Nélio Aguiar avalia sua gestão e traça perspectivas para o próximo mandato

Nesta edição conversamos com diversas autoridades do governo municipal que fizeram avaliações. E, para fechar essa série de entrevistas, conversamos com o prefeito reeleito Nélio Aguiar, que falou sobre os avanços realizados no seu governo, o que faltou concluir e quais as metas para o próximo mandato a iniciar agora em 2021.

Para o prefeito, o resultado da eleição tanto no primeiro quanto no segundo turno foi positivo e o sentimento que ele tem é o de reconhecimento do seu trabalho e uma renovação de confiança e de esperança. Segundo ele, algumas pessoas são contra o processo de reeleição, pois em alguns casos existe certa decadência e comodismo por parte do gestor. Contudo, ele diz: “Eu não sou homem de me acomodar, sempre fui um homem de muita luta. Fomos colocados nessa missão de governar a terceira maior cidade do estado do Pará e eu, juntamente com a equipe, temos nos esforçado e nos dedicado, enfrentado grandes desafios na gestão. Enfrentamos crise financeira, estamos enfrentando uma pandemia, mas mesmo assim a nossa cidade vem mudando. Santarém está se transformando, ficando de cara nova, mas temos outros desafios pela frente, como o de fazer o ordenamento da nossa orla portuária, pois não havia um trapiche para encostar as embarcações, que ficavam quebrando o cais de arrimo. E hoje já estão quase prontos nossos piers e fico feliz em ver imagens de lá, de pessoas que vêm do interior, um ancião ou com dificuldade de locomoção, e antes eles tinham que subir uma escada de madeira, com risco de escorregar e cair. Mas agora, quando saem do barco já tem uma rampa acessível. Então estamos trabalhando para trazer avanço para Santarém e estamos conseguindo avançar naquilo que a gente se comprometeu, como levar asfalto para os bairros periféricos de Santarém que historicamente foram sempre esquecidos”.

Segundo Nélio, o asfalto já chegou a Dom Frederico, ao bairro do Santarenzinho e logo chegará ao Maracanã, onde serão feitas 22 ruas na grande área através de um grande investimento. Ele diz que se sente muito motivado e satisfeito com isso, pois é visível a felicidade da população com a obra chegando e as transformações acontecendo. “Queremos melhoria na qualidade de vida das pessoas. A gente quer ver o povo feliz em ver a cidade avançando, progredindo e tendo um governo sério, sem bandalheira e corrupção. Contamos então com uma equipe de trabalho comprometida em captar recursos e aplicá-los corretamente para fazer realmente a diferença na gestão pública de Santarém”, disse.

PRIMEIRO MANDATO – METAS NÃO ALCANÇADAS

Sobre os seus quatro anos de mandato, quando questionado se faltou alguma meta/obra que gostaria de ter cumprido, o prefeito contou que há dois projetos que não conseguiu concretizar e concluir. O primeiro foi à questão do abastecimento de água, na qual ele tentou romper o contrato com a Cosanpa para poder fazer uma concessão visando atrair investimentos privados.

“Eu tentei romper o contrato porque a gente precisa de mais de 500 milhões de reais de investimento tanto em água quanto em esgoto para a gente exterminar o esgoto a céu aberto”, contou. “Inclusive, quem puder fazer um sumidouro enquanto não chega um projeto de saneamento, faça, pois não tem asfalto ou piçarra que resista. Você faz um investimento, mas o morador joga água servida na rua e isso acaba com o leito dela. Trabalhamos também para que um dia possamos eliminar as fossas, pois há casas que tem o poço na frente, mas fossas nos fundos. A pessoa acha que está livre de contaminação, mas a contaminação não é na parte superficial, é lá embaixo no lençol freático, e se você tiver um poço raso vai tomar água contaminada e adoecer. Com isso são mais pessoas nos postos de saúde e no hospital. Então por isso precisamos de muito investimento, porém não conseguimos romper o contrato, pois a Procuradoria do Estado entrou contra a prefeitura e perdemos essa batalha jurídica. Por isso tivemos que manter o contrato com a Cosanpa e recuar o projeto. Felizmente esse fato serviu para que a empresa voltasse a investir mais em Santarém com perfuração de novos poços, construção de novas redes e substituição da antiga rede de amianto em alguns pontos da cidade”.

