Tudo igual outra vez

Uma estimada amiga me telefona de Maceió perguntado-me qual a programação do Carnaval de salão Santareno, para os últimos dias, ou seja, para a verdadeira quadra momesca. Citando-me alguns deles, como Baile dos Quadrados, no Fluminense; Vermelho e Preto,na Sygnus; Havaí do Tropical; Jangada do Atlético Cearense; Verde Amarelo do Veterano; Baile da Pantera no São Raimundo e o do Iate Clube, ainda tem? Respondo-lhe meio acanhado que destes só o Vermelho e Preto estava sobrevivendo, em vista do modelo de carnaval adotado em Santarém, o que obrigou os que gostavam e gostam do carnaval de salão, a se contentarem com o baile da Melhor Idade, por exemplo, realizado, hoje, pelo grupo do mesmo nome e será no Barrudada hotel, o que quando você morava aqui era Tropical e trazia muitos turistas para os seus bailes e a Cidade se mobilizava para tais eventos.
Respondeu-me meio entristecida que gostaria de estar aqui para os quatro dias. Ainda lhe falei que não tínhamos mais escola de Samba, perdemos o Ases do Samba e o Chapeuzinho Vermelho. Temos ainda quatro Blocos de Enredo que lutam, com muita dificuldade, para sobreviver ao modismo baiano. Pulga (o do finado Bendelack), Caciques da Prainha (aquele que era da Professora Romana-in Memórian), Unidos de Aparecida, juntamente com os Unidos da Interventoria, (ambos com poucos anos), mas perdemos, o do Breguelhegue, as Mulatas Cheirosas, o Morenão  (o boto cor de rosa – antes do Jacques Costeau- torná-lo conhecido), o da Toalha, o Tatuzinho, o do Grupo Xerfan,  A grande Família, o Barbosão, Unidos da Turiano Meira, A Cruzada, e o Império Figueirense. Alguns destes transformados em Blocos de Empolgação. Após o desfile veio a grande pergunta e como, foi? Como está? Respondi-lhe que “Todo ano é a mesma Coisa”.
Os blocos de enredo atrasaram, faltou energia na Avenida Tapajós, o som falhou, o carro som quebrou, os diretores dos blocos reclamaram da comissão organizadora, chiaram e criticaram a ASAC, assim como, a Secretaria de Cultura, esta, lamentavelmente, dirigida por um piauiense e um Obidense, (aí lembrei-me do Sairé, quando este foi coordenado por uma empresa do Ceará, talvez conhecedora do Xaxado, só foi bronca, deram “cano” no comércio local, que até hoje, os botos estão pagando). Parece que para os governantes locais não tem santareno que conheça a sua própria cultura, por essas e outras, estamos perdendo a nossa identidade cultural.
Choveu. O vento da orla (não sei o porquê tanta insistência por esse local) rasgou fantasias, ajudou a quebrar alegorias e adereços. E para fazer xixi? Faz ali. Porque o número de banheiros químico foi insuficiente, parece-me que cinco, apenas, para mais de cinco mil pessoas. Então, só restavam as paredes dos estabelecimentos comerciais. No dia seguinte, olha o fedor, a catinga! Os carros alegóricos foram largados no final do “corredor da folia”, onde ficava o Trapiche, lembra? Pois é, ali que os blocos lhes abandonam, deixam-nos até quase terminar a quaresma. E os vendedores de iguarias e bebidas, deixam, também, as suas barracas, também continuam lá.
Mudanças. Nos blocos, barracão, virou QG, o bairro virou comunidade, entre outras copiadas de outras regiões. Quanto à organização, Primeiro foi quanto à posição do palanque, um pouco afastado do local anterior, talvez, porque tenha afundado uma parte do calçadão, onde outrora era instalada a arquibancada, mas fizeram uma “guaribada” e em menos de vinte e quatro horas armaram as arquibancadas, no local aterrado.  Que Coragem! Deus ajudou os que foram assistir ao desfile.  Segunda, no título, Carnaval Multicultural, quando se pretendia misturar o Carimbó ao carnaval. Não deu rock!
Toda manifestação cultural tem sua época adequada. Festa Junina, Folclore, Feira da Cultura Popular, Festival Borari, Sairé, Círio, Natal e Carnaval e para quem não sabe, o Festival Folclórico do Colégio Dom Amando faz parte do Calendário Cultural de Santarém. Então, vamos trabalhar “cada qual no seu cada qual”.
