Artigo – Em dúvidas onde aplicar? Aplique nos fundos, um senador garante

Por Oswaldo Bezerra

Infelizmente, nós os brasileiros, estamos nos acostumando a não nos impressionarmos mais com tantos absurdos. Nada mais parece extraordinário, por que coisas inimagináveis aconteceram. Há pouco, muitos leram em manchetes de jornal os seguintes dizeres: “Bolsonaro tira senador do cargo de liderança e tenta se desvincular de flagra de dinheiro entre as nádegas”.

Isso foi de agora em 2020. Aconteceu de novo. Você sabe que isso já tinha ocorrido. Aconteceu com um senhor chamado José Vieira, que era assessor de um deputado chamado José Guimarães, que em uma entrevista, ao ser arguído sobre o caso dos 100 mil dólares, escondidos na cueca, ele respondeu que foi inocentado pela justiça. Este caso de 15 anos atrás envolveu um assessor de um deputado. Nos padrões de Brasília era um peixe pequeno, o cara miúdo.

Só que desta vez envolveu um senador, e mais, é o vice-líder do governo Bolsonaro. Outra diferença é que o dinheiro não estava em uma bolsinha escondida em uma cueca. Segundo o relato da Polícia Federal, algumas notas estavam sujas de fezes. Conseguiram atualizar a definição de dinheiro sujo.

Tudo ocorreu por conta das famosas “emendas parlamentares”. A prática é um jeitinho brasileiro, mas absolutamente legal, que deputados e senadores têm de alterar verbas do poder executivo e direcionar para seu estado ou sua cidade. Geralmente em trocas de favores em votações, a verba oriunda de emendas parlamentares é usada para agradar o seu eleitorado e assim se re-eleger.

Quem se lembra do escândalo dos anões do orçamento sabe que esta verba, muitas das vezes, é usada para fraudes. Deputados e senadores podem desviar estes recursos para si mesmos, através de contratos superfaturados.

É o que teria feito o senador Chico Rodrigues, hoje apelidado de “Chico das Nádegas”. O vice-líder do governo Bolsonaro, senador pelo “Partido Democratas”, ganhou o direito de definir como seriam usados 15 milhões de reais que deveria ir para a secretaria estadual de saúde de Roraima. Deveria esta verba ser usada no combate a pandemia.

Uma operação da Polícia Federal, chamada de Desvid-19, concluiu que o dinheiro foi usado realmente para pagar as empresas de saúde. No entanto, os contratos estavam superfaturados. A fraude chegaria a 1 milhão de reais. Por isso a PF fez à visita a casa do senador.

Com a visita em curso, o senador se desesperou e enfiou 30 mil reais em uma parte do corpo que, para ele, os agentes federais jamais iriam vistoriar. Acabaram vistoriando. Descobriram que o senador não era muito higiênico e ainda por cima ali estavam 30 mil reais. A polícia ainda achou mais 70 mil reais em outros locais, num total de 100 mil reais na casa toda.

O senador emitiu uma nota se defendendo onde diz: “Estou tranqüilo quanto à vistoria da PF em minha casa em Roraima (…). Tenho um passado limpo e uma vida decente”. Ressalta-se que neste passado limpo, que ele afirma, existe uma acusação de roubo de combustível em 2006, quando ainda era deputado federal.

O atual presidente falou, em um vídeo na internet, que o tempo de amizade dos dois já configura uma “união estável”. Por coincidência, Bolsonaro também teve uma notícia-crime por roubo relacionado a gasolina, no tempo em que era parlamentar. Só vai poder ser julgado no final de seu mandato presidencial.

Chico Rodrigues, que foi até governador de Roraima, abraçou o Bolsonarismo usando gravata com as cores da bandeira nacional, depois de 30 anos de vida pública. Hoje ele pediu para sair da vice-liderança do governo e em sua nota dizia: “Acredito nas diretrizes do grande líder e presidente do Brasil Jair Messias Bolsonaro para gerir o país”.

Perguntado sobre a operação da PF, em Roraima, aquela quase “união estável”, afirmada antes pelo presidente, deixou de existir. O presidente minimizou o governo para ministros, bancos e estatais. Escanteou a possibilidade da participação no governo do vice-líder do governo. Bolsonaro afirmou que nada tem a ver com isso.

Isso nos trouxe a recordação de um twite do Carlos Bolsonaro, o famoso Carluxo, no qual dizia que: “Todo mundo ao redor de Lula é envolvido em corrupção, menos ele. Incrível como este homem consegue ser puro no meio de tanto familiar ruim!”. Hoje este twite pode ser atualizado só alterando o nome de Lula por Bolsonaro.

RG 15 / O Impacto

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