA fraudulento, sem qualquer explicação desse entendimento à coletividade vítima do crime praticado e sem qualquer indicação de crime por parte da Cargill. E mais: havia sido marcada uma audiência extraordinária para propor a suspensão condicional do processo ao réu. Um simples “acordo” para arquivar mais uma ilegalidade da empresa.

Nós, propomos então ao MPE/PA, entre outras coisas, a inclusão da empresa Cargill como ré no processo-crime, a alteração da tipificação penal, ou, caso o contrário, que a suspensão do processo fosse condicionada à elaboração de outro EIA/RIMA, dessa vez com dados verdadeiros e conclusões sérias, para que fossem respeitados os direitos de informação e participação da sociedade civil no processo de licenciamento ambiental.

Tentamos por diversas vezes marcar uma reunião com os representantes do Ministério Público do Estado do Pará, para rediscutir os termos da denúncia oferecida, inclusive com o oferecimento de novas provas, mas sem sucesso. O que há de concreto e objetivo nisso tudo é uma série ofícios com pedidos de designação da aludida reunião, todos eles infrutíferos.

Ao contrário do que possa alguém imaginar, as entidades signatárias veem o Ministério Público um aliado político e um defensor das causas públicas e coletivas. Todo esse esforço é animado única e exclusivamente pela vontade de respaldar o MPE/PA para que desenvolva sua função constitucional com maior coragem e galhardia, fazendo valer sua independência, fortemente ancorado na realidade fática dos conflitos socioambientais existentes em nossa região.

Além disso, lutamos por nossos direitos com insistência por termos a convicção de que seremos nós, mulheres, estudantes, agricultores familiares, quilombolas, comunidades pastorais e cidadãos comuns, os principais prejudicados pelos danos advindos de uma atuação ministerial inadequada nesse caso de extrema relevância e risco. A questão da Cargill é urgente e de interesse público dos povos da Amazônia e não somente desse órgão ministerial. Não podemos mais esperar!”.

A nota termina com assinatura das associações que se mantêm contra a decisão do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Coema), em aprovar a licença definitiva de instalação e expansão do terminal graneleiro da Cargill, no porto de Santarém.

Por Carlos Cruz

9 comentários em “Aprovação de licença da Cargill provoca polêmica em Santarém

  • 24 de julho de 2012 em 17:19
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    Parabéns ao COOEMA e ao Governo do Pará pela liberação da licença a Cargil, agora é esperar o desenvolvimento para santarém, o certo é dizer não a esse grito de entidades em defesa do cabresto do povo. Ja chega, vão rezar seus idiotas.

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  • 24 de julho de 2012 em 14:54
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    Tirando o STTR, os demais \”movimentos\” contribuem muito com empregos para a população santarena para serem contra uma decisão que poderá melhorar a vida da população. O que está feito esta feito, tem de ser impedido antes, Santarem precisa de industrias e tudo mais que traga progresso para tirar essa linda cidade do atrazo e pobreza que vive.

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  • 24 de julho de 2012 em 13:05
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    Parabéns a todos os órgãos que foram favoráveis a Cargill, pois chega de ficar sobrevivendo como índios, Santarém precisa desenvolver, exportar e com isso ter mais recursos e empregos para população!!

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  • 24 de julho de 2012 em 11:33
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    Parabens Santarém!!!Até que enfim a luz no fim do tunel, com esse empreendimento a região vai começar o desemvolvimento necessário para sair do fundo do poço. Vejam o exemplo da maioria dos paises africanos que estão conservando a natureza e o povo morrendo de fome, falta de agua, falta de hospitais, falta de remedios e falta de tecnologia, então conservar para o atraso da população é coisa do passado. Para nós que passamos nossa infancia e parte da juventude em Santarém, quando voltamos hoje a decepção é muito grande, a cidade certamente esta mais feia, suja e pouco desemvolvida. A Santarém que tanto amamos não merece este atraso. Vamos em frete santarenos!!!

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  • 23 de julho de 2012 em 09:38
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    O q esses fdp tem q fazer é trabalhar e não ficar falando hipocrisia e merda. quem conhece Stm sabe q a cidade precisa de desenvolvimento.

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  • 21 de julho de 2012 em 22:20
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    Parabéns os orgãos que foram favorável a Cargill Agrícola, isso é desenvolvimento para Santarém.Agora, Santarém está na Rota da exportações, do agronegocio.

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  • 21 de julho de 2012 em 13:28
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    Eu parabenizo o COEMA pela aprovação da Licenças para a operação do Porto da Cargil em Santarem. Com isso, nossa região vai melhorar suas atidades de expotaçao dos produtos agricolas produzidos na região. Por outro lado, eu repudio a nota publicada pelos movimentos sociais, cujo integrantes sao uns bandos de desocupados e retogrados que passam o dia todo fazendo manifestaçoes nas ruas, enchendo os sacos das pessoas que gostam de trabalhar e melhorar de vida. Imagino que esses movitos sociais de Santarem sao semelhantes os daquid e Altamira, um grupo pequenos de pessoas retrogádas e preguiçosas.

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  • 21 de julho de 2012 em 08:24
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    A hipocrisia é gritante. Porque todos esses mecanismos ( Associações ) não dizem em que serão prejudicadas ?. O Ministerio Publico bem que poderia investigar as verdadeiras intenções desses cidadãos tão imbuidos em travar o progresso de nossa Santarém já tão penalisada por maus gestores. A essas pessoas que se dizem ambientalistas, bem que o Ministerio Publico poderia passa-los em pente fino para saber suas origens, se respondem processos na justiça, enfim, mapear a todos os que se dizem prejudicados com o progresso de nossa Região. Essas facções na verdade so prestam para acusar e denegrie a imagem de cidadãos e Empresas que aqui se instalam, pois vivem às custas de ignorantes que militam nessas fantasiosas associações por eles criadas. Como não precisam trabalhar, pois so sabem viver tripuidiando os não esclarecidos, criam todo tipo de boatos a respeito dos empreendimentos aqui instalados. Como o Governo lhes dá asas, suas calúnias viram verdades para os seus incautos comandados.

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  • 21 de julho de 2012 em 08:09
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    Acredito que o local escolhido para a instalação dessa empresa, foi muito prejudicial para a população Santarena, os políticos da epoca, não levaram em consideração esse fator. Porém, agora é muito tarde para querer reverter essa situação, Santarem precisa urgentemente, de industrias e empresas que venham e que possam gerar empregos e rendas, essa briga com a Cargil só está prejudicando o desenvolvimento da região.

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