Espera aí! Ainda falta a apuração. Na apuração também foi tudo igual. Atraso para o início, reclamações e protestos contra certos jurados, contra a comissão organizadora e cada um dos envolvidos se justificavam à sua maneira. Chegando a dizer, o que sempre diziam, que A ou B protegendo o Bloco vencedor.
– Então, só nos resta ir para Alter do Chão? Hiiiii, aí é que a avacalhação é grande. Dá de cem a zero em Santarém, é uma sujeira geral, jogando pó e espuma em todos os que por lá estão. Um desrespeito a quem não está envolvido. Primeiro vem aquele monte de carro com os aparelhos de som em alto e mau som. Péssimo, desafia todos os decibéis, além da falta de estrutura para atrair toda essa multidão para lá. Há! Lá também faltou banheiro químico, e o folião onde fazer “xixi!” – “Ora mana, aí”, no relento e na moita. Deus me livre!
Então, só nos resta aguardar o ano que virá se até os dirigentes dos blocos já entenderam que não adianta só se sacrificar para fazer o carnaval, mas discutir a organização, apoiar a entidade que congrega as Associações Carnavalescas. Inclusive, comparecendo nas reuniões e debatendo o regulamento. Que trabalhem para que Santarém volte a ter um carnaval bonito. Que não pensem só na quantia que a Prefeitura vai repassar, (perde-se muito tempo para receber), mas quanto temos em caixa, e também não pensem só em sair o vencedor do carnaval, o primeiro lugar, mas em organizar e trabalhar bem o seu bloco, aí tenho certeza que todos sairão satisfeitos.
Igual como todos os anos foi a continuação do BLOCO FULERAGEM, formados pelos músicos e que só se apresenta na quarta-feira, tendo como o seu líder, o músico Antonio Paixão, sabe quem é? O popularíssimo “Marreta”.
Há! Para encerrar, lamentavelmente, como nos anos anteriores, houve encontro de gangues, muita briga e um esfaqueamento o que provocou uma morte.
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Em aproximadamente, quinze dias perdi dois grandes amigos: ERIBERTO SIQUEIRA DOS SANTOS, meu compadre, irmão e colega de turma no Curso de Direito. Frequentava minha casa, sem bater palma, ia varando. Como no poema IRENE, do Carlos Drummond de Andrade. “Não Precisa Pedir Licença”. Perdi, também, um outro irmão, EDIVALDO CAMPOS DE SOUZA- meu poeta, amigo e colega de turma no curso de Direito. (Última vez que nos falamos foi no velório do Eriberto).  Os dois muito queridos, pela minha saudosa mãe e meu saudoso pai, ambos entravam em casa sem pedir licença, nem bater palma, algumas vezes iam juntos e ficavam trocando coversas e ouvindo umas do seu Élvio, até chegar a hora de ir para o Fluminense. Que o Pai do Céu, em sua infinita bondade os recebam em uma de suas muitas moradas. Descansem em Paz! E as minhas solidariedades aos seus familiares.
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PARA RELAXAR DO CARNAVAL, NÃO PERCA NESTA SEXTA-FEIRA, O MELHOR DA SAUDADE, COM A MAIS POPULAR DUPLA ROMÂNTICA DE SANTARÉM – MILTON E MILENA – A PARTIR DAS VINTE E TRÊS HORAS, NO FLUMINENSE.

2 comentários em “Tudo igual outra vez

  • 18 de fevereiro de 2013 em 11:19
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    É…… meu caro Braulino, se estiver andando pra trás é sinal que vai ficar bom, porque como disse o sábio e nobre Professor as nossas manifestãções folcloricas apesar das dificuldades eram muito melhores das que hoje estão aí.

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  • 15 de fevereiro de 2013 em 11:20
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    é meu nobre professor, tudo na vida passa e muitas nos deixam somente saudades e boas recordações.
    me parece que tudo em nossa santarém ultimamente está parece caranguejo, andando pra trás, o carnaval alegre de outrora, hoje anda borocoxô, na mesmice ou sem criatividade mesmo, tudo sendo copiado de outras regiões. aonde estão os nossos carnavalescos????
    cadê das pessoas que entendem e estão enganjadas realmente da cultura mocoronga???

    lutemos para que na história não seja escrito um epitáfio.
    aqui jaz o carnaval de santarem.

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