Continuando, Nélio Aguiar falou que o outro projeto que também não deu certo, embora a licitação tenha ido até o final, foi o do transporte público. “A empresa que ganhou a licitação na hora de colocar os ônibus simplesmente não honrou o contrato. Então nós fizemos um destrato e voltamos à estaca zero. Foi a nossa primeira experiência no município, que nunca tinha feito uma licitação de transporte coletivo. Então a equipe técnica apresentou alguns estudos e direcionamentos e no final de todo esse processo a gente reconheceu que houve algumas falhas, pois fizemos muitas exigências que acabaram tornando o contrato sem condições de ser executado. Nós colocamos que o ônibus tinha que ser novo ou seminovo com dois anos. Mas nenhuma empresa de qualquer lugar vai vender um ônibus seminovo com dois anos de uso. E é muito caro um ônibus novo. Então temos coisas para ponderar, como a questão do lote único, a quantidade de linhas, e agora vamos retomar isso futuramente em uma audiência pública”.

Porém, em relação às audiências públicas, o prefeito fez uma reclamação, pois segundo ele as pessoas não se interessam em comparecer. “O empresário não se interessa, o cobrador, o motorista e o usuário não vão participar. E quando às vezes vai um ou dois, eles vão para protestar e não contribuir. E no final do processo querem mudar as decisões tomadas. Uma licitação não pode ser mudada de acordo com a vontade e interesse de cada um. Então o momento de questionar e propor será na audiência pública”.

SEGUNDO MANDATO

Quando questionado sobre as críticas que surgem através de frases como “os políticos só trabalham no final do primeiro mandato para serem reeleitos e depois não fazem mais nada”, o prefeito Nélio disse que Santarém não receberá isso dele, pois espera fazer um segundo mandato ainda melhor do que o primeiro. “Estamos mais experientes, já sabemos onde erramos e eu tenho a humildade de reconhecer os erros. Quando recebo críticas construtivas eu as assimilo e aprendo. Somos seres humanos sujeitos a falhas, mas temos sempre que buscar ser melhores a cada dia. E eu tenho esse compromisso. Se nós trabalhamos nos 02 últimos anos foi porque tivemos que plantar lá atrás. Quando eu cheguei, a prefeitura estava numa  situação bastante crítica. Nós tínhamos mais de 11.000 servidores, e hoje temos 9.600, pois tivemos que cortar. Tínhamos dívida com o INSS, porém renegociamos e agora não atrasamos mais nenhum dia. A prefeitura está adimplente, e saímos da nota C  para a nota A junto à Secretaria do Tesouro Nacional que avalia a condição fiscal das prefeituras. E tudo isso foi resultado de uma gestão séria e eficiente e com trabalho em equipe,  que é o alicerce de uma gestão. A prefeitura com o nome sujo não consegue assinar convênios nem com o Governo do Estado nem com o Governo Federal. E só com recurso próprio, como IPTU e Alvará, a gente não consegue fazer nada. Para fazermos grandes obras e projetos precisamos estar com o nome limpo, por isso eu capricho muito para a gente conseguir os recursos. Só agora, nesse final de ano, estou conseguindo quase R$20 milhões para fazer o asfalto até o Pajuçara.Também consegui R$10 milhões através de emenda do deputado federal Vavá Martins para fazer três escolas, duas escolas no bairro Salvação e uma no bairro da Vigia. E só conseguimos isso através da articulação política e da credibilidade que temos por causa da situação fiscal da prefeitura de Santarém que está com o nome habilitado para assinar convênio.

