Adriano Maraschin: “Produção de grãos injeta R$ 360 milhões por ano na economia de Santarém e região”

Para o presidente do Sindicato Rural de Santarém (Sirsan) a gestão eficaz dos recursos públicos advindos dos impostos, e aplicados em obras de infraestrutura, por exemplo, além de gerar mais empregos, fortaleceria a economia local.

Adriano Maraschin diz que não existe latifúndio na produção de grãos em Santarém

Com objetivo de ressaltar à importância do Agronegócio em Santarém e Região, o presidente do Sindicato Rural de Santarém (Sirsan), Adriano Maraschin, em entrevista ao âncora da TV Impacto, o jornalista Osvaldo de Andrade, detalhou os avanços estabelecidos no campo, em especial na produção de grãos.

Há 15 dias, causou repercussão a matéria do O Impacto com o presidente do Sindlojas, Alberto Batista, que disse que “o agronegócio não atendeu à expectativa da economia”.

Além de realizar uma réplica às colocações de Batista, o presidente do Sirsan, abordou assuntos polêmicos, tais como a mortandades de abelhas:

“Esse fato que os agrotóxicos estão matando abelha, isso não é verdade. A gente tem que fazer um estudo mais detalhado, porque não é só a pessoa chegar e falar que o agrotóxico dos produtores está matando as abelhas. Isso não é verdade”, argumentou. Acompanhe a entrevista:

CONQUISTAS DO AGRONEGÓCIO

Jornal O Impacto: Dada a importância do agronegócio e da agricultura familiar para região, quais são os avanços conquistados pela produção de grãos?

Adriano Maraschin: O Sindicato Rural está acompanhando essa evolução da produção aqui no município de Santarém, Mojuí dos Campos e Belterra. Hoje a gente está com o campo plantado em mais ou menos 65 mil hectares. Na primeira safra que a gente começa a plantar no finalzinho do mês de dezembro, a soja são 65 mil hectares; logo após a gente entra na plantação do milho safrinha, que é a segunda safra. Nossa estimativa de produção são de 65.000 hectares aqui na nossa região metropolitana. São 50 sacas por hectare. Então, se você pegar os 65.000 hectares, se você colher 50 sacas, uma média por hectares, você consegue o número de 300 milhões de reais que vai ser colocado na economia de Santarém. Aí, se você colocar lá agora mais 30.000 hectares do milho (safrinha) é jogado mais 60 milhões de reais na economia de Santarém. Se você somar, com a produção colhida aqui em Santarém, são colocados na economia 360 milhões de reais por ano. Essa economia como é que funciona? Muita gente fala: “Ah! esse dinheiro não fica aqui na região de Santarém, esse dinheiro vai todo embora”. Ao contrário, realmente parte dos grãos vão embora, os navios chegam aqui e levam para o mundo o alimento que a gente produz (comida de qualidade) aqui na nossa região, mas o dinheiro, que é a parte econômica, fica aqui na nossa região. Onde que se coloca esse dinheiro? Em máquinas, equipamentos, casas, roupas, alimentação, mão de obra etc. É importante esclarecer, que realmente que parte dos grãos vai embora, mas o dinheiro fica aqui na nossa região. A gente tem em média hoje em Santarém 235 famílias (produtores) envolvidas nessa área de grãos, que vai dar uma média de 300 hectares por família. Então, em Santarém, ao contrário que algumas pessoas falam, que é latifundiário, isso não existe, são famílias que vieram e escolheram essa região para produzir e estão fazendo isso muito bem. Quando a soja e o milho foram introduzidos aqui no planalto santareno, colhiam-se 30 sacos por hectare, hoje essa safra agora que a gente acabou de colher bateu picos de até 80 sacos por hectare. A gente saiu de 30 sacas por hectare e chegou a 80 sacas, daqui a 5 ou 6 anos, em vez de R$ 300 milhões a gente vai gerar R$ 700 milhões.

Jornal O Impacto: Por que os ambientalistas dizem que o agronegócio agride a natureza. O sindicato tem uma forma de controle sobre o uso do agrotóxico?

