Artigo – O mundo testemunha um abandono massivo de animais de estimação

Por Oswaldo Bezerra

Amar um animal de estimação não é incomum. Eu mesmo senti uma enorme tristeza quando o cachorro da nossa família faleceu no início do ano. A dor foi terrível, mas para minha esposa se traduziu em depressão.

Minha filha, tentando ajudar a mãe, procurou adotar um novo animalzinho. Um bombeiro indicou adotar uma gata, filhote. Ela havia sido abandonada em uma casa desocupada, no centro de Fortaleza. Na hora de trazer a gatinha o bombeiro apontou um problema: eram duas gatinhas irmãs que não desgrudavam uma da outra por nada. Nossa filha foi convencida a trazer as duas gatinhas.

Nem eu, nem minha mulher nunca fomos fãs de gatos. Quando chegamos do trabalho ficamos chateados por encontrar dois gatos estranhos em casa. Contrariado, fui para o quarto, nem queria ver as bichanas, sem antes dizer a nossa filha para devolvê-las. No quarto deitei na cama. Uma das gatinhas entrou, subiu na cama foi até minhas costas e deu uma longa e quente urinada.

O tempo passou e elas são hoje os xodós de casa, paparicadas por todos nós. Quando lembro que elas viviam abandonas na rua sinto que salvamos duas vidas preciosas, condenadas a morte. Abandonar animais de estimação, infelizmente, se tornou uma ação massiva, não só no Brasil, mas no mundo todo.

O número de cães e gatos abandonados devido à perda de empregos e mortes relacionadas à Covid aumentou bastante. As instituições de caridade também alertam que os proprietários que compraram avidamente filhotes, durante o confinamento, começam a desistir deles.

O número de animais abandonados em Portugal este ano disparou de acordo com uma reportagem publicada quinta-feira pelo Jornal de Notícias . O desemprego e a morte de uma pessoa idosa devido à Covid-19 são os culpados, com a maioria dos casos (ocorrendo) nas principais cidades do país, disse o relatório.

As autoridades portuguesas de aplicação da lei, a Polícia de Segurança Pública e a Guarda Nacional Republicana, investigaram 667 casos de abandono entre janeiro e agosto deste ano, 30% maior que do ano anterior.

Para completar a tragédia, muitos dos idosos que morreram de Covid viviam sozinhos com seus gatos. Os familiares, por incapacidade financeira, não receberam bem os gatos, que acabaram na rua, segundo a ouvidora de bem-estar animal de Lisboa. Ao contrário de muitos outros países, os animais de estimação em Portugal têm direito à proteção jurídica e o abandono de um animal de estimação é crime punível com multa ou prisão até seis meses.

Este problema não é exclusivo de Portugal. Instituições de caridade de bem-estar animal, em toda a Europa, vêm emitindo um alarme semelhante há semanas.

No Reino Unido, Battersea Dogs & Cats Home, uma instituição de caridade líder no campo, divulgou um relatório no início desta semana alertando sobre o impacto catastrófico que Covid-19 e o primeiro bloqueio (lockdown) na primavera tiveram sobre animais domésticos em todo o país.

O bloqueio (lockdown) levou milhares de pessoas a entrar em pânico e comprar animais de estimação para a companhia. Mais de 40% das pessoas que compraram cachorros durante o bloqueio admitira que não houvesse planejado ter um cachorro, segundo a instituição de caridade. A pandemia e as restrições decorrentes estão ameaçando o futuro de dezenas de organizações de resgate menores e já sobrecarregadas em todo o Reino Unido.

A maior instituição de caridade para o bem-estar animal do Reino Unido, a RSPCA, está se preparando para o “Natal mais difícil de todos”, porque a dificuldade financeira pode levar muitos a abandonar ou negligenciar seus animais de estimação.

E isso se soma ao aumento considerável de abandono que as instituições de caridade costumam relatar em janeiro, já que aqueles comprados como presentes de Natal são abandonados, quando a novidade de ter um animal de estimação passa e a realidade de cuidar dele se estabelece.

O abandono de animais de estimação devido à Covid-19 parece ser um problema global. Há relatório de aumento de abandono não só na Europa, mas também em países como Índia, China e Malásia. No Brasil, o aumento de abandono de animais neste ano aumentou 6 vezes. No Rio de Janeiro o número diário de abandono subiu de 170 para 700, segundo a ONG Garra Animal.

A despeito do número crescente de animais abandonados, fiou pensando nas minhas gatinhas. Elas nunca mais urinaram em cima mim, mas não é só por isso que elas fazem que meus dias se tornem muito mais felizes.

RG 15 / O Impacto

2 comentários em “Artigo – O mundo testemunha um abandono massivo de animais de estimação

  • 11 de dezembro de 2020 em 10:23
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    Como no mundo todos visam lucro, às instituições e ONG’s deveriam controlar o nascimento dos animais e assim não haveria superpopulação de animais.

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    • 11 de dezembro de 2020 em 10:50
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      Esse é um dos trabalhos das ONGs castrar animais abandonados.

      Resposta

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