Lula desiste do ato em favor da reforma política

Lula está negociando com partidos aliados

Na semana em que o Congresso deve bater o martelo sobre a divisão dos royalties do petróleo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desistiu de ir a Brasília hoje para participar de ato público a favor da reforma política. Presidente de honra do PT, Lula se envolveu pessoalmente nas negociações com os partidos aliados para tentar aprovar a reforma ainda este ano.

O texto da proposta, que permite às empresas estatais financiar campanhas eleitorais, está previsto ser votado na quarta-feira em comissão especial da Câmara. “A ausência do Lula não enfraquece o movimento a favor da reforma”, afirmou ontem o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP). “O ex-presidente alegou cansaço para não vir.”
“O fato de Lula não poder vir não diminui um milímetro o ato”, argumentou o deputado Henrique Fontana (PT-RS), relator da reforma política. “O Lula vai continuar ajudando a articular a reforma política.”

A assessoria de Lula confirmou que o ex-presidente não participará do ato hoje a favor da reforma política. Em dezembro do ano passado, Lula vetou a redistribuição dos royalties do petróleo de forma igualitária a todos os Estados e municípios do país. Esse veto pode ser votado na quarta, em sessão do Congresso, e a tendência é que seja derrubado. A presença do ex-presidente em Brasília poderia causar constrangimentos aos parlamentares.

Para tentar um consenso na reforma entre os partidos aliados, o ex-presidente já se reuniu com os dirigentes do PC do B, o PDT, o PSB e o vice-presidente Michel Temer, presidente licenciado do PMDB. As principais divergências são entre o PT e o PMDB, que têm posições antagônicas em pontos da reforma.

Sem Lula e com o esvaziamento do ato, os organizadores do evento em prol da reforma política esperam a presença de governadores como Sérgio Cabral (Rio de Janeiro), Cid Gomes (Ceará), Tarso Genro (Rio Grande do Sul) e Eduardo Campos (Pernambuco), além de representantes da OAB e da CNBB.

Pelo relatório de Fontana, as empresas estatais poderão financiar campanhas eleitorais. A proposta prevê a criação de um fundo específico, que será constituído com recursos governamentais e doações de empresas privadas e pessoas físicas.

Esse fundo vai bancar os gastos das campanhas eleitorais. O fundo enfrenta, no entanto, resistências de aliados do governo Dilma Rousseff, inclusive no PT, que tem como uma das bandeiras o financiamento público de campanha.

Fonte: Brasília/AE

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