Quando a Psicopatia se torna bela

Coringa (Joker, no original) é um verdadeiro estudo de personagem, profundo e sombrio. Um filme levemente baseado nas historias em quadrinhos do Batman (Piada Mortal), mas que tem uma essência crua, realista e até mesmo inconsequente de um dos maiores vilões de todos os tempos. Sim! Coringa não é herói e nem anti-herói, Coringa é um filme sobre alguém com sérios transtornos mentais, que em determinado momento se torna um psicopata, um agente do caos que ao invés de cair em um tanque de ácido, cai justamente em uma sociedade doente.

O filme do diretor Todd Phillips (Se beber, não case!, Cães de guerra) é uma verdadeira homenagem aos filmes de Martin Scorsese, desde “O Rei da Comédia” até “Táxi Driver”, que tem em seu protagonista, Travis Bickle, uma cópia perfeita de Arthur Fleck (Joaquin Phoenix). É muito parecido, principalmente na cena da dança com a arma e as indagações do protagonista olhando para a tela, além de ser um longa antissistema parecido com “Clube da Luta” e um pouco de “Laranja Mecânica”, pela espetacularização da violência.

O longa de Phillips se passa no final da década de 70, onde temos uma Gotham city totalmente afogada em problemas como desemprego e falta de recursos sociais e de saúde. Nesse cenário a família Wayne está presente na figura do patriarca Thomas Wayne, representando a construção do “rico fascista”.

Em muitos momentos o roteiro de Scott Silver e Phillips tenta levar o humor negro e a empatia pelo protagonista, e em outro você sente pena, fica triste pelo personagem, que é – literalmente – maltratado, humilhado, pisado pela sociedade. Mas não se engane, o Coringa é mau. Mesmo com toda a beleza da fotografia do diretor Lawrence Sher, sua estética, enquadramento, luzes, contrastes, trilha, ainda estamos vendo a história do príncipe palhaço do crime, o que condiz com a exposição violenta de seus atos.

Um filme pesado e perturbador. Polêmico e também um dos melhore do ano. Destaque principal para Joaquin Phoenix, que entrega fisicalidade, trejeitos e várias nuances de risadas nunca vistas no cinema. O cara é muito bom, o que faz do seu Coringa uma obra única e imperdível, possivelmente digna de Oscar.

Por Michael Douglas

Um comentário em “Quando a Psicopatia se torna bela

  • 12 de outubro de 2019 em 10:37
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    Belíssimo filme. Assisti ontem no Shopping Tapajós. A interpretação do ator Joaquim Phoenix é extraordinária. Com certeza será um dos indicados ao Oscar 2020

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