Assalto forjado – Prefeito de Medicilândia acusado de tramar fake news

As fake news estão aterrorizando as eleições municipais, e o Ministério Público e a Justiça Eleitoral correm contra o tempo com objetivo de manter a integridade do pleito.

Um exemplo de como a estratégia de disseminar inverdades tem afetado a rotina de campanha, acontece no município de Medicilândia, onde o candidato a prefeito Júlio César do Egito (PSDB/Foto a esquerda) acusa o atual prefeito e candidato à reeleição Celso Trzeciak (MDB) de criar uma trama, visando ‘denegrir a imagem’ de seu concorrente.

De acordo com informações, circula nas redes sociais e em grupos de WhatsApp, um vídeo que narra que Dr. Júlio teria pago o valor de 12 mil reais a um homem identificado como Marcelo Marques da Silva, para que o mesmo participasse, juntamente com outras pessoas, de um assalto forjado à sua própria residência, ocorrido no dia 15 de setembro de 2020.

Segundo consta no documento protocalado no Ministério Público Eleitoral pelos advogados de Dr. Júlio, no vídeo compartilhado aparece Marcelo Marques narrando que foi o próprio candidato quem o contratou para simular a ação criminosa, o que os advogados argumentam ser totalmente descabido e infundado, uma tentativa de denegrir a imagem do mesmo junto à população Medicilandense, para que haja sua rejeição como candidato a prefeito do município.

Na peça judicial, os advogados acusam pela gravação e disseminação do vídeo como articulação do atual prefeito de Medicilândia para tentar denegrir a imagem de Júlio, seu concorrente direto no pleito municipal de 2020.

“Bom dia, senhores cidadãos de Medicilância. Eu puxo boiada, sou um cidadão de bem. Eu fui contratado do Mato Grosso pra cá, eu e mais quatro pessoas para puxar uma boiada para um médico daqui da região, é o Dr. Júlio. Quando chegamos aqui, viemos primeiro em três, depois vieram mais dois numa caminhonete locada que ele pediu pra locar lá de Guarantã do Norte. E quando chegou aqui não foi pra puxar boiada, foi pra nós assaltar a casa do Dr. Júlio. Como eu sou um cidadão de bem, eu não topei fazer isso, mas ele pegou os quatro caras que tavam mais eu, foram lá e fizeram. Levaram os celulares da casa dele pra simular que foi assalto. Ele quer acusar político aqui da região, político que eu nunca nem tinha visto na vida. Ele disse pra mim, que se desse ‘B.O’, pra mim morrer dizendo que foi o pessoal do prefeito que mandou, eu  nem conheço o prefeito daqui. Então, ele tá usando isso contra nós e ele tá ameaçando minha família, ameaçando minha filha lá em Guarantã do Norte. Sou um cidadão de bem, não sou bandido; Achei como meu dever de cidadão de bem, era procurar a delegacia, procurei, tá aqui o papel que o delegado me deu. O delegado agora vai tomar as providências e tô aqui à disposição para o que precisar, porque eu jamais vou sujar o nome de um político sendo um cidadão de bem, se eu nunca  nem tinha visto esse homem na minha vida”, narra em um dos vídeos o suposto contratado para forja o assalto.

Em outro vídeo, o mesmo Marcelo Marques relata:

“Meu nome é Marcelo Marques da Silva, tô autorizando esse vídeo e vou citar os nomes dos caras: Foi o Marcinho, o Marquinho que veio, o Paulo e o João; foram os que vieram mais eu de lá do Guarantã do Norte/MT e eles também vão estar à disposição, se precisar vir aqui para ir na Justiça, eles estão à disposição também, porque do jeito que tô sendo ameaçado, eles também tão”,

Conforme os advogados de Dr. Júlio, ele afirma com veemência nunca ter visto a pessoa identificada como Marcelo Marques, nem tampouco entrou em contato com ele algum dia.

“… além de ter sido veiculada ilegalmente, em vários trechos a narrativa é concebida através da utilização de recursos audiovisuais, afim de dolosamente degradar a imagem do candidato, ora representante, com o clarividente intuito de Ihe imputar falso crime (calúnia), restando inequívoco o caráter eleitoral da publicação… Válido destacar, que o vídeo mencionado anteriormente foi disponibilizado na plataforma do WhatsApp em vários grupos no Município de Medicilândia e região, sendo replicados várias vezes por várias pessoas que são ligadas ao atual prefeito Celso, que não observaram em nenhum momento a veracidade do conteúdo que estavam compartilhando”, citam os operadores do Direito.

Nos autos do processo, consta uma lista com os nomes das pessoas que compartilharam os vídeos, que seriam apoiadoras da campanha eleitoral do atual prefeito que é candidato à reeleição. “Prova disso é o atual secretário de Saúde do Medicilândia, Danilo Lopes, que também fez publicações sobre a suposta simulação do assalto à casa do representante [Dr. Júlio], se referindo que a ação criminosa teria sido uma farsa”.

Entre prints de publicações das redes sociais, consta ainda a transcrição de um áudio supostamente produzido por homem identificado como Aércio Felício, popularmente conhecido por ‘Bafo’, que assim, teria se exprassado:

“Rapaz, eu já falei e vou falar de novo, falo e não peço segredo pra ninguém, nem tenho medo não, só falo a verdade. Esse negócio de assalto do Dr. Julio, aí, já falei e vou falar de novo, foi igual o tiro que deram na casa dele na campanha passada. Aí ele forjou esse assalto aí, que não deu em nada e já forjou esse negócio de novo aí, dizendo que é o prefeito, que não sei o quê, com esse rapaz aí, entendeu?! Isso daí é ele que tá armando, rapaz, isso aí é tudo armação dele, ali eu conheço. E porque eu não vou falar as outras armação que teve nas outras campanhas passadas, entendeu?! Mas se começar a falar muito inventando essas coisa, vou começar a soltar”.

A defesa de Dr. Júlio solicita que as publicações sejam retiradas das redes sociais, bem como dos grupos de WhatsApp e que os responsáveis sejam autuados por denunciação caluniosa.

O ASSALTO

No dia 15 de setembro de 2020 (terça-feira), por volta das 20h30, quando dois homens armados e encapuzados chegaram em um carro de cor preta, entraram na residência do candidato Dr. Julio, onde se encontravam duas de suas irmãs, seu filho de 05 (cinco) anos de idade, um de seus cunhados, uma sobrinha e um vereador do Município conhecido por “DECA”. Ele não se encontrava na residência no momento da ação criminosa, e segundo as vítimas que estavam presentes na hora do roubo, os assaltantes perguntavam o tempo todo pelo “Patrão”, “Cadê o Patrão?” “A gente veio buscar os R$ 300.000.00 (trezentos mil) da campanha” se referindo ao candidato como o tal “patrão”. Na ocasião, os assaltantes amarraram os punhos do cunhado e do vereador Deca com uma fita. Depois de 7 a 8 minutos de ação criminosa, os assaltantes se evadiram da residência levando apenas 3 aparelhos celulares que pertencem ao seu cunhado, sua sobrinha e sua irmã. Vários outros objetos como joias, carteira e bolsas das vítimas não foram levadas nem sequer revistadas.

A defesa de Dr. Julio destaca que o fato ocorreu na noite anterior ao dia da Convenção Partidária que iria lançar a candidatura dele para concorrer ao cargo de prefeito do município de Medicilândia.

RG 15 / O Impacto

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