Informe RC

A PRISÃO DOS INTOCÁVEIS- I

Editorial do jornal O Estado de São Paulo acerca da corrupção que toma conta do governo:

Por mais que a corrupção na vida pública ofenda os valores fundamentais de uma sociedade democrática, como tudo que se torna banal e corriqueiro, ela acaba de alguma forma contaminando e se sobrepondo a esses valores. Na política nacional, a corrupção – o toma lá dá cá ou o é dando que se recebe – assumiu ares de mal necessário sem o qual não existe governabilidade nem os partidos podem exercer suas funções. O enraizamento dessa concepção deturpada de “política” é o princípio do fim da democracia, porque consagra o poder hegemônico do dinheiro sobre todos os valores humanos. É preciso, portanto, ter muito clara a exata extensão desse contágio que, na chamada era petista, tornou endêmica a corrupção na vida pública, para que a sociedade possa reagir a essa devastadora ameaça.

A PRISÃO DOS INTOCÁVEIS- II

Este é o grande serviço que os meios de comunicação têm prestado ao País, ao divulgar extensivamente as apurações da Operação Lava Jato e de outras que expõem as fétidas entranhas da má política. Nos últimos dias, esse dever cívico foi cumprido à risca, culminando com as notícias da prisão preventiva do primeiro-amigo do ex-presidente Lula, o pecuarista José Carlos Bumlai, do senador Delcídio do Amaral, petista que é líder do governo no Senado, e do banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, todos envolvidos no megaescândalo do petrolão. Hoje em dia a corrupção no governo só não é encontrada onde não é procurada. Isso não é obra do acaso nem o resultado de uma conspiração dos meios de comunicação “de direita” contra o “governo popular” do PT. O Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal (PF) e o Poder Judiciário investigam e processam, exibindo ao público indignado de que forma a corrupção abastece os cofres de partidos políticos, maximiza os lucros de empreiteiras de obras públicas e de outras empresas e recheia as contas bancárias, aqui e no exterior, de políticos, altos funcionários de estatais e operadores dos esquemas escusos.

A PRISÃO DOS INTOCÁVEIS- III

Com sua inesgotável capacidade de arranjar desculpas e atenuantes para seus pecados, os petistas alegam que investigações como a da Operação Lava Jato só têm sido possíveis porque os governos de Lula e de Dilma têm garantido ao MPF e à PF os recursos e a autonomia necessários. Mas isso não é mérito, apenas obrigação. E isso não elide o fato de que os mesmos petistas, inclusive o chefão Lula, vivem reclamando da “falta de controle” do Palácio do Planalto sobre as investigações em curso. Lula e seus correligionários têm todos os motivos para estarem preocupados com o andar da carruagem, pois as prisões de José Carlos Bumlai, de Delcídio do Amaral e de André Esteves mostram que, havendo indícios sólidos do cometimento de crimes, nem mesmo os grandes figurões da política e das finanças escapam da prisão. Já não são protegidos pela “boa vontade” de autoridades míopes nem se podem esconder atrás do biombo de amizades poderosas, de imunidades parlamentares ou de riquezas assombrosas havidas com espantosa rapidez. José Carlos Bumlai, por exemplo, há mais de 10 anos desfila pelos altos escalões da República e dos negócios desfrutando o título de amigo do peito do dono do PT.

A PRISÃO DOS INTOCÁVEIS- IV

Delcídio do Amaral, contra quem pesa sólida acusação de ter tentado coagir o notório Nestor Cerveró a calar o bico sobre o escândalo da Petrobrás, é nada menos do que o líder do governo no Senado. E de André Esteves dizia-se que tinha o dom de Midas. O caso de Delcídio do Amaral é o mais exemplar. Senador, com foro privilegiado, a investigação em que está envolvido corre em Brasília sob a coordenação do STF, razão pela qual sua prisão preventiva teve de ser autorizada pelo ministro Teori Zavascki. O petista é o primeiro parlamentar em exercício de mandato a ser preso em decorrência das investigações sobre o escândalo da Petrobrás e conexos. Inaugura, assim, a lista de prisões na fase mais delicada do trabalho dos procuradores e policiais federais, aquela que, por questão jurisdicional, está fora do âmbito de competência do titular da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, o juiz Sergio Moro. As dezenas de senadores e de deputados envolvidos no escândalo do petrolão serão julgadas pelo STF, como já aconteceu no caso do mensalão. Lula não tem esse privilégio. Certamente por essa razão, ao justificar o mandado de prisão de Bumlai, o juiz Sergio Moro fez questão de deixar claro que não existe nenhuma evidência de envolvimento do ex-presidente nos delitos investigados. Mas a investigação ainda está em curso.