SAÚDE NO MUNICÍPIO

Sobre a situação da saúde em Santarém, Nélio sempre foi bastante cobrado por, além da política, ser médico há muitos anos. Em relação à experiência de colocar a administração da saúde através das OS (organização social), na sua avaliação houveram ganhos e aprendizados, mas também alguns problemas. “A gente tem, por exemplo, aqui, o Hospital Regional do Baixo Amazonas que é OS, que funciona bem e inclusive é bem avaliado nacionalmente. O Hospital Regional do Baixo Amazonas está entre os dez melhores hospitais do país e, inclusive, quando eu estive internado lá e tentaram me levar para São Paulo, eu tomei a decisão de ficar, pois confio no HR e na equipe que trabalha nesse hospital de excelência. O nosso maior problema não é só o modelo de gestão, se ele é gestão própria ou compartilhada, que é o modelo da OS. O problema maior nosso é o financiamento. A gente recebe R$3.400.000,00 por mês para gerir o Hospital Municipal. Já o Regional recebe R$14.000.000,00. Como é perceptível, a diferença de financiamento é absurda, além de que o HR trabalha de portas fechadas, ou seja, só atende aquele paciente que estiver agendado. Já o Municipal não, pois lá é ‘porta aberta’. Então a previsão de custo sempre fura, sempre dá mais porque tem um acidente, tem um esfaqueado, um baleado, coisas que acontecem na região toda, mas correm todos para o Hospital Municipal. Então, inclusive, a gente nem consegue atrair muito o interesse das OS. A gente faz licitação e aparece uma ou duas interessadas no máximo, justamente por conta de o financeiro ser apertado. Tivemos uma primeira experiência com uma OS e não foi muito boa. Com esse tipo de trabalho algumas coisas melhoraram, mas muita coisa ficou a desejar, tanto que a gente fez uma nova licitação e agora estamos com uma nova OS, que é a Mais Saúde”.

“A Mais Saúde está há pouco mais de 03 meses conosco e eu tenho cobrado muito da minha equipe para a gente fazer auditoria, fazer fiscalização, pois passamos os recursos e precisamos saber o que está sendo feito com esse recurso, que não é da OS e nem meu, mas é da população. E vamos continuar avaliando, tendo auditorias, recebendo relatórios, e da minha parte não vai ter problema nenhum se daqui para a frente um dia chegarmos a conclusão de que essa segunda tentativa não funciona, e se por um acaso não der certo a gente volta atrás. Eu quero que as coisas funcionem e dê resultados”.

NOVAS SECRETARIAS

Sobre algumas mudanças relacionadas às secretarias de governo, Nélio explicou que houve uma mini reforma administrativa e com isso a equipe teve que ser ‘remexida’. Uns irão permanecer, mas também entrarão secretários novos. “A gente já formou toda a equipe do primeiro escalão e continuamos trabalhando, formando as coordenações, escolhendo chefe de divisão, de seção e os demais membros que irão formar a equipe de governo. Temos metas e planos de governo para honramos os compromissos com a população. Na primeira reunião eu já entreguei para os secretários de cada pasta o que a gente se comprometeu no plano de governo para que eles possam seguir, se planejarem e colocarem como prioridade o que foi anunciado para a população durante a campanha eleitoral”.

Por fim, o prefeito Nélio Aguiar prometeu fazer uma gestão ainda melhor que a primeira e desejou votos de felicidade para a população para esse ano novo que está chegando. “Quero aproveitar esse momento para desejar a todos os santarenos um feliz 2021 e que esse realmente possa ser um ano de esperança, que a gente possa ter uma vacina que funcione, e que possamos ter segurança e ter saúde para recuperarmos a nossa vida normal”.

Por Thays Cunha

RG 15 / O Impacto

Um comentário em “Nélio Aguiar avalia sua gestão e traça perspectivas para o próximo mandato

  • 31 de dezembro de 2020 em 08:30
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    SAI PREFEITO E ENTRA PREFEITO E A BARJONAS DA PRAÇA TIRADENTES ATE A BORGES LEAL, SÓ FAZEM TAPAR BURACO. QUANDO VAI TER UM PREFEITO QUE MANDR RECAPEAR ESSA RUA?

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