“Sem milho, ninguém faz pipoca”

Artigo do empresário Fábio Maia

Entre dez municípios das regiões do Baixo Amazonas, Xingu e BR 163, durante o mês de janeiro, Santarém foi o Município que mais perdeu postos de trabalho, totalizando 110 vagas a menos. E no acumulado de 12 meses, Santarém também foi a campeã de demissões, registrando o fechamento de 9.311 postos de trabalho. Fonte: Caged.

Entretanto, apesar de números preocupantes, capazes de acender uma luz vermelha em qualquer sociedade minimamente preocupada com o futuro de sua população, ao participar de uma audiência pública, realizada pelo Ministério Público Estadual, em que o intuito era ouvir os “anseios da comunidade” para programar a agenda bianual de “cobranças” do MPE, pude perceber o quanto nossa região é dependente de assistencialismo estatal, e rico em “direitos”, entretanto, totalmente descomprometido com o empreendedorismo, extremamente “pobre” em seus deveres, e avesso à criação de mecanismos privados que podem favorecer a mudança dessa realidade.

Durante o andamento da audiência, em meio às dezenas de pedidos e clamores para que a “caneta mágica” dos garantidores de direitos do MP, pudessem intervir junto ao Estado e o Município, não ouvi ninguém que visse na geração de riquezas, empregos e consequentemente tributos para o erário público, a solução para a quase totalidade dos clamores da população.

O mais estarrecedor de tudo, era ver que, apesar de justos muitos desses apelos, ninguém se preocupava de onde viria o “milho para fazer a pipoca” que todos almejavam, inclusive a turma do MP. Ninguém questionou, o por quê, apesar de várias empresas já terem fechado as portas, e tantas demissões registradas – que agravaram a situação econômica de Santarém, e, consequentemente a arrecadação do Município – ninguém questionou as ilustres procuradoras do MP, o fato de muitas empresas que querem se instalar em nossa cidade, estarem judicializadas, embargadas, justamente por ações do próprio MPE e MPF, e pasmem, com o apoio de muitas das entidades que ali estavam representadas, pedindo a “pipoca”.

Contudo, somente a título de informação, e simples exemplo de “milho de pipoca”, apenas “uma” empresa (também embargada na Justiça) do setor portuário – que luta para se instalar em uma área já previamente destinada a esse propósito pelo plano diretor do Município, denominada Área Portuária II – iria arrecadar anualmente de ISS aos cofres do município de Santarém, a bagatela de 13 milhões de reais, que, com certeza, ajudaria e muito no orçamento da Prefeitura para o cumprimento das “obrigações” que consequentemente a “caneta mágica” dos garantidores de direitos irá cobrar.

Todavia, uma das coisas mais desanimadoras do debate com os garantidores de direitos, é a relutância destes em aprender com a realidade. Previsível, afinal, uma das especialidades dessa turma é confundir causa e consequência. Atribuem as mazelas que já vivemos, à uma possível instalação de empreendimentos privados, que, segundo eles, será “terrível” para os mais pobres. Ou seja, segundo esses “gênios”, um pobre desempregado, estaria em melhor situação do que possivelmente empregado em algum desses “exploradores” capitalistas. Pra quê emprego, se temos o assistencialismo institucionalizado?

Essa fuga da realidade, às vezes se dá por ignorância. Mas às vezes, é por pura desonestidade intelectual mesmo!

A exemplo disso, apesar de inúmeras teorias de assistencialismo e justiçamento social, sendo drasticamente derrubadas por informações profissionais e precisas, de pesquisadores imparciais, e exemplos que deram errado, os garantidores do direito preferem continuar usando a moeda do assistencialismo como solução para as problemáticas da região. Garantem “direitos”, sem dizer de onde virá o recurso que garantirá a manutenção de sua decisão. Apenas garantem! Nem que tenham que transformar áreas produtivas, em imensas e improdutivas áreas de preservação ambiental!

Certamente, na busca da “igualdade”, esse pessoal preferiria ver todos iguais na pobreza, em um mundo sem o “famigerado lucro”, esta “droga” que entorpece homens e mulheres na busca de empreender, produzir, gerar riqueza, empregos e tributos, essa “besteira” toda que faz a economia girar, e a máquina pública continuar funcionando.

Ou seja, eles ainda não aprenderam que não se resolve pobreza e desigualdade social, com “canetadas burocráticas”. O desenvolvimento deve ser natural, através da geração de riquezas, aceitando e criando um ambiente favorável ao investidor, aquele que tem um capital acumulado e ainda tem a “coragem” de investir em uma empresa, enfrentar uma das maiores cargas tributárias do mundo, uma CLT paternalista, inúmeras burocracias e, muitas vezes, extorsão de fiscais corruptos. E tudo isso, para no final ser chamado de “explorador de trabalhadores”, por aqueles “nada” produzem!

Enfim, é esta visão míope que mobiliza massas com discursos fáceis, que melhoram artificialmente as condições de alguns abastados, ao mesmo tempo que condenam uma sociedade inteira a estagnação e ao empobrecimento. Não percebem que “para fazer pipoca, alguém precisa plantar o milho”.

E esses corajosos empreendedores, estão cada vez mais escassos em nossa região, e, portanto, “sem milho, ninguém faz pipoca”.

Fonte: RG 15/O Impacto

3 comentários em ““Sem milho, ninguém faz pipoca”

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