RÉU CONFESSO

Não causou surpresa do senador Delcídio Amaral (PT), preso desde quarta (25/11) nas dependências da Polícia Federal em Brasília, líder da bancada do PT no Senado Federal, negar sua participação no esquema criminoso para subtrair as ações da Justiça e desqualificar os trabalhos da Operação Lava Jato, arquitetando plano de fuga do xadrez da Polícia Federal em Curitiba, fugindo, usando um jatinho executivo do banqueiro André Esteves, também preso, para a Espanha via Paraguai, do ex-diretor da Petrobrás, Nestor Cerveró. A explanação feita do senador petista numa reunião gravada em vídeo por um filho de Cerveró e entregue ao Procurador Geral da República, que comunicou ao ministro Teori Zavascki, relator dos processos dos envolvidos no assalto aos cofres da Petrobrás, redundando na ordem de prisão de 5 ministros do Supremo, de todos os participantes do esquema montado pelo senador, que, em trechos da gravação, reconheceu ser o dono da voz, que nada difere de ter confessado o delito pelo qual deve perder o mandato, e passar alguns anos na prisão. Interessante, é de, no seu primeiro depoimento (4 horas), afirmar que queria dar uma ajuda a Cerveró por uma questão humanitária. Tá!

A HORA É AGORA

Para alguns cultores do direito, a corrupção no Brasil caminha para ser institucionalizada nos Executivo e Legislativo e começa a ser vista como prática normal, beneficiando políticos chapa-brancas, e vai continuar sendo, caso o Supremo Tribunal Federal, onde gozam de foro privilegiado, não venha a julgar, com urgência, processo de políticos, com mandatos ou não, envolvidos em peculato, armazenados há mais de 10 anos, sem serem apreciados, de conhecimento nacional. A prisão do senador Delcídio Amaral, líder da bancada do PT no Senado Federal, e de um banqueiro, ambos sem previsão de saída, que operavam para desqualificar a Polícia Federal, o Judiciário e a Operação Lava Jato, esquematizando um sofisticado plano de fuga, do conhecimento da cúpula de seu partido, a um ex-diretor da Petrobrás, condenado na 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná, preso em Curitiba, repudiado por unanimidade dos membros do Supremo, de acordo com as declarações abaixo: da ministra Carmem Lúcia, “Na história recente da nossa pátria, houve um momento em que a maioria de nós, brasileiros, acreditou que a esperança tinha vencido o medo. Depois, descobrimos que o cinismo tinha vencido aquela esperança. Agora, parece se constatar que o escárnio venceu o cinismo. O crime não vencerá a Justiça”. Do ministro Celso de Melo: “É preciso esmagar, sim, é preciso destruir, esmagar com todo o peso da lei, respeitando sempre a garantia constitucional do devido processo, esses agentes criminosos que atentaram contra as leis penais da República e contra o sentimento de moralidade e de decência do povo brasileiro”. É a oportunidade da Justiça diminuir ou acabar de vez com a corrupção no Governo Federal comandada pelo PT, que tantos prejuízos tem trazido ao país e aos brasileiros.

A ÚNICA FINALIDADE DESSE GOVERNO É O PRÓPRIO GOVERNO

Nota de Arnaldo Jabor, comentarista da Rede Globo:

Nunca o Estado esteve tão longe da sociedade. Ele tem uma vida própria. A única finalidade desse governo é o próprio governo. Legislativo e Executivo chantageiam-se por interesses pessoais. Haja o que houver. Desemprego, inflação, nada disso importa desde que não haja impeachment e que os dois presidentes do Congresso, investigados pela Lava Jato, se deem bem. E a sociedade que se dane. Podemos nos orgulhar apenas da atuação do Supremo Tribunal Federal, da eficientíssima Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República. Essa Operação Zelotes, por exemplo, é uma novidade no mundo do crime. Antigamente as leis eram burladas, hoje paga-se por uma lei. “Quanto custa uma medida provisória bacana para beneficiar bancos? Bem…custa caro…e vocês aceitam cartões de crédito?”. A situação psicológica dos brasileiros é angustiante, deprimente. Ninguém aguenta mais, mas ninguém sabe o que fazer. Até quando vamos assistir ao desmanche do Brasil? A sujeira está se acumulando, talvez não se reverta. O mar de lama de Minas é a cara do país. Duas coisas podem acontecer: impeachment ou derretimento? O que é melhor? Corte rápido ou morte lenta? Cirurgia ou anestesia? Mas há uma terceira coisa que precisa acontecer: uma grande mobilização popular com cobranças concretas aos dois poderes desmoralizados. A situação é muito grave. A sociedade não pode assistir calada à própria destruição.

