AQUAMAN | Opinião sem spoilers.

AQUAMAN

Por Allan Patrick

A história recente nos mostra o quanto as adaptações dos quadrinhos para o cinema têm feito sucesso entre o público mundial e entre os críticos, os que se destacam em meio a essa ascensão são a Marvel, DC e Vertigo, infelizmente a DC tem adquirido uma grande dificuldade para emplacar suas adaptações e seus heróis no cinema, diferentemente do sucesso estrondoso que fazem suas revistas em quadrinho, quando falamos da DC, estamos falando dos maiores heróis que já foram criados no universo das HQ’s como Superman, The Flash, Batman, Mulher Maravilha, Lanterna Verde entre outros, a DC foi a pioneira no cinema e seus heróis foram protagonistas de inúmeras produções, imortalizou o Batman com a trilogia Cavaleiro das Trevas, mas perdeu boa parte de seu brilho com filmes sem uma boa conexão e com a presença indesejada de diversos furos. Mas como acontece com o ciclo da vida tudo se renova, e a Warner Bros, a grande responsável pelos adaptações às telonas, decidiu ouvir o que os fãs aflitos mais queriam para seus personagens, e neste finzinho de 2018, traz uma ensolarada revitalização em seu tom assim como a alvorada de um de seus mais populares heróis. Minha gente quem poderia imaginar que Aquaman seria a solução para os diversos problemas que têm estigmatizado o studio.

Aquaman sempre foi ridicularizado por se comunicar com os peixes e possuir um uniforme parecido com os usados nos desfiles das escolas de samba, porém, como qualquer bom herói de HQ’s, o Rei de Atlântida sempre teve seus fiéis leitores, mesmo que ao mesmo tempo era brutalmente subjugado por outros como sendo a parte mais fraca da Liga da Justiça. Como o diz o velho ditado “Os últimos serão os primeiros”, Aquaman dá a volta por cima e passa para o outro lado da balança, se tornando ponta pé inicial de uma nova era nas adaptações de quadrinhos da DC. Possuindo um background bem representado nos cinemas, o herói ganhou um visual extremamente mitológico, que nos apresenta o personagem por uma ótica heróica diferente. Pelos traços robustos de Jason Momoa, Arthur Cury ganhou fios longos em tom castanho, misturado por um loiro praiano nas pontas. Possuindo costas largas e face bem geométrica, ele perde a delicadeza e os traços finos que costumávamos ver nas HQ’s e nas animações, mas mantém o elo com os quadrinhos de uma forma genuína.

E pela ótica do diretor James Wan, Aquaman se torna um verdadeiro espetáculo visual de belas pinturas, em uma fotografia fantástica que explora a luz natural com precisão, renova os olhos do público com transições impressionantes de cenas e entrega um design de produção esplendoroso. Detalhista, os vários cenários trazem a assinatura do diretor, que migrou do terror para o blockbuster de quadrinhos com naturalidade e maestria, gente James Wan me surpreende em cada produção que se propõe a fazer, temos no seu currículo Invocação do Mal, Sobrenatural, Jogos Mortais Velozes e Furiosos 7 entre outros sucessos. Em meio a takes que exploram a beleza de lugares como Roma e praias desertas, o filme traz aquela sobriedade fascinante, fazendo com que todo seu conceito visual se torne uma extensão do próprio roteiro, elaborado com a maestria e pelas palavras inspiradas da dupla Will Beall e David Leslie Johnson.

Diversão é o substantivo que posso usar nessa adaptação, que sem sombra de dúvidas é um prato cheio, repleto de referências da cultura POP, algumas que certamente os fãs mais novos dificilmente perceberão principalmente aqueles que não cresceram vendo na sessão da tarde “Karatê Kid”. Trazendo frases de efeito instigantes e inspiradoras, Aquaman faz uso de uma fórmula comum no gênero, a jornada do herói, e não há absolutamente nada de errado nisso. Sabendo onde exatamente entrar com sacadinhas e alívios cômicos, o filme está longe de ser uma piada forçada ou de mau gosto, sendo na verdade um deleite surpreendente. Meus amigos, as duas horas e meia passaram tão rápido que tive a impressão que só havia passado pouco menos e uma hora de filme. Aqui encontramos equilíbrio entre a ação, o espírito encorajador e a comédia com habilidade, o filme permite aos seus personagens se conhecerem de maneiras distintas, revelando nuances nas suas respectivas construções, tornando-os ricos diante da audiência. Muito mais do que mocinhos ou vilões, Aquaman traz percepções reais de seus protagonistas, o que nos permite gerar empatia até mesmo com o tirano Mestre do Oceano, vivido pelo Patrick Wilson, um velho colaborador nas produções de James Wan.

A química entre Amber Heard e Momoa é outro ponto importante da produção. Tão díspares, os personagens acabam se completando e temos a princesa Mera seguindo os passos da Mulher-Maravilha, como alguém bem resolvida e determinada quanto aos seus princípios. Obstinada, ela é um exemplo ideal de uma boa parceria no universo dos heróis, se apresentando como uma heroína que soma tanto ao personagem principal, que é impossível o desenrolar da narrativa sem ela. Esse sincronismo se estende de maneira complementar aos demais personagens e temos uma Nicole Kidman estonteante; gente que cenas espetaculares essa mulher nos entrega! Talvez uma das melhores desse deleite aos olhos. Willem Dafoe é o mentor que exala sabedoria, dono de uma empatia e carisma cativantes.

Gente, esse filme é extremamente realista em termos da captação de movimentos dentro da água, bem como em sua mixagem de som, que traz à vida o impacto das lutas feitas imersas no fundo do mar. As cenas de ação são insanas, com a câmera percorrendo rápidas transições de cenários e capturando lutas coreografadas com maestria. Oh James Wan, que bom que você existe! Uma cena emocionante e nostálgica mexe com o coração dos fãs mais antigos, quando o protagonista surge com o uniforme original dos quadrinhos e do antigo desenho da Liga da Justiça, rapidamente nos apaixonamos pelo herói mais subestimado do alto escalão da DC. Construída como se fosse ouro, o dourado e o verde se unem em uma peça hipnotizante, que marca também uma ruptura essencial na vida do personagem, fazendo o coração bater a mil e fazer ressaltar o brilho nos olhos de quem passou o ano inteiro sofrendo pelo filme que Aquaman talvez poderia ter sido.

Como retumbante acerto, Aquaman é um banquete inesgotável para os fãs dos quadrinhos, sendo tudo aquilo e muito mais do que você espera de um filme do gênero. Trazendo ainda elementos do terror para não passar vontade, a produção de James Wan coroa Jason Momoa como o herói que nós queríamos e que a DC precisava para iniciar uma nova fase em seu universo. Gente, super ansioso para o que vem por aí. Ah, o 3D está espetacular e tem uma única cena antes dos créditos finais. Minha nota: 9,6!

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