Burocratização do desenvolvimento 2

Artigo do empresário Fábio Maia

“Um povo … que é possuído pelo espírito do comércio, que vê e que persegue suas vantagens, pode alcançar quase qualquer coisa”.

Seguindo o pensamento de um dos principais fundadores da América, o general George Washington, gostaria de sugerir aos burocratas do desenvolvimento que adoram uma minoria, que defendam também a mais nova classe que está surgindo em nossa cidade, que é a “MINORIA DOS EMPRESÁRIOS”!

Essa “espécie” ameaçada de extinção, ainda resiste bravamente frente a crise financeira criada pelos burocratas de Brasília, e à suposta “proteção aos pobres” protagonizado pelos burocratas do desenvolvimento, que juram estar lutando contra o “lucro desmedido” dos “capitalistas gananciosos”, que aqui em nossa cidade ainda são possíveis de ser encontrados, basta olhar com atenção em meio às portas fechadas do mais novo empreendimento santareno que não para de crescer, conhecido como, “ALUGA-SE”.

“Felizmente ou infelizmente”, muitos desses corajosos empresários ainda estão de portas abertas “graças” ao cheque especial e cartão de crédito, empréstimos bancários com juros altos, ou por estarem vendendo patrimônios na busca de salvar o que levaram a vida toda para construir. Outra parte, simplesmente não fecham as portas por estarem sem condições financeiras de encerar as atividades, sendo obrigados a ficar alternando atrasos de aluguel, tributos, energia e funcionários. Seria cômico se não fosse trágico! Mas essa é a realidade “nua e crua” da grande maioria da classe produtiva de Santarém!

Hoje em dia, de que adianta você investir seu capital em um empreendimento para ficar bem estruturado, moderno, com uma equipe de profissionais motivada e treinada, estoque abarrotado até o teto, se não houver clientes? Se a população não tiver poder aquisitivo, não tiver uma renda mensal, todo esforço de quem procura empreender, produzir e gerar riqueza, vai por água abaixo!

A parte de baixo da pirâmide salarial, representada por 99% dos trabalhadores brasileiros, sonham com um salário equiparável ao valor de um “auxílio moradia” disponível a elite do funcionalismo público, entretanto, sabemos que a realidade não é essa, principalmente para as mais de 120 mil pessoas ligadas diretamente ao Bolsa-Família em nosso município, que vêem todo mês pingar em suas contas R$178,45, que é o valor médio do benefício, além de ver também, lamentavelmente, mais de 300 lojas encerrarem suas atividades nos últimos anos, gerando mais desemprego, menos dinheiro circulando, o que inevitavelmente, causará o fechamento de mais empreendimentos, e o município arrecadando cada vez menos, como mostra a queda na arrecadação própria, como IPTU e ISS, que em 2016 foi de R$50,49 milhões, e em 2017 caiu para R$48,77 milhões, uma retração de 3,41%, além da baixa Receita Tributária Per Capita, que mede a média da receita de tributos por cidadão do município, que é de R$172,61, e o Investimento Per Capita, que mede o investimento médio por cidadão no município, que é de apenas R$132,63, mostrando que estamos indo sentido contrário ao “espírito do comércio”, mencionado por George Washington.

Em uma cidade onde 45,6% da população tem rendimento nominal mensal per capita de até 1/2 salário mínimo, e onde há apenas 16% dos trabalhadores atuando no mercado formal, os “burocratas do desenvolvimento” deveriam se preocupar menos com as “minorias tradicionais”, e mais com as “maiorias miseráveis” que só aumentam cada dia mais.

Fonte: RG 15/O Impacto

Um comentário em “Burocratização do desenvolvimento 2

  • 24 de fevereiro de 2018 em 18:44
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    Excelente! Precisamos sair do casulo e inovar, mudar o foco de produção. A curto prazo a saída seria o agronegócio e os serviços prestados no setor.

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