JOGADO A PRÓPRIA SORTE

A conversa, em Brasília, é do senador Delcídio Amaral ter sido preso pela Polícia Federal de ordem do Supremo, quando executava serviços criminosos ao PT para desqualificar a Justiça e os depoimentos prestados à Lava Jato. Mas o partido, acostumado a defender o indefensável, como seu ex-tesoureiro Joao Vaccari Neto, preso da Lava Jato, em Curitiba, também envolvido como autor de um trambique de centenas de milhões de reais da Cooperativa dos Bancários- BANCOOP, em São Paulo, expediu nota, onde joga seu ex-filiado às feras, já que está ameaçado de expulsão por ter ferido a moral e a ética do partido, que não existe. Vamos à nota: O presidente Nacional do PT, perplexo com os fatos que ensejaram a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de ordenar a prisão do senador Delcídio Amaral, tem a dizer o seguinte: 1- nenhuma das tentativas atribuídas ao senador tem qualquer relação com sua atividade partidária, seja como parlamentar ou como simples filiado. 2- Por isso mesmo, o PT não se julga obrigado a qualquer gesto de solidariedade. 3- O presidente do PT estará convocando, em curto espaço de tempo, reunião da Comissão Executiva Nacional para adotar medidas que a direção partidária julgar cabível. Brasília, 25 de novembro de 2015. Rui Falcão, presidente nacional do PT.

HOMEM DE MUITA SORTE

PRESENTE DE NATAL _ O atual Secretário Municipal de Governo, Jacy Barros, é um homem de muita sorte. Teve uma ação arquivada, onde era envolvido em crime ambiental que tramitava na 1ª Vara Federal, em Santarém, desde 2010, quando era uma espécie de absorvente higiênico do governo Lira Maia, de onde saiu rico, com bolsos forrados.

ATOS E FATOS

DESABAFO – Na noite da prisão de Delcídio Amaral, sua esposa vociferava aos berros: “eu avisei aquele fdp. Ele devia ter saído do PT há muito tempo” e complementou, se referindo a presidente: a culpa de tudo é daquela fdp. Educada, né? O marido é sério candidato à delação premiada _ BAND-AID _ De Joaquim Levy, ministro da Fazenda: “Você tem que ir nas questões estruturais. A gente não vai ter crescimento no Brasil só usando band-aid” _ VAI LEVAR TODO O BANDO _ Do jornalista Nilmar Franco, colunista de O Globo, avaliando as decisões do Juiz Sérgio Moro: “Delcídio assinou a sentença de condenação e de prisão de todos envolvidos no escândalo da Petrobrás”. Que assim seja, amém! _ DESPREPARADOS _ Do ministro Aluízio Mercadante, da Educação, sobre a qualidade do ensino no país: “Se formássemos nossos médicos como formamos nossos professores, os pacientes morreriam” _ PRESO 5 ESTRELAS – A Constituição não proíbe prender figuras coroadas da República envolvidas em ilícitos, usufruindo de produtos de assalto aos cofres da Petrobrás, e sim responderem ações em foro privilegiado e serem julgados pelos ministros do Supremo Tribunal Federal. Na quarta (25/01), o senador Delcídio Amaral foi preso pela Polícia Federal de ordem do Supremo. De seus colegas, no Senado, só 13 foram contra. – TIRO NA PRESIDENTE – Da senadora Marina Silva após o governo blindar Eduardo Cunha para não colocar em votação o impeachment: “as provas que foram juntadas contra o presidente da Câmara não são fabricadas”. – DESCULPA FURADA – Maioria dos prefeitos do interior do Pará, numa reunião em Belém, confessou não ter dinheiro para pagar o 13º salário a seus servidores. Alegam a queda dos repasses constitucionais da União, o que não aconteceu com o Estado, aumentou. A desculpa é furada por não obedecerem a Lei de Responsabilidade Fiscal e por transformarem as prefeituras em cabide de empregos. _ PEDIDA ALTA _ Uma palestra de Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos, com uma hora duração, em São Paulo, num Congresso da Confederação Nacional da Indústria, onde foi aplaudido de pé pelos presentes, custou 250 mil dólares. Uma, do Lula da Silva, no exterior, onde fala num português arrastado, pago por empresas envolvidas com o estouro da Petrobrás, custa 250 mil reais. A diferença é de arroz com ovo e farofa para uma caldeirada de bacalhau. –– REAÇÃO – Do ex-presidente Lula ao tomar conhecimento das causas da prisão do líder do governo no Senado: “foi uma grande burrada ou alguma palavra parecida”.

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