Adriano Maraschin: Tem sim. É muito fácil você colocar açúcar na pipoca e depois dizer que ela é salgada. A pessoa chega lá e fala: “Poxa, isso aqui não é assim, vamos organizar e ver de que forma realmente funciona”. Quando esses produtores foram convidados para vir para Santarém, para exercer essa agricultura mecanizada e produção de grãos, tinham vários terrenos à venda aqui na região. Os produtores chegaram aqui, olharam a terra, e falaram que essa região é uma das melhores terras para produzir no Brasil. Eu tenho uma casa em Santarém e eu posso vender essa casa; a mesma coisa é o campo, eu tenho o terreno e quero fazer dinheiro, posso vender meu terreno e ir morar na cidade, pois preciso colocar meu filho para estudar. Aí, a pessoa vende seu terreno e vem para Santarém. Essas terras, algumas delas estavam improdutivas, hoje estão produzindo. Essa questão do agrotóxico, por exemplo, todo produtor que está ali no Planalto santareno, cultivando, tem receituário agronômico, acompanhado com engenheiro agrônomo, para usar esses produtos, na soja, milho, banana, abacaxi, tomate, etc. A Anvisa liberou, então, se está recomendado 100 ml por hectare, o produtor vai colocar 100 ml por hectare. Isso é um mito, é uma coisa que a gente tem que desmistificar em Santarém, que o produtor não está usando conforme as regras. A gente não usa agrotóxico demasiadamente, tudo é feito certinho, conforme o receituário agronômico.

USO DO AGROTÓXICO E A MORTE DE ABELHAS

Jornal O Impacto: O uso excessivo de agrotóxico tem provocado a morte de abrlhas?

Adriano Maraschin: Sim. A gente tem acompanhado aquelas questões das abelhas lá em Belterra e temos a seguinte opinião: “A soja plantada naquela região de Belterra, serve também para o mel. A soja tem a flúor, o milho tem flúor. Você pode visitar o Maranhão, você pode visitar outros estados, até mesmo o Rio Grande do Sul, que produzem bastante mel. Aqui na nossa região não tem assim uma alta produtividade de mel, realmente por causa disso aí, falta flúor e o Sindicato Rural tem acompanhado isso. Esse fato que os agrotóxicos estão matando abelha, isso não é verdade. A gente tem que fazer um estudo mais detalhado, porque não é só a pessoa chegar e falar que o agrotóxico dos produtores está matando as abelhas. Isso não é verdade. Com certeza. Tem um dado bem interessante, em uma comunidade aqui perto de Santarém estava morrendo muitas abelhas e os produtores não sabiam a causa dessas mortes. Foram atrás e descobriram que era aquela árvore nin, que as abelhas coletavam o pólen e iam para as caixas, fazendo com que muitas abelhas morressem. Veio uma pessoa, que pesquisou e descobriu que não era o que a comunidade estava achando, que as abelhas estavam morrendo por causa do agrotóxico, mas na verdade, era a própria árvore que estava prejudicando as abelhas.

DESMATAMENTO E DEVASTAÇÃO DA FLORESTA

Jornal O Impacto: Existe uma relação entre o plantio de grãos e o desmatamento?

Adriano Maraschin: Quando foi introduzido o plantio da soja e do milho aqui na nossa região, tinham aptos 600 mil hectares. Hoje, a gente está usando apenas 65 mil hectares. Então, você vê o tanto que ainda podemos avançar na produção, o tanto que a gente pode fazer nossos municípios arrecadarem mais recursos para girar a roda da economia aqui na nossa região. Todos os produtores aqui da nossa região são cadastrados na Cargill, que só compra a soja se você não tiver desmatamentos, que esteja tudo certinho. Os produtores seguem regras, que devem ser cumpridas. Os órgãos fiscalizadores estão sempre com a gente, temos várias reuniões com a Cargill lá no Sindicato Rural, de conscientização dos produtores rurais. Hoje o produtor não pode chegar e desmatar uma mata nativa, isso não está acontecendo e nem vai acontecer na nossa região.

