Artigo – No limiar do impensável

Por Oswaldo Bezerra

Hoje fiquei até surpreso com uma notícia. O pior ministro do meio ambiente da história do Brasil pediu demissão. Ricardo Sales era sabido por todos não teria vida longa se Trump não se elegesse. Bastou uma “pressãozinha” nesta semana do governo americano para que ele caísse.

Claro que antes teve o episódio no qual o governo norte-americano apresentou provas que o Ministério do Meio Ambiente incentivava a venda de madeira ilegal para os EUA e Europa.

Em outros tempos você pensaria que isso seria um absurdo, mas vivemos na América Latina. Tudo aqui pode acontecer. Quer mais? O delegado da Polícia Federal que investigava Ricardo Salles, e se transformou em alvo dos madeireiros ilegais da Amazônia, foi exonerado do cargo. Estamos mesmo vivendo no limiar do impensável.

Daí vem a pergunta. De onde surgiu, quem inventou o pior ministro do meio ambienta da história? Uma história de tragédias mal contadas como a do vazamento de óleo no Nordeste, com finalidade de culpar a Venezuela, a campanha do “passar a boiada” enquanto a imprensa se preocupa com o coronavírus, e a da venda da madeira ilegal para Europa e EUA.

A primeira pista para saber a origem deste gestor público incompetente vem de um panfleto político de 2018. Nele estava escrito: “Contra a praga do javali”, “contra o roubo de trator…”, “contra a bandidagem no campo”, “contra a esquerda e o MST”. Destas mensagens saía uma seta para munições de fuzis.O panfleto era justamente de Ricardo Sales que disputava uma vaga de deputado federal pelo estado de São Paulo.

O Partido era um que prometia trazer coisas novas, mas que na sua concepção nunca trouxe, na verdade, nada de “Novo”. Apenas representava a velha política conhecida dos tempos da “política do café com leite”. Na verdade, era um atraso.

Em São Paulo, onde concorreu, Sales já possuía conexões políticas. Ele foi secretário particular de Geraldo Alckmin, figura carimbada nas denúncias de caixa dois e lavagem de dinheiro do PSDB.

Salles informou em uma entrevista ao Jornal da Gazeta, em 2014, quais suas atribuições como secretário do Alckmin. Ele cuidava de todos os detalhes da agenda do ex-governador.

Em 2016, Salles passou a ser responsável pela pasta do Meio Ambiente do estado de São Paulo. Após assumir, Salles concedeu outra entrevista a TV Gazeta. Nesta nova entrevista, Salles afirmou que acabaria com a defesa irracional do meio ambiente. Ele se tornou o secretário do meio ambiente que queria combater o meio ambiente.

O que o Salles promoveu como secretário do meio ambiente de São Paulo foi algo bizarro. No início resolveu analisar todas as despesas da pasta, até aí tudo bem. É coerente de se fazer. Só que para isso, ele interrompeu todas as operações de manejos de parques ambientais, estações ecológicas além de outras unidades de conservação.Foi uma total paralisação da secretaria.

Todo o meio ambiente do estado ficou desprotegido. Ele também decretou sigilo ao cadastro ambiental rural. Foi de fato uma proteção aos ruralistas locais e ao mesmo tempo uma sonegação de informação pública.

Salles passou a ser investigado pelo Ministério Público Estadual já em 2017. Ele havia colocadoà venda propriedades públicas sem informar ou ter autorização do legislativo.

O ministério público também questionou o plano de manejo da área do rio Tietê. Segundo o Ministério Público, Sales adulterou mapas para favorecer industrias paulistas para avançar sobre a zona de proteção ambiental.

Devido as falcatruas, o MP pediu o afastamento de Salles e mais dois funcionários da secretaria. O MP também emitiu uma multa para Sales no valor de R$ 50 milhões por dano moral coletivo.

A situação de Salles se tornou insustentável com suas falcatruas sendo desmascaradas pela imprensa. Em agosto de 2017, sem outra opção, o então governador Alckmin retirou Salles do cargo.

Alckmin teve dor de cabeça por causa de Salles mesmo meses depois de tê-lo demitido. Restou ao ex-governador a fama de ter inventado Ricardo Salles, fama esta que nem o “Partido Novo” quer ter. Com todos estes problemas ele serviu como uma luva no novo governo federal, empossado em 2020. E aí deu no que deu!

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RG 15 / O Impacto

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