Artigo – Ainda podemos vencer o calor e o fim do mundo!

Por Oswaldo Bezerra

Estava me preparando par entrar no túnel da Avenida Padre Antônio Tomás e fazer a conversão para a Avenida Engenheiro Santana Jr. Senti um enorme calor. Encostei os dedos nas frestas do ar condicionado, que soprava realmente um forte vento gelado. Não era problema com resfriamento do carro; era o calor em Fortaleza que estava realmente de enlouquecer.

Isso me fez lembrar uma frase de um velho santareno, Antônio Conceição Albarado, que dizia “este calor cada vez mais forte vai, cada vez mais, gerar mais conflitos humanos”.

Caso o Livro de Apocalipse fosse atualizado para os dias de hoje, o calor seria um dos cavaleiros do apocalipse. Este Livro é o desfecho da história mais conhecida do Ocidente. O apóstolo João o escreveu com muita intensidade os acontecimentos do fim do mundo. Ele descreveu sangue, estrelas caindo do céu, gafanhotos com caudas de escorpião e dentes de leão. Terremotos, trovões e trombetas trazem um ambiente desesperador.

Os grandes vilões desta parte final da estória são os 4 cavaleiros do apocalipse: a peste, a fome, a guerra e a morte. Os cavaleiros representam os acontecimentos antes do fim. Como o Livro foi escrito por João no final do século I, foi influenciado com o contexto da época com fome, peste, guerra e por fim a morte.

Caso fosse escrito nos dias de hoje outros elementos seriam o destaque. As influências seriam outras, provavelmente, os dados científicos. Os cavaleiros estariam ligados provavelmente as alterações climáticas.

Um dos mais renomados psicólogos do mundo, Craig A. Anderson da Universidade de Iowa, afirma que as altas temperaturas aumentam comportamentos agressivos. Com o aumento da agressividade, aumentam também os sentimentos de hostilidade e pensamentos agressivos. Anos de estudo Craig Anderson o levaram a mesma conclusão que o velho santareno já sabia de intuição.

Não são apenas mal-estar e agressividade que a mudança climática trará. Trará insegurança alimentar e hídrica. Isso por si só já basta para aumentar os conflitos. Por ironia do destino, os países ricos, que mais contribuem para as mudanças climáticas, são os mesmos países que lutam para não receber refugiados das mudanças climáticas. Os conflitos, quando eclodem em um ambiente de desconforto com muito calor, e agressividade aumentada formam um cenário onde pessoas com cabeça quente irão lutar por recursos cada vez mais escassos.

O fim do mundo não é o fim de tudo, pode ser apenas o fim de tudo o que era conhecido. O mundo já acabou 5 vezes. Em todas estas vezes, mais de 75% de todos os seres vivos foram extintos. Estes eventos foram conhecidos como as grandes extinções.

A maior delas foi “a grande morte” que aconteceu há 250 milhões de anos. Daquela feita, 95% de todos os seres vivos foram extintos. Tudo aconteceu pelo excesso de gás carbônico na atmosfera. Por conta disso, o mundo ficou mais quente e os oceanos mais ácidos e com menos oxigênio.

Caminhamos para este quadro novamente. Caso nada mude, em 2100 testemunharemos outro colapso do ciclo de carbono. Ciclo este igual ao que desencadeou “a grande morte”. Teremos salvação? O Livro de João nos dá uma esperança. É que no fim o arcanjo Miguel derrota as forças malignas.

Somos a primeira espécie do planeta a poder intervir nas mudanças climáticas. Já possuímos uma tecnologia fantástica para remover gás carbônico da atmosfera. É a fotossíntese das plantas, algas e microorganismos marinhos. Um artigo da Revista Nature nos mostra que, se restaurarmos apenas 30% de nossas áreas degradadas, os ecossistemas poderiam retirar bilhões de toneladas de gás carbônico do planeta.

Por isso, a ONU estabeleceu que os anos de 2021 a 2030 fossem os anos da restauração ecológica. Caso todos os países colaborem, poderemos ser como Arcanjo Gabriel e vencermos este mal para adiarmos, por fim, o nosso apocalipse.

RG 15 / O Impacto

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