Secretário abre a caixa preta da Saúde Pública em Santarém

José Antônio diz que TAC será assinado, após reunir com prefeitos da região

Um mês depois da troca da direção do Pronto Socorro Municipal de Santarém (PSM), o titular da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), José Antônio Rocha, declarou em entrevista exclusiva à nossa reportagem, que o atendimento nos hospitais do Município está caminhando para melhor. Segundo ele, está havendo um diálogo junto aos promotores do Ministério Público Estadual (MPE) em relação ao pedido da assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) pertinente a saúde pública. José Antônio afirmou que os setores de urgência e emergência e pediatria são os que existem a maior carência de médicos em Santarém. Acompanhe a entrevista:

Jornal O Impacto: Secretário, como está a questão da saúde pública atualmente em Santarém?

José Antônio: Se formos fazer uma avaliação geral da saúde pública em Santarém, comparado com outros centros do País, podemos dizer que está razoável e caminhando para melhor. Existem várias ações no Município, no sentido de melhorar cada vez mais. Eu poderia citar a construção e o funcionamento do primeiro Pronto Socorro Municipal de Santarém, que não atende só os munícipes, mas toda a região Oeste do Pará; tivemos a aquisição de três ambulâncias do Samu; inauguramos também as unidades de saúde do Diamantino e da Área Verde; estamos inaugurando agora no mês de março a nova unidade da Jaderlândia. Temos a ampliação para atendimento 24 horas, da unidade de Alter do Chão, que serve tanto para a comunidade quanto para a demanda turística, sendo totalmente equipada. Inauguramos também consultórios odontológicos. A demanda é crescente por não ser apenas de Santarém e a gente precisa melhorar cada vez mais.

Jornal O Impacto: Existe possibilidade da Prefeitura de Santarém assinar o Termo de Ajustamento de Conduta, junto ao Ministério Público Estadual?     

José Antônio: Estamos cumprindo o que podemos aqui. Temos conversado com os promotores e respeitamos a decisão deles. Sabemos que eles estão conosco para tentar melhorar cada vez mais, mas temos limites. A saúde pública de uma forma geral no Brasil precisa de mais financiamento. Estamos discutindo com o Governo do Pará, através do Secretário de Saúde do Estado, assim como com os demais municípios, uma forma de vermos como devemos trabalhar a saúde na região Oeste. Santarém é pólo, e os demais municípios não têm ainda estrutura suficiente para fazer, nem sequer estabilizar seus pacientes nesses locais. Eles acabam mandando os pacientes para Santarém e, não pactuamos com os demais municípios urgência e emergência, mas nem por isso vamos fechar as portas para eles, de forma alguma, vamos recebê-los e continuar dialogando, discutindo e vendo um método para melhorar tanto a saúde pública aqui quanto nos demais municípios, para que a gente tenha menos pacientes vindo para cá, senão, vai chegar a um determinado ponto que não teremos como deixar o Hospital e PSM suficiente para atender a demanda, como está hoje. Praticamente todas as vagas do PSM e do Hospital Regional estão preenchidas e precisamos de mais leitos nos dois logradouros de saúde, para que possamos atender uma demanda maior.

Jornal O Impacto: Tem previsão se a Prefeitura vai contratar mais médicos e enfermeiros para o PSM ou se haverá um concurso público para preencher as vagas no setor de saúde?

José Antônio: Estamos contratando médicos. Há uma situação de que cada médico que chega em Santarém e tem perfil de urgência e emergência, nós contratamos, independentemente de onde ele veio. Só queremos que o profissional tenha o perfil e, que saiba tratar no setor de urgência e emergência, que hoje, é onde temos mais dificuldades no PSM. Geralmente todos os meses fazemos novas aquisições. Somente em fevereiro foram feitas três novas aquisições de médicos, que vieram das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro para cá e, que já estão trabalhando no Hospital Municipal. Assim como entra médico em Santarém, também saem esses profissionais daqui, porque vão para outros centros se aperfeiçoar e com isso os perdemos. A gente sempre ganha mais do que perde nesse jogo. Acredito que com os novos acadêmicos do Curso de Medicina da Uepa, a partir do momento que eles forem inseridos no mercado de trabalho, além de novos profissionais que estão se formando na capital do Estado e em outros centros estão cada vez mais buscando o interior do Brasil, no caso a Amazônia, Belém, Manaus e Santarém, para que possam servir de espaços de trabalho para eles. Como gestor, procuro de todas as formas segurar esse profissional médico aqui. O médico de Alter do Chão, por exemplo, é de São Paulo e, logo que entrei na Semsa trouxe cinco profissionais de Manaus para trabalhar na urgência e emergência. Onde temos mais dificuldades são com médicos de urgência e emergência e pediatras, que temos poucos em Santarém e quase todos que existem na cidade, a maior parte deles trabalham conosco no PSM e, essa carência é maior.

Jornal O Impacto: Caso existam médicos em outras regiões do Brasil que queiram vir trabalhar em Santarém poderão ser contratados?

José Antônio: A gente aproveita para dizer que se existir médico pediatra que esteja disponível e queira vir trabalhar em Santarém, temos vagas disponíveis para contratá-los e colocar no PSM e no Hospital Municipal.

Jornal O Impacto: Antes da ex-diretora do PSM pedir demissão chegou a citar o nome de alguns médicos faltosos. Existe fiscalização em relação a essa questão?

José Antônio: Sempre temos cobrado dos médicos. Em Santarém existe uma carência muito grande de médicos e muitas vezes estão trabalhando no Hospital Municipal, na UTI, no HRBA e nas clínicas particulares, sendo o mesmo profissional. Muitas vezes acontece que o médico não chega a tempo, mas temos cobrado sempre, insistindo e trazendo mais clínicos de fora, no intuito de diminuir a carga de trabalha pra eles. Se conseguirmos trazer mais médicos, eles podem trabalhar com mais independência de outros hospitais e demais locais que fazem saúde pública no Município. Estamos quebrando essa barreira de dizer que não contratamos médicos, ao contrário queremos contratar e estamos disponíveis. O médico deve nos transmitir a garantia do bom atendimento e que vai cumprir religiosamente aquilo que pactuou com a escala de trabalho. Sempre temos médicos no Hospital, mas existem aqueles que adoecem e que faltam por outros motivos e que traz um prejuízo para a gestão e para a população que procura o PSM.            

Jornal O Impacto. O que motivou a prisão da ex-diretora do Hospital Municipal, Ana Cláudia Tavares.

José Antônio: Prefiro deixar como está. O Ministério Público fez o seu papel e a Polícia também. Nós tomamos nossas providências, mas isso faz parte do passado…

Por: Manoel Cardoso

Um comentário em “Secretário abre a caixa preta da Saúde Pública em Santarém

  • 4 de março de 2011 em 09:57
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    Acho que essa caixa aberta está com qualquer cor, menos preta é claro!

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  • 4 de março de 2011 em 09:45
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    Brincadeira do Sr. Secretario,. Ate agora nao existe plantonistas de especialidades no HMS (pediatria, ortopedia, neurocirurgia,otorrino) pois alegam que nao tem dinheiro. Como é que ele vem falar que qualquer medico que queira trabalhar no HMS a SEMSA ta querendo?? brincadeira. Sem falar na falta ainda de remedios e poucos funcionarios.

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