Polícia do Pará monitora 70 chefes de facções que estão em presídios federais

Atualmente, o Pará tem cerca de 70 pessoas privadas de liberdade que fazem parte de facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho Rogério Lemgruber (CVRL). Essas pessoas estão encarceradas em presídios federais, mas a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) atua em conjunto na gestão desses presos de alto risco e grande relevância no mundo do crime. São chamado de “torres” ou “conselheiros finais”, dentro da hierarquia das organizações. Esses apenados cumprem penas em celas isoladas, para impedir que possam chefiar outros detentos ou ter atividades do lado de fora.

O coronel Arthur Moraes, secretário adjunto da Seap, explicou que o envio dos “diretores” ou “presidentes” de facções para presídios federais faz parte dos procedimentos para controlar o sistema prisional. “Essas pessoas são identificadas por oferecerem riscos, mesmo presas em penitenciárias de segurança máxima, e encaminhadas para os presídios federais, onde ficam isoladas”, contou.

Moraes explicou que existe um pacto federativo, no qual o Pará contribui para a manutenção dos presídios federais. Por conta disso, sempre há vagas destinadas ao estado. Os chefões do crime ficam impedidos de ter contato com outros presos e de receber visitas, exceto dos advogados e familiares quando apresentam bom comportamento. Tudo para impedir que mensagens sejam enviadas para fora das prisões. É um grande desafio e que possui

“Nesses casos, você corta de forma definitiva a comunicação deles (presos), dificultando a interação com seus advogados, mas é lógico, não podemos deixar de dar esse direito a eles, afinal, todos têm esse benefício por lei. O isolamento contribui para que nenhuma mensagem chegue para as facções. Sempre há presos indo para os presídios federais e outros retornando”, disse o secretário adjunto..

“Para o estado, não há conversa com facção criminosa. Os líderes desses grupos são tratados de forma diferenciada dentro dos presídios para não contaminarem o restante da massa carcerária. Isso ocorria até 2018. Não quero dizer que alguém foi culpado ou que tenha ocorrido propositalmente, mas foi a forma como nós encontramos o sistema penitenciário. Então, isso desagrega muito, dificulta o controle, inclusive o cárcere seguro para os próprios presos”.

As estratégias para impedir que as organizações criminosas atuem dentro dos presídios do estado requerem uma série de procedimentos que são realizados pela Seap. Entre eles: o sistema de inteligência para identificar membros de facções; ordem e disciplina dentro da legalidade; promoção de cursos que possibilitem a inserção de apenados no mercado de trabalho e educação, além do tratamento humanizado que incluem tratamentos médicos.

Outra estratégia é ressocializar presos, para que não sejam cooptados por outros agentes das facções. Atualmente, 3.838 custodiados estudam e 2.576 trabalham no sistema penitenciário paraense. É um aumento de 65,7% e 38,49%, respectivamente, em comparação a 2018. O Projeto de Erradicação do Analfabetismo registrou elevação de 1.545% de custodiados a mais nessa atividade. Por fim, outro resultado de relevância está na participação dos custodiados no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2020). 560,87% mais internos alcançaram a média mínima e 1100% mais notas de 700 a 920 pontos na redação do Enem 2020.

Fonte: O Liberal

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