Jornal O Impacto: É verdade a informação que tem famílias que além de plantar soja e milho, também produzem a goiaba, banana, o tomate. Isso é verídico?

Adriano Maraschin: Isso é certo. Vou até convidar vocês para participarem de um dia de campo que fazemos pelo planalto santareno. Hoje, tem vários produtores que produzem soja, milho, gergelim, sorgo, goiaba, alface, pimenta do reino, e outros. Isso está verticalizado os produtores. Hoje, a gente tem de agregar para nos mantermos no mercado. Esses produtores não estão produzindo só o milho, só a soja; eles estão verticalizando a produção, estão agregando mais culturas nas suas propriedades. Santarém é uma região que vai avançar muito nessa área da fruticultura, pois nossas terras são muito férteis e no período do verão temos que colocar mais irrigação. Nós estamos conversando com as instituições financeiras, para sensibilizá-las a dar mais apoio na irrigação. A partir do momento que você coloca mais irrigação, a gente vai dobrar ou triplicar a produtividade na mesma área plantada. Isso é um ponto que a gente tem que avançar muito. Se você for em Brasília, Goiás e algumas regiões fora do estado do Pará, você vai ver que eles colhem 3 a 4 safras por ano. Isso nós temos que trazer para Santarém.

GARGALOS PARA EXPORTAÇÃO

Jornal O Impacto: Com relação ao entrave para a implantação de portos aqui na região, como é que o Sindicato vê e qual a posição que adota?

Adriano Maraschin: O Sindicato Rural de Santarém é favorável a essa área portuária. A gente precisa fazer com que Santarém avance nessa questão de empregos. Por exemplo, meu filho daqui a pouco vai se formar, será que ele vai ter oportunidade para trabalhar em Santarém? Eu quero meu filho mais próximo de mim. O Sindicato Rural tem essa visão, nós sabemos que existem vários quilômetros de rios que pertencem ao município de Santarém, será que a gente não consegue tirar um km e instalar portos? Tem um empreendedor que quer vir para Santarém, se instalar na área do Maicá, esse empreendedor tem R$ 750 milhões para trazer para nossa economia, que vai gerar emprego e renda. Depois, vai ter o imposto (ISS) que Santarém vai arrecadar com esse novo porto. Aí, a pessoa fala assim: “Poxa, mas o porto lá no Maicá o que vai me ajudar aqui no Santarenzinho?”. Só que essa arrecadação vinda para a Prefeitura de Santarém vai servir para todo o Município, é uma rua que o Prefeito vai conseguir arrumar, é uma ponte que caiu e o Prefeito vai conseguir reconstruí-la, e assim por diante. O Governo tem que achar um meio de ter mais empregos, de arrecadar mais dinheiro, para que nossos filhos possam ficar aqui em Santarém. O Sindicato Rural está trabalhando junto, nós estamos ansiosos para que esse porto realmente aconteça. Só para você ter uma ideia, a gente está na SEMAS do Estado há 3 anos para marcar uma audiência pública com os povos tradicionais, que são os quilombolas, para conversar sobre área do porto, pois entendemos que isso vai ser um grande marco para a economia de Santarém, haja vista que já perdemos muitos empreendimentos, onde Miritituba (em Itaituba) está lá com vários empreendimentos que era para estarem aqui em Santarém. Se você for fazer uma comparação da economia de Santarém e Miritituba, a deles está lá em cima. Por que Santarém não teve isso aqui? Porque Santarém teve muitos entraves, que não deixaram que os empreendedores chegassem aqui. Eu tenho informações, que existem várias pessoas que compraram lotes lá em Miritituba e estão aguardando uma posição nessa área portuária no Maicá, para se instalarem aqui em Santarém, eles não querem construir em Miritituba. Só que para isso, Santarém tem que acolhê-los e saber que vão trazer renda e emprego para nossa população. Essa é uma questão que a gente tem que trabalhar direitinho, explicar para a população que isso não vai trazer prostituição, não vai trazer bandidos etc, ao contrário, vai trazer muito emprego e renda.

Por: Jefferson Miranda

Fonte: RG 15/O Impacto

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