Classe média é a que mais consome

A dentista Caroline Machado

Eles gastam mais com roupas e acessórios, consomem mais produtos de perfumaria e visitam com mais frequência os salões de beleza. Com um crescimento de 31 milhões de pessoas em dez anos, a classe média brasileira é a maior responsável pelo consumo no país. O perfil, traçado pela pesquisa “Classe Média em Números”, lançada pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência (Sae), aponta que, além do alto potencial de consumo, a classe média brasileira é composta em sua maioria por jovens, com emprego formal e características heterogêneas.

De acordo com o estudo baseado nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), entre os anos de 2008 e 2009, a classe média foi responsável por 49% dos gastos com vestuário, contra apenas 33% da classe alta. No setor de perfumaria, no mesmo período, esse número chegou a 53%.

Sentada em um shopping center e rodeada por sacolas, a dona de casa Maria Ruth é exemplo disso. Integrante da classe média paraense, ela confessa que o que mais costuma comprar são roupas e perfumes. Possibilitada pelas facilidades dos cartões de crédito, a visita à perfumaria preferida é frequente. “Está mais fácil consumir, ainda mais se a pessoa tiver cartão”.

Já a dentista Caroline Machado costuma comprar mais roupas. Com um sorriso no rosto, ela lembra que, nos últimos tempos, seu consumo tem sido alto. “A classe média gira a economia. Os shoppings estão sempre lotados”.

A prevalência do consumo desses produtos entre pessoas que têm renda familiar entre R$ 1 mil e R$ 4 mil é explicada pela economista Giselle Arouck a partir do aumento do poder de compra da chamada classe C. “Houve um aumento da população economicamente ativa que já soma 70% da população”.

Segundo ela, o próprio perfil do país está mudando, o que reflete tanto na ascensão da população à classe média, quanto no seu maior poder de compra. “Se antes o Brasil era um país jovem, hoje é maduro. As pessoas produzem mais”.

A economista acredita que o quadro positivo tenha sido impulsionado pelos programas sociais implantados em todo o Brasil, além da maior facilidade de crédito atual. “As pessoas sentiram o efeito dos programas sociais. Além disso, o crédito aumentou”, afirma. “As instituições bancárias facilitaram muito o crédito”.
Diante desse quadro, ela observa um aumento também no consumo de serviços por parte da classe média. “Houve um aumento de mais de 50% no consumo de passagens aéreas, o que demonstra um aumento no consumo de serviços de um modo geral”.

Exemplo disso, o setor de serviços de beleza é movido, atualmente, pela classe C brasileira. De acordo com a pesquisa, 51% das despesas com cabeleireiro no Brasil entre 2008 e 2009 foram feitas pela classe média e apenas 35% pela classe alta.

Empresária e dona de um salão de beleza em Belém, Andréa Vieira atende em sua maioria mulheres pertencentes à classe média. São pessoas que se programam para gastar o que for necessário. “É um consumidor mais preparado, que procura por promoções e que exige um serviço de qualidade”. 

Fonte: DOL

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