Artigo – O mundo que se prepare. Um governo de guerras infindáveis está montando seu gabinete

Por Oswaldo Bezerra

A Austrália anunciou na quinta-feira que serão abertos processos criminais contra as forças especiais australianas que cometeram crimes de guerra no Afeganistão. Crimes de guerra são só uma das terríveis consequências das guerras infinitas. As guerras por si só já são terríveis, pois morrem crianças, inocentes e civis. Elas são infinitas porque os ganhos financeiros da indústria da guerra não podem parar.

Pensando nisso, o novo governo norte-americano, encabeçado por Joe Biden, está enchendo seu gabinete de gaviões pró-guerra. A indústria armamentista já andava furiosa com o governo pacífico demais exercido por Donald Trump.

Não havia razão para pensar que um governo Biden estaria à esquerda do governo Obama, quando se trata de política externa. Biden vem com uma longa carreira política de apoio às guerras dos Estados Unidos e seus aliados, desde a invasão do Iraque em 2003, à agressão de Israel contra os palestinos e a ocupação prolongada do Afeganistão.

Quaisquer que sejam as aberturas limitadas que ele fez à esquerda, durante sua campanha de 2020, a política externa foi totalmente omitida, como evidenciado pela exclusão da questão da força-tarefa da unidade do socialista Bernie Sanders.

Biden disse durante sua campanha que quer acabar com as “guerras eternas” (as que ele ajudou a iniciar) e que é contra a guerra no Iêmen (mas a apoiou durante o governo Obama), mas ele não evidenciou nenhuma proposta política concreta na campanha política.

Biden já está atraindo uma série de indivíduos pró-guerra da era Obama, para preencher seu gabinete. Muitas dessas pessoas fazem parte dos “profissionais de segurança nacional” de Washington. Quais são os históricos desses nomeados e o que isso diz sobre o que exatamente será um governo Biden?

Antony Blinken que será nomeado para Secretário de Estado. Ele atraiu críticas ​​por seu histórico de apoio a guerras e as intervenções humanitárias. Blinken era um dos principais assessores de Biden quando o então senador votou para autorizar a invasão do Iraque. Ajudou Biden a desenvolver uma proposta para dividir o Iraque em três regiões separadas com base na identidade étnica e sectária.

Blinken apoiou uma desastrosa intervenção militar na Líbia em 2011 e, em 2018, ajudou a lançar a WestExec Advisors, uma “empresa de consultoria estratégica” que mantém sigilo sobre seus clientes, junto com Michèle Flournoy. Esta que construiu uma grande base de clientes com uma startup de vigilância israelense.

Outra escolhida, da escola de Obama, se trata de Avril Haines. Será a diretora de inteligência nacional de Biden. Haines foi uma dos co-autores da “orientação política presidencial” de Obama, o infame manual de drones, que normalizou assassinatos em todo o mundo.

Desde que se tornou conselheira jurídica do Conselho de Segurança Nacional em 2011, ela trabalhou em questões altamente complicadas como a intervenção dos EUA na Síria e o plano para frustrar o programa nuclear do Irã. Haines era quem avaliava se um suspeito de terrorismo poderia ser legalmente incinerado por um ataque de drones.

O número de assassinatos de civis inocentes por drones, durante sua direção, foi devastador. Haines normalizou o uso generalizado de assassinatos seletivos que transformaram o mundo inteiro em um campo de batalha dos EUA.

Há também Linda Thomas-Greenfield, escolhida para servir como embaixadora das Nações Unidas. Thomas-Greenfield lista seu emprego mais recente na Albright Stonebridge Group, uma secreta “empresa de estratégia global” que faz lobby com o governo dos Estados Unidos ou faz trabalhos que são cobertos pela Lei de Registro de Agentes Estrangeiros.

Jake Sullivan, definido para ser o consultor de segurança nacional de Biden, trabalha para a Macro Advisory Partners. Administrada por ex-chefes de espionagem britânicos, a Macro Advisory Partners tem cerca de 30 funcionários em tempo integral e registrou receita de US$ 37 milhões no ano passado. A empresa usou Sullivan como vendedor ao oferecer “conselho confiável em um mundo turbulento”. Quando Sullivan publica um artigo em uma revista sobre a política externa dos Estados Unidos ou dá palestras em universidades, ele omite esse emprego de sua biografia.

Michèle Flournoy é a favorita para liderar o Pentágono. Ela está no conselho da empreiteira militar Booz Allen Hamilton. Foi co-fundadora do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CNAS), que recebe financiamento significativo da indústria de armas, incluindo General Dynamics Corporation, Raytheon, Northrop Grumman Corporation e Lockheed Martin Corporation. Ela foi uma importante apoiadora da intervenção militar de 2011 na Líbia, uma apoiadora da ocupação do Afeganistão e se opôs firmemente à remoção completa das tropas dos EUA do Iraque.

Mais nomeações de Biden chegarão nos próximos dias. Temos todos os motivos para esperar mais do mesmo. Sua equipe de transição é uma indicação clara. Ela é caracterizada por pessoas com seus “mais recentes empregos” nos think tanks, organizações ou empresas financiadas pela indústria de armas, ou fazem parte diretamente desta indústria.

Estas pessoas são lobistas vestidos com um verniz acadêmico. São os think tanks dos quais, Biden está se inspirando e eles têm um histórico comprovado de empurrar sistemas de armas para o governo dos EUA.

Muitos de nós tivemos a tentação de comemorar quando o governo Trump foi eliminado, mesmo que Trump pareça determinado a se manter o poder. Muitos sonhavam que Biden desse uma guinada na política de atritos de Trump.

Porém, basta lembrar que quem apoiou Obama nas diversas guerras criadas em seu governo, como Líbia, Iêmen, e Afeganistão, além dos golpes em Honduras e no Brasil, foi Biden. O futuro presidente dos EUA está usando a mesma equipe de conselheiros vendedores ambulantes, e consultores de influência da indústria de guerra que ajudaram a fazer tudo acontecer.

RG 15 / O Impacto

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