Artigo – As grandes mudanças de início do ano que estão abalando os alicerces do mundo

Por Oswaldo Bezerra

O ano já tem início com o flerte de Trump com a política chegando ao fim. Seu legado foi uma América assolada, dividida, rancorosa e com um alto grau de instabilidade. Biden não será capaz de consertar o que foi deixado.

O ex-primeiro-ministro australiano John Howard, vencedor de quatro eleições, disse que toda entrevista coletiva de Trump, relacionada ao Covid-19 foi “uma nota de suicídio eleitoral”. A rejeição da Suprema Corte, com a ação legal de Trump, nunca esteve em dúvida, apesar de três nomeados de Trump sentados no banco.

A depravação do processo político de Trump fará com que uma proporção significativa da população americana nunca considere Biden um presidente legítimo. É a receita para a instabilidade política de um país.

A União Europeia e a China, duas superpotências geoeconômicas, aproveitam justamente o hiato, na transição entre Trump e Biden, para formular um acordo abrangente de investimentos, apesar da oposição dos Estados Unidos que não podem impedir a retomada, interrompida pelas sanções de Washington, ao gasoduto Nord Stream 2 entre a Alemanha e a Rússia. Os EUA estão isolados.

Dois principais atores geoeconômicos do planeta movem suas peças para se posicionar no mundo pós-COVID-19: a União Européia e a China anunciam um Acordo Compreensivo de Investimentos (CAI, na sigla em inglês) por bilhões de dólares, apesar da oposição franca dos EUA tanto de Trump quanto de Biden.

Antes, ocorreu a surpreendente decolagem do 15-RCEP liderado pela China, firmado e acompanhado por Japão e Coréia do Sul que impressionou o mundo. O grupo é composto também por 10 países do bloco do Sudeste Asiático ASEAN e dois países da “Anglosfera”, Austrália e Nova Zelândia. Ao mesmo tempo ocorre a saída da Grã-Bretanha da União Europeia, para se conectar com a região Indo-Pacífico.

O Brasil, em guerra com o Mercosul, ainda não deu mostras de deixar a vassalagem aos EUA, como fazíamos com Trump, agora com um novo presidente americano. O país está desconectado com o mundo, muito por conta de seu chanceler “terraplanista”, e com uma recuperação econômica duvidosa.

Bolsonaro, eleito por uma associação internacional de jornalistas investigativos como o maior corrupto do mundo em 2020, tem 19 familiares em investigação por corrupção. O presidente sofre pressão para privatização de tudo, e para oficializar a remuneração da sobra de caixas dos bancos. Não lhe é deixado brecha para mais nada.

A economia é sustentada por consumo, investimento privado, exportações e gasto do governo. As exportações se manterão como a variável fixa desta equação. O consumo está condenado com o fim do Auxílio Emergencial. Investimentos privados não virão tão cedo. O que resta ao governo é o controle do gasto público. O problema é que o não rompimento com as regras fiscais será fatal para o país, pois sem investimentos governamentais a economia não vai crescer.

RG 15 / O Impacto

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