Facção criminosa de SP planejou matar governador Geraldo Alckmin

Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin
Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin

Integrantes da maior facção criminosa do país planejaram matar o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, como revelou escuta telefônica de investigações realizadas pelo Ministério Público do estado e pela polícia divulgadas nesta sexta-feira. Segundo a TV Globo, numa das interceptações telefônicas, um dos líderes da facção, Luis Henrique Fernandes, conhecido como LM, fala com integrante conhecido como Tiquinho sobre as dificuldades enfrentadas pelos criminosos desde que Alckmin assumiu.

“Depois que esse governador entrou aí, o bagulho ficou doido mesmo. Você sabe de tudo o que aconteceu, cara, na época que nós decretou ele (governador), então, hoje em dia, secretário de segurança pública, secretário de administração, comandante dos vermes (pm), estão todos contra nós”, disse LM.

O Ministério Público Estadual (MPE) de São Paulo denunciou 175 acusados de pertencer à maior facção criminosa de São Paulo. O MPE acaba de concluir o maior mapeamento do crime organizado já feito no país e pediu à Justiça a prisão dos 175 denunciados e a internação de 32 presos no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). A Justiça negou estes dois pedidos e o MP recorreu. Entre as pessoas que o MP quer que sejam transferidas para o RDD estão os principais integrantes da cúpula da facção, presos na Penitenciária Presidente Venceslau, que tem como líder Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.

Conforme mostrou O GLOBO em novembro do ano passado, a organização está presente em 21 estados, além de São Paulo, e também em países como Bolívia e Paraguai. As informações constam de relatório reservado da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça, que troca informações com o MPE e a polícia no estado.

Em uma outra interceptação telefônica, outro líder da facção, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, diz para outro integrante da facção, Magrelo, que a criminalidade no estado caiu pois há “muita burocracia” para matar pessoas, e não devido ao trabalho do governo do estado.

Magrelo: “Sabia que esses caras tinha que te agradecer porque você deixou a maior paz aí. Já pensou se tivesse crack, esses negócio na cadeia… Como que ia tá? Eles ia pedir seguro toda hora…”

Marcola: “Ô irmão… Sabe o pior o que é? É que hoje… Há 10 anos atrás todo mundo matava todo mundo por nada… Hoje pra matar alguém é a maior burocracia.., quer dizer: os homicídio cai não sei quantos por cento, aí eu vejo o governador chegar lá…e falar que foi ele”.

Magrelo: “As estatísticas aí ó, tão falando que a criminalidade diminuiu em São Paulo. Os homicídio caiu mas não foi eles (governo). Foi o pessoal (criminosos) que causou isso daí”.

Marcola: “Mas a polícia sabe disso”.

A denúncia do Ministério Público, concluída agora, é assinada por 23 promotores que listaram todos os suspeitos que foram flagrados em conversas em telefones celulares encomendando drogas, armas e até determinando a morte de desafetos, traidores ou suspeitos de terem desviado dinheiro da facção. Também aparecem na lista dezenas de ligações onde os criminosos relatam pagamento de propinas a policiais civis e militares.

Os promotores identificaram ainda que os bandidos faziam lobby no Legislativo e planejavam entrar na política em São Paulo. De acordo com eles, a facção controla 90% dos presídios paulistas e fatura R$ 120 milhões por ano. Para chegar a esse faturamento, os bandidos tinham como principal atividade a venda de drogas em centenas de pontos de venda espalhados pelo país.

A investigação, que durou três anos e meio, teve à frente os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). Segundo o MPE, os bandidos montaram uma espécie de “conselho de administração” para o crime, onde planejavam todas as atividades da facção como resgate de presos e de atentados contra policiais e autoridades.

São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul são os estados onde a facção tem o maior número de membros. Em São Paulo, são 7.800 integrantes, sendo que 6.000 estão presos em penitenciárias no estado; no Paraná, outros 626, 81 soltos e 545 presos; e 558 no Mato Grosso do Sul. No Rio, o levantamento do MP paulista identificou 61 membros do grupo, sendo que apenas um está em liberdade.

Fonte: O Globo

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