Anestesistas acusados de formar cartel em Santarém

Dr. Luciano Azevedo, do SAOP, diz que não existe cartel na classe

O serviço na rede hospitalar no município de Santarém continua a causar polêmica entre os usuários. Denúncias encaminhadas à redação de O IMPACTO relatam que anestesistas interromperam o atendimento no Hospital Municipal, e a existência de Cartel desses especialistas na região Oeste paraense. Os profissionais estariam manipulando esse serviço, através da pressão salarial cobrada às instituições privadas e públicas. E ainda, outros profissionais da mesma linha não ligados ao grupo estariam impedidos de atender nas clínicas e hospitais particulares. Ou seja, o mercado para anestesistas fora desse grupo está bloqueado em Santarém. Vale lembrar que continuam as atividades pelo Serviço de Vigilância Sanitária (ANVISA/STM) com determinação do Ministério Público Estadual (MPE) e Ministério Público Federal (MPF), que fiscaliza a estrutura e qualidade do serviço da rede hospitalar oferecido à população santarena.

DENÚNCIA CHEGA À CÂMARA – A falta de anestesista no Centro Cirúrgico no Hospital Municipal também foi denunciada à Comissão de Saúde do Legislativo. O vereador Nélio Aguiar, membro da comissão, confirmou a denúncia de interrupção dos atendimentos e explicou que o problema veio da inexistência de uma isonomia salarial. “Ficamos sabendo dessa paralisação provocada por acordos salariais entre os especialistas dentro do HMS. A Secretaria Municipal de Saúde fechou um contrato muito bom com os ortopedistas e isso causou um desconforto aos anestesistas. Por um exemplo, o anestesista ganha R$ 700 por plantão e o cirurgião recebe R$ 1.100. No entanto, os anestesistas alegam realizar atendimentos a mais que o cirurgião em único plantão”, disse o Vereador. Nélio desconhece a formação de Cartel, por indicar que essa rede trabalha com um valor único. E isso não ocorre na cidade, o serviço desse grupo de especialista é o cooperativismo existente em qualquer categoria trabalhista. “A entidade atuante é a Cooperativa de Anestesiologistas do Pará (COOPANEST), e na cidade de Santarém existe a representação, o Serviço de Anestesista do Oeste do Pará (SAOP). Essa entidade foi contratada para o Hospital Municipal e o Regional, o problema está no Municipal”, disse Nélio.

COMISSÃO REÚNE COM SECRETÁRIO – A comissão formada pelos vereadores Nélio Aguiar, Gerlande Castro e a presidente a vereadora Marcela Tolentino, foi pedir providências ao caso. O encontro com o secretario Emanuel Silva, ocorreu na última terça-feira, dia 11. O Secretário informou que foram paralisados os serviços dos anestesistas em cirurgias eletivas e continuava a ser feito as de emergências, logo que encerrou o contrato com a Cooperativa no final de setembro. E nessa semana, o serviço estava normalizado, a Secretaria teria renovado o contrato e o presidente da entidade estaria vindo para assinar o documento. “Como toda negociação, é um direito da categoria fazer as suas reivindicações de valores e correções. E nesse período de negociação com a COOPANEST-SAOP, os anestesistas estavam realizando as cirurgias de emergências”, Disse Emanuel Silva.

O secretário Emanuel Silva foi questionado quanto a existência do Cartel, ocasião em que disse desconhecer e confirmou o serviço de cooperativa. “Não existe cartel, existe uma cooperativa que todos os anestesistas do Pará fazem parte”, informou.

DENÚNCIA – Uma das denúncias encaminhadas ao jornal O Impacto diz que: “Os anestesistas destas cooperativas médicas em Santarém esqueceram falar das graves irregularidades que eles cometem: – Os médicos dessa cooperativa SAOP não respeitam o Código de Ética Médica e colocam seus interesses coorporativos e pessoais acima do interesse de servir a saúde publica. Os anestesistas da SAOP fazem plantões simultâneos em unidades hospitalares situadas em locais distintos; É vedado eticamente o plantão simultâneo de médicos em unidades hospitalares situados em locais distintos. O portal do SUS na Internet define que O comportamento de vocês anestesistas da SAOP, além de ser ilegal é imoral”.

ANESTESITAS ESCLARECEM – Nossa reportagem procurou o presidente do SAOP, o anestesista Luciano Azevedo, para explicar a finalidade da entidade em Santarém, e disse que a proposta maior é fazer algo para a comunidade santarena crescer, disponibilizando serviço de qualidade. E nega a identificação do grupo como Cartel. “Não trabalhamos com um preço único no sistema privado, convênios, do Sistema Único de Saúde, e cirurgias eletivas da Maternidade São Camilo, trabalhamos com preços bastantes baixos e a cidade tem outras opções de especialistas, por isso desconsideramos a informação de monopólio”, informou.

