UMA SINGELA E JUSTA HOMENAGEM

Fiquei surpreso quando li no Jornal o IMPACTO a notícia do falecimento do ex-atLeta tricolor, NATINHO, um exemplo de pessoa e de atleta, durante o período em que conviveu conosco na Presidente Vargas, e nada se soube, durante sua existência e no período em que esteve em outros clubes que desabonasse a sua conduta. Esta para mim era de conduta ilibada.
Quase diariamente eu o encontrava revisando os semáforos dos cruzamentos das ruas da nossa Cidade. Eu sempre baixava o vidro e gritava: Estão consertando o tabajara? Ele e seu amigo, também ex-atleta JUAREZ, gritava, Ei, seu Eduardo! E assim convivemos nos últimos anos. Ausento-me, sempre por alguns dias da Pérola (negra de sujeira) antiga do Tapajós, mas estou aqui, voltando a organizar o Sub 20 do Tricolor da Presidente Vargas. E tomei conhecimento do triste fato.
NATINHO era de uma família que quase todos, ou todos, os Gonçalves jogaram no Fluminense pela amizade que tinham com o meu saudoso pai, Élvio Fonseca. O primeiro foi o ELSON, (in Memória) grande goleiro que saiu do tricolor, na época, da Mendonça Furtado e chegou a jogar em alguns clubes de Manaus e Rio de Janeiro. ELSON foi o responsável pelo meu primeiro mergulho no Rio Tapajós. Quando terminava os treinos do Fluminense, que tinha o seu campo onde hoje é a UEPA, ele me trazia, no “cangote”, até a “beira” e chegava lá me jogava, n’água, geralmente era na praia, próxima da Trav. Padre João. Depois, LUIZ (que também foi Diretor do Clube), CLÁUDIO; até o GILSON, já filho do LUIZ, jogaram no Tricolor da Presidente Vargas.
O NATINHO veio jogar no Fluminense, após o seu sucesso no bairro e no Esporte Clube Santarém, trazido pelo Diretor de Futebol, JERÔNIMO PINTO. E de cara foi logo titular do time, lançado pelo “nenhum pouco exigente” VAVÁ ARAÚJO (in Memoriam), e tornou-se xerife da zaga do Fluminense, como em todos os outros clubes em que passou.
Aí, vou lhe contar uma dos bastidores do futebol amador de Santarém (época de ouro do nosso futebol). Jogo entre SÃO FRANCISCO (da Rui Barbosa) e FLUMINENSE e o S. Francisco precisava da vitória para ir para a final do campeonato. Então, um dos diretores do Leão chegou com o NATINHO e lhe ofereceu dois mil cruzeiros, para ele “abrir”. Ele ouviu. Ficou calado, não deu nenhuma resposta. Mas o assunto “vazou” e na reunião da diretoria do Flu, o papai chegou a dizer: Eu não acredito! Nenhum atleta do Fluminense seria capaz disso e, em especial, o Natinho”. “Ele é muito homem!”. No dia do jogo, na hora da preleção, o NATINHO pediu a palavra e confirmou o que estavam falando, mas ele queria que todos os jogadores jogassem com vontade, porque ele ia fazer a melhor partida de sua vida, até aquela data. Fomos para o Elinaldo Barbosa, (hoje, depósito de dengue e lugar, para encontros sexuais de “gangueiros” e viciados que lá vão fazer a “cabeça” e atacar as pessoas que estão na parada de ônibus ali perto), o Fluminense jogando um bolão, jogadores colocaram “o coração no bico da chuteira” (naquela época era preta e branca, não tinha dessas “coisas” coloridas), mas a máfia, (era até gostosa) que existia no Futebol santareno, outrora, entrou em ação. Aí houve, um pênalti que só árbitro viu, na reclamação dos jogadores do Fluminense, adivinhem quem o árbitro expulsou? Ora, O NATINHO. E o Fluminense perdeu por um a zero, e saiu da decisão do campeonato santareno. Era só assim que tiravam o Fluminense, por muitos anos. Mas o NATINHO chegou triste na sede, era jovem, mas, como todos os atletas sempre recebiam, após cada partida, antes do bicho, (às vezes magro, às vezes gordo) um cumprimento sincero e quase paternal do seu Élvio Fonseca, na porta da sede. E depois, foi reverenciado pela diretoria e sempre foi benquisto e bem recebido no Clube.
Por isso é que venho de público em nome da Família Fonseca e do Fluminense Atlético Clube, prestar essa singela homenagem a esse cidadão que não foi só atleta, mas, também, amigo da família, e deixou dentre outros, tenho certeza, esse exemplo de integridade neste mundo infestado de Corruptos! NATINHO, DESCASