Manifestantes ameaçam promover greve geral no país

Manifestacao
Protesto na Avenida Paulista.

Durante ato realizado na noite desta sexta-feira (10), na Avenida Paulista, em São Paulo, movimentos sociais e sindicais ameaçaram  promover uma greve geral no país, caso o governo do presidente Michel Temer promova mudanças na Previdência Social ou a perda de direitos de trabalhadores. A informação é Agência Brasil.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, disse que “Se passar a pauta conservadora de mexer com a Previdência, de tirar os direitos dos trabalhadores, estamos conclamando vocês: vamos organizar a maior greve geral que este país já teve”.

“O governo Temer não vai ter sossego porque nós não admitimos que o capital financeiro faça os ajustes retirando os direitos e acabando com os direitos do povo brasileiro”, disse Gilmar Mauro, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).

O ato foi convocado pela Frente Brasil Popular e pela Frente Povo sem Medo e reuniu movimentos e centrais sindicais. Teve também a presença de muitos políticos  da região, além de um show do cantor Chico César. “Aqui é momento de unidade de todas as forças populares, democráticas e de esquerda para barrar o golpe e depor um governo ilegítimo”, disse o presidente nacional do PT, Rui Falcão.

Também participou do ato o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, pela manhã, recebeu a visita da presidenta afastada Dilma Rousseff, na capital paulista, para conversarem, segundo o Instituto Lula, sobre “a situação política do país”.

Na Paulista, Lula discursou por cerca de 35 minutos. No início de seu discurso, Lula disse que não poderia convocar uma greve geral no país: “Não posso falar em greve geral porque não estou dentro da fábrica e porque aposentado não faz greve”.

Segundo os organizadores, o ato contou com a presença de 100 mil pessoas. A Polícia Militar não fez uma estimativa do público presente à manifestação.

PROTESTOS

Milhares de pessoas se reúnem neste momento na Avenida Paulista, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), em um protesto contra o presidente interino Michel Temer. O ato deve contar com a presença do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. O número de manifestantes ainda não foi informado pela Polícia Militar.

O ato foi convocado pela Frente Brasil Popular e pela Frente Povo sem Medo e reúne movimentos e centrais sindicais como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Nacional dos Estudantes (UNE), Intersindical, CTB, Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Movimentos dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), entre outros.

No protesto, manifestantes seguram faixas pedindo a saída de Michel Temer. Há também um varal com fotos tiradas em protestos em São Paulo. Um imenso caminhão de som foi atravessado na Avenida Paulista, ao lado do Masp, onde os líderes dos movimentos sociais se revezam para falar. É neste caminhão que, mais tarde, deverá estar o ex-presidente Lula.

“A manifestação tem como principal mote o Fora Temer. Porque não entendemos que este seja um governo legítimo, não reconhecemos esse governo e principalmente porque ele é um governo de ataque aos movimentos sociais e de ataque aos direitos sociais e de criminalização dos movimentos sociais e de repressão”, disse Carina Vitral, presidente da UNE.

“O mais importante para os movimentos sociais aqui é impedir o impeachment, impedir o golpe”, afirmou Vagner Freitas, presidente nacional da CUT, em entrevista coletiva concedida no local pouco antes do início do ato.

Para o líder do MTST, Guilherme Boulos, o governo atual representa um retrocesso no país. “É preciso entender a gravidade do momento que estamos vivendo. Está em curso no país um duplo golpe. Há um golpe por existir um presidente que não foi eleito por ninguém, que foi eleito por uma forma indireta, por um Parlamento descrebilizado na sociedade, mas também é um golpe contra os direitos sociais. Estão querendo aplicar um programa que também não foi eleito por ninguém e que é um programa de retrocessos”, destacou.

“Essa mobilização de hoje é um capítulo. As mobilizações vão se intensificar a cada passo que esse governo ilegítimo tente atacar o direito social dos trabalhadores”, acrescentou Boulos.

Plebiscito

Segundo Freitas, os movimentos ainda não avaliaram a posição da presidenta afastada Dilma Rousseff que disse ontem (9), em entrevista ao jornalista Luiz Nassif, na TV Brasil, que, caso volte à Presidência, vai pedir um plebiscito.

“Sobre esse tema, não temos ainda uma posição conjunta do movimento. A coisa mais importante que construímos nessa crise toda foi essa linda unidade da esquerda brasileira para impedir o impeachment e retomar a democracia”, disse o presidente da CUT. “Impedido o impeachment, vamos discutir alternativas no campo da mobilização popular de enfrentamento contra o retrocesso.”

Freitas disse ainda que as centrais sindicais não vão aceitar a flexibilização da Previdência.

“Esse desgoverno, em um mês, causou mais transtorno para a classe trabalhadora do que podíamos imaginar. Não aceitaremos nenhuma mudança na Previdência que não seja discutida no foro dos trabalhadores e que apresente retirada de direitos. Não aceitamos idade mínima, não aceitamos igualar homens e mulheres e não aceitamos a ideia de acabar com o Ministério da Previdência”, concluiu.

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