Artigo – A maior campanha de marketing já desperdiçada por um clube paraense

Por Oswaldo Bezerra

Era o ano de 2016, na TV fechada eu assisti pela primeira vez o Clube do Remo ter uma audiência de quase 300 mil espectadores fora do Pará. Estamos falando apenas do Twitch TV, este número triplica quando se conta com a transmissão via Youtube e canais fechados de TV de e-sport.

Muitos jovens de todo o Brasil naquela época só conheciam o Clube do Remo de Belém do Pará, que ia muito mal no futebol, por causa League of Legends. O acordo que levou o time paraense para as telas do campeonato brasileiro de League of Legends (LOL) foi firmado em 2016, por um jovem presidente do clube paraense André Cavalcante. A parceira criou o Clube do Remo Brave. No ano seguinte, o presidente eleito, que era da velha guarda, achou que LOL era apenas um joguinho e deixou o acordo chegar ao fim.

Afinal de contas, o LOL é um jogo ou um esporte? No livro de Gorge Caillos intitulado “Os jogos e os homens, a marca e a vertigem” é atribuída a diferença entre jogo e esporte. Caillos estabelece que a principal diferença estabelecida é o compromisso com a produtividade. O esporte é uma atividade produtiva, pois provoca mudanças no mundo fora dele. Já o jogo é improdutivo, pois quando acaba ele não altera em nada o mundo fora dele.

A ascensão do LOL foi algo importante para os videogames e para o mundo. Foi daí que veio a ascensão do e-sports. Um campeonato mundial do porte do LOL que atrai centenas de milhões de espectadores jovens de todo o planeta. É inimaginável para uma pessoa da velha guarda como o ex-presidente do Remo Raimundo Ribeiro. O campeonato do porte do LOL mudou para sempre a maneira como o mundo enxerga os videogames.

A desenvolvedora dos jogos passaram a ter responsabilidade de não só cuidar dos jogos, mas de tudo que está em volta do jogo. Um exemplo foi em uma etapa do mundial ocorrido aqui no Brasil em 2017. Estava um excelente evento até que um dos jogadores brasileiros tweetou insultos racistas contra orientais.

A desenvolvedora dos jogos (Riot) foi obrigada a se posicionar, imediatamente, expulsou o competidor e ainda o multou em 2 mil dólares pelos comentários racistas. Agir de maneira rápida nestas situações é importante tanto quanto manter os jogos funcionando. Deste modo, a Riot disciplinou a comunidade e declarou valores que mantém a comunidade unida. No universo de League of Legends há um compromisso também com a diversidade.

A responsabilidade da Riot com a comunidade e a grandeza dos eventos demonstram que LOL é sim um esporte. O gigantismo dos campeonatos de League of Legends só demonstra como o Clube do Remo perdeu uma das melhores jogadas de marketing que um clube paraense já participou.

RG 15 / O Impacto

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *