Mega operação cumpre 29 mandados de prisão e 50 de busca e apreensão em Roraima

A Polícia Federal realiza nesta quarta-feira (16/12) a Operação Alésia, com o objetivo de desarticular organização criminosa encrustada na estrutura da Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania de Roraima – SEJUC, integrada em sua maioria por servidores públicos do próprio órgão, os quais são investigados pela prática dos crimes de participação em organização criminosa, tráfico de drogas, associação para o tráfico, peculato, corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro.

Mais de 200 policiais federais de todo país foram mobilizados para dar cumprimento a 29 mandados de prisão preventiva e 50 mandados de busca e apreensão.

A investigação é um desdobramento de outra operação da Polícia Federal, que visava desbaratar facção criminosa atuante no estado de Roraima e cujos integrantes tinham pleno domínio do maior presídio de Roraima, a Penitenciária Agrícola de Monte Cristo – PAMC.

Alguns diálogos telefônicos interceptados no bojo da Operação Érebo indicaram um incomum contato da administração da unidade com integrantes da facção, notadamente, membros da cúpula estadual de uma facção criminosa.

Diligências iniciais desvelaram um arranjo engendrado por policiais penais lotados na Penitenciária Agrícola Monte Cristo que, mediante o recebimento de vantagens indevidas, facilitavam a entrada de objetos ilícitos no presídio (aparelho celulares, drogas); permitiam visitas não autorizadas e até mesmo consentiam com a transferência de internos para outras unidades prisionais, onde as condições de cumprimento de pena são mais favoráveis.

O progresso da investigação ampliou a compreensão do complexo panorama do sistema prisional de Roraima e, consequentemente, do arranjo investigado.

Constatou-se que as ilegalidades também permeiam os demais regimes de cumprimento de pena, semiaberto e aberto, e outras unidades ingressaram no escopo investigativo: Cadeia Pública de Boa Vista – CPBV, Centro de Progressão Penitenciária – CPP e a Central de Monitoração Eletrônica de Pessoas.

Usualmente utilizada para apartar presos rejeitados pela condição ou pelo crime que cometeram (v.g. integrantes de facções rivais ao grupo, ex-policiais, estupradores), a CPBV tornou-se meio de apartar seletos presos da massa carcerária e, consequentemente, transformou-se em uma das benesses cambiadas pelos integrantes da ORCRIM.

Também serão cumpridos mandados de busca na Corregedoria da SEJUC, plantão de custódia de presos do HGR e em unidades de grande conglomerado empresarial de Roraima, cujos controladores, condenados por múltiplos crimes sexuais contra vulneráveis, beneficiaram-se dos diversos ilícitos praticados pelos investigados.

A operação contou com o apoio do Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR) e do Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN).

*O nome da operação, Alésia, faz alusão à célebre batalha travada entre as legiões romanas e o exército gaulês em 52 a.C. Naquele enfrentamento, as forças da então República romana guerrearam em duas frentes simultâneas e venceram, apesar da grande desvantagem numérica. De maneira análoga, os Poderes Constituídos precisam lutar em duas frentes distintas para recobrar o controle do sistema prisional de Roraima. Além de coibir as atividades das principais facções que atuam no estado, a destacada retomada perpassa pela desarticulação da organização criminosa que opera encrustada na estrutura da Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania de Roraima – SEJUC, integrada por servidores públicos do próprio órgão.

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