Artigo – Silenciadas, a crueldade dos tribunais de inquisição de ontem e de hoje

Por Oswaldo Bezerra

A pior das características humana é a crueldade. Esta característica se define com atos recheados de maldade, tirania e prazer em fazer o mal. Na idade média nós, os humanos, levamos estes atos ao extremo.

Tudo foi fruto da religião que criou o Tribunal da Inquisição. Os homens que se achavam “pessoas de bem” utilizavam-se destes tribunais para, no entender deles, combater a heresia, a blasfêmia e a bruxaria. O resultado foram milhões de assassinatos cruéis de inocentes.

Há poucos dias a Netflix lançou o filme “Silenciadas”. O filme conta a história real de moças adolescentes que participaram de uma festa na floresta e por isso foram condenadas a morte como bruxas. O fato ocorreu no País Basco em 1609.

No filme chama a atenção o funcionamento do tribunal. O juiz é o próprio promotor. Não havia uma defesa, apenas tortura. Em reunião com seus ajudantes o juiz já deixa tudo sequenciado.

O cronograma era explicado aos assessores e a sequência era interrogação com tortura, manuscrito das provas e no terceiro dia a condenação. Tudo não passava de um teatro, tudo era previamente definido. O final de um filme baseados em fatos reais nunca é feliz como os de ficções, desculpe a antecipação.

Você acha que este tipo de crueldade é coisa do passado e só teria palco na idade média? Os tribunais conhecidos como Volksgerichtshof, em alemão “tribunal do povo”, foi um tribunal político do regime nazista. Foi tristemente célebre pelo grande número de sentenças de morte, mais de 5000, pronunciadas em seus poucos anos de existência, sobretudo entre 1942 e 1945.

Em 6 de fevereiro de 2019, a juíza Hardt proferiu sentença no caso do sítio de Atibaia. Ela condenou Lula a 12 anos e 11 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Tudo já havia sido pré-definido um mês antes.

A revelação veio através de um áudio do procurador Deltan Dallagnol, que demonstrou a parceria entre o procurador e a juíza. Já estava tudo definido antes mesmo da juíza ler as 1600 páginas da defesa do ex-presidente. O método do tribunal da Lava Jato é idêntico ao do País Basco de 1609, inclusive na crueldade.

Depois da prisão do ex-presidente, uma criança de cabelos encaracolados de 7 anos o visitava frequentemente, na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. Era um neto muito apegado a Lula.

O ex-presidente reclamava do tablet que foi tomado do seu neto. O garotinho sempre perguntava a Lula quando ele o teria de volta para brincar. O ex-juiz Moro negou a devolução. A criança nunca mais viu seu tablet nem seu avô. A criança foi proibida de visitar seu avô e veio a falecer em seguida.

Conforme revelam mensagens de chats privados no aplicativo Telegram, enviados ao site The Intercept Brasil, membros da Lava Jato comemoraram a morte da criança (Link 2). Foi uma conduta que reitera nossa desesperança de que a crueldade que os homens fazem vive para sempre.

RG 15 / O Impacto

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