Artigo – O Pará é o estado que mais titulou áreas quilombolas, mas ainda falta maior presença do governo

Artigo: Por Oswaldo Bezerra

Como grande parte dos brasileiros, sou descendente de europeus, indígenas e negros escravizados. O meu ramo africano se estabeleceu no Quilombo de Itaboca, no município de Inhangapi, distante 100 km de Belém.

Os negros escravizados, que conseguiram fugir do trabalho forçado nas fazendas, subiram os afluentes de rios no Pará em canoas. Percorreram distancias de até 230 quilômetros. Muitos foram ajudados pelos índios para se instalar.

Influenciado pelos índios, a identidade cultural quilombola na Amazônia é marcada por ampla solidariedade como preceito comunitário. Caçam, produzem farinha, roçam e passam suas experiências por comunicação oral.

Contudo, a identidade cultural quilombola não é só viver na comunidade, é também se relacionar com o mundo exterior. É por isso que hoje existo.

Foram, no passado, protegidos pelas barreiras naturais da selva e de quedas d’água, onde construíram suas casas à beira do rio, nas partes mais altas e escondidas. Por anos, os quilombos foram abrigos de negros escravizados refugiados, que se firmaram na área, formando famílias inteiras que começaram a trabalhar principalmente com a agricultura para sobreviver.

Hoje, além da agricultura, o extrativismo do açaí e a produção de farinha de mandioca são as principais fontes de renda e trabalho da população remanescente de quilombo. Os quilombolas são protegidos hoje por Leis, que reconhecem seus direitos a posse de suas terras.

O Pará é o estado brasileiro que mais titulou áreas quilombolas. É no Pará que encontramos também o maior quilombo titulado do Brasil, Cachoeira Porteira, com uma área de 225 mil hectares de terra, beneficiando 145 famílias e mais de mil pessoas.

Ao todo, existem 178 comunidades quilombolas no Brasil; destas, 62 estão no Pará. Somente nos últimos cinco anos, o Governo paraense emitiu mais cinco títulos coletivos.

O grau de satisfação do povo quilombola, quando recebem a posse das terras, é imenso. Afinal, são comunidades seculares, que têm por direito essas áreas. Acima de tudo, é um reconhecimento histórico para aqueles que sofreram o maior dos terrores proporcionado por nosso país: a escravidão.

Nem tudo são flores para os quilombolas do Pará. Há dificuldade de acesso à tecnologia, há comunidades sem energia elétrica. Falta escola. Há a barreira de desinformação. O governo não leva a informação do que é a Covid-19. Os Quilombos do Prá concentram a maioria das mortes por Covid-19 no Brasil. Falta de política de saúde. Boa parte dos quilombolas do Pará não tem sequer o direito de fazer uma simples consulta médica.

RG 15 / O Impacto

2 comentários em “Artigo – O Pará é o estado que mais titulou áreas quilombolas, mas ainda falta maior presença do governo

  • 24 de janeiro de 2021 em 08:53
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    Curioso, as colônias de japoneses, alemães, italianos e de poloneses, estabelecidas no Brasil, nunca ficaram esperando ajudas de governo !

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    • 25 de janeiro de 2021 em 10:48
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      Estes foram povos escravizados no Brasil?

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