O SAOP é constituído de 8 especialistas. O presidente confirmou a sobrecarga de trabalho, mesmo assim realizam serviço de qualidade. Luciano afirma que a entidade precisa de mais profissionais, porém, o mercado em Santarém pelo baixo custo oferecido ao serviço deixa de ser atrativo a anestesistas de outros estados. ”Estamos conseguindo manter o atendimento nos acordos feitos junto o SAOP, o preço é tabelado, mas existe a negociação em preços mais baixos, através de descontos. Hoje o que cobramos no SAOP é abaixo da capital e de outros estados”, disse Luciano.

A assessoria do Ministério Público Federal (MPF) foi procurada por nossa reportagem e informou em nota que não havia recebido denúncias sobre isso. A informação foi encaminhada ao procurados da República, Dr. Cláudio Henrique Cavalcante Machado Dias, que só poderá se pronunciar sobre o assunto após analisar a questão.

Por: Alciane Ayres

8 comentários em “Anestesistas acusados de formar cartel em Santarém

  • 22 de abril de 2013 em 23:08
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    VOCÊS REALMENTE ACHAM UM ABSURDO ANESTESISTA COBRAR 60 REAIS/HORA? SÃO MAIS DE 11 ANOS DE MUITO ESTUDO, PAGANDO MUITO CARO PELA FORMAÇÃO E TENDO UMA ENORME RESPONSABILIDADE.

    A ANESTESIA GERAL PODE MATAR, E A RAQUIDIANA PODE DEIXAR O PACIENTE PARALÍTICO!!! NÃO É INCOMUM, MESMO COM OS MELHORES ANESTESISTAS!!

    SE O MÉDICO COBRAR BARATINHO E VOCÊ FICAR PARALÍTICA OU SEU FAMILIAR MORRER, VOCÊ DEIXARÁ BARATINHO TAMBÉM??

    SERÁ 700 REAIS POR 12 HORAS DE PLANTÃO PAGAM BEM AS DÍVIDAS DE 11 ANOS FACULDADE/ESPECIALIZAÇÃO E UMA INDENIZAÇÃO POR MORTE OU LESÃO INCAPACITANTE??

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  • 30 de outubro de 2011 em 14:27
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    sao uns carteis sim, fazem barbaridades cobram caram colocam bancas vedam espaco pra mas anestesistas sao uns mercenarios

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  • 17 de outubro de 2011 em 00:29
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    Temos que para com esse negocio de cooperativa de medicos nos hospitais e unidades de saúde do SUS em Santarem. Isso so beneficia temporariamente pequenos grupos de profissionais, que querem obter vantagens pessoais a curto prazo e, aqueles governantes que nao querem pagar os direitos trabalhistas e previdenciarios dos trabalhadores da saúde e/ou não tem compromisso com as Diretrizes Nacionais para a instituição de Planos de Carreiras, Cargos e Salarios no ambito do SUS. A Prefeita de Santarem e o Governador do Estado devem seguir as Diretrizes Nacionais do PCCS-SUS, que dizem:
    Art. 3º A instituição ou reforma de planos de carreiras no âmbito do Sistema Único de Saúde deverá observar os seguintes princípios:
    I – da universalidade dos planos de carreiras, entendendo-se por este que os planos deverão abarcar todos os trabalhadores dos diferentes órgãos e instituições integrantes do Sistema Único de Saúde;
    II – da equivalência dos cargos ou empregos, compreendendo isto a correspondência dos cargos criados nas três esferas de governo no que se refere à denominação, à natureza das atribuições e à qualificação exigida para o seu exercício;
    III – do concurso público de provas ou de provas e títulos, significando este à única forma de ingresso no serviço, para o exercício de cargo ou emprego e acesso à carreira;

    Prefeita de Santarem e Governador do Estado, implementem as Diretrizes Nacionais do PCCS-SUS, com mais concursos publicos e instituicão de planos de carreira no nosso Municipio.

    Acabem de vez com os esses contratos com cooperativas medicas que não ajudam em nada a garantia dos direitos do trabalhadores da saúde e nem a melhoria da assistência à saúde da populacão.

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  • 15 de outubro de 2011 em 10:07
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    Estão achando 700 reais muito…..vcs não imaginam o que nós passamos nos plantões …e além de tudo em todos os lugares do Brasil temos cooperativas de anestesistas e tudo da certo ..ninguém quer estudar tanto pra ganhar tão pouco e fica a merce do estados e municipios, temos de ter nossa autonomia e poder também. Esse final de história eu sei como acaba…vcs pagam pouco …nós não vamos para o interior e depois vcs ficam sem anestesistas na cidade !! Essa eu conheco de Longe ! Gente nosso trabalho também tem muita responsabilidade.

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  • 15 de outubro de 2011 em 06:37
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    As autoridades tem que agir e acabar com essa cooperatva. Esse tipo de socidade e para produtor rural. E Aumentar o preco

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  • 15 de outubro de 2011 em 06:34
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    Se criaram uma cooperativa e sinal de cartel.

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  • 15 de outubro de 2011 em 00:40
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    chamar essa quadrilha de cartel, e ate um afronto aos cartéis

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  • 14 de outubro de 2011 em 17:35
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    Rapaz acho que valor 700,00 nao existe e babo furado… e cartel mesmo.

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