Adolescentes de 14 e 16 anos são mortos cruelmente

Adolescentes assassinados
Adolescentes assassinados

A frieza da vingança e a crueldade humana deixaram evidências brutais em mais um duplo homicídio na capital, que acordou uma vizinhança na madrugada de ontem ao som de vários disparos de arma de fogo. Dois irmãos, de 14 e 16 anos, foram assassinados com pelo menos vinte tiros dentro de casa, por volta de 2h30, na Rua Ernani Moraes, localizada no Parque Manoel Pantoja, bairro do Curuçambá, Ananindeua.

O irmão mais velho, de 17 anos, que teria sido o alvo dos criminosos conseguiu escapar da morte, se escondendo embaixo de uma das camas. Após a saída dos criminosos, ele fugiu. Os irmãos mais novos não tiveram nem chances de se defender. Os tiros de escopeta calibre 12 despedaçaram a cabeça das duas vítimas.

Diversas cápsulas de pistola 380 e fragmentos de outro tipo de arma, possivelmente de revólver, foram localizadas no interior da residência. Vários tiros também foram disparados contra o corpo dos jovens.

Segundo a polícia, a motivação do crime foi o envolvimento do adolescente de 17 anos no roubo de uma moto, no último domingo (17), bairro do Paar. Na ocasião, um mototaxista teve a motocicleta levada pelos assaltantes, mas inconformado com o caso, a vítima, que ainda não foi identificada, resolveu se vingar.

Pelo menos quinze pessoas, todas em motocicletas e mototaxistas, teriam participado da execução. Conforme a polícia, o grupo já estava rondando o local desde o início da tarde de anteontem, buscando localizar o suspeito.

EXECUÇÃO

O tenente PM Cristofe Clay, do 6º Batalhão de Polícia militar (BPM), informou que os criminosos podem ter ido ao local com o intuito de tentar recuperar o veículo roubado.

“O adolescente de 17 anos se escondeu embaixo da cama quando os criminosos invadiram a casa. Ele teria roubado uma moto no bairro do Paar e este veículo possivelmente era de um mototaxista. Segundo testemunhas, a vítima do assalto, que estava junto de outros mototaxistas, cometeram este crime”, disse.

Ainda o policial, o sobrevivente do crime poderá identificar os criminosos. “O irmão mais velho fugiu após a saída dos assassinos e ainda não foi localizado, para prestar depoimento. Eles vieram para matá-lo. O crime foi, sem dúvidas, uma execução. Ainda não temos identificação dos suspeitos, mas assim que o adolescente de 17 anos for localizado, poderemos ter informação de quem cometeu o crime”, falou.

A suposta moto não foi encontrada e não houve informações se o veículo estava realmente nas dependências da casa. A mãe das vítimas, de nome não revelado, foi quem prestou depoimento na Seccional Urbana da Cidade Nova.

BRUTALIDADE

O cenário assustador chamou a atenção da própria polícia. Os crânios dos dois irmãos foram completamente destruídos com os tiros de escopeta calibre 12. Ambos estavam dormindo, quando foram surpreendidos com os criminosos no meio da madrugada, arrombando a única porta que dá acesso ao interior da casa.

A massa encefálica das vítimas ficou espalhada pelo teto, parede, cama, piso e móveis. As cápsulas das armas utilizadas no duplo homicídio foram encontradas pelo chão da casa de três cômodos. Além da escopeta, uma pistola 380 e supostamente um revólver calibre 38 também teriam sido utilizados na execução.

O local é de difícil acesso, com pouca iluminação, bastante mato e lama no meio da própria rua, fatores que dificultam a entrada de veículos na área. Os três irmãos moravam juntos no local, que fica ao lado da casa da mãe e do pai deles, que são separados.

O pai dos irmãos, 42, vendedor ambulante, acredita que as vítimas não tinham participação no mundo do crime.

“Não sei explicar o que eu sinto. Mataram os meus filhos por engano. Eles perderam a vida sem ter nada a ver. Não sei se meu filho mais velho tem envolvimento com crimes, apesar de já ter ouvido comentários sobre isso. Não tenho nem coragem de olhar como eles estão”, disse.

TIROS

Uma equipe da Divisão de Homicídios (DH), liderados pelo delegado Lenoir Cunha, foi ao local do crime juntamente com os peritos do Instituto de Criminalística (IC) do Centro de Perícias Cientificas (CPC) Renato Chaves, Nelson Vidal e Luiza Maia.

Segundo os peritos, não foi possível contabilizar o número de tiros desferidos nas vítimas. No local foram encontradas seis cápsulas de calibre 12, seis cápsulas de pistola 380 e mais seis fragmentos de projéteis, que poderiam ser de revólver calibre 38. A escopeta de calibre 12 é de uso restrito da polícia.

Até o final da madrugada de ontem, a polícia não disponibilizava de informações sobre o paradeiro e identificação dos criminosos. O sobrevivente de 17 anos, que era o alvo dos bandidos, também ainda não foi localizado. Após a perícia, os corpos foram removidos para o Instituto Médico Legal (IML).

Fonte: Diário do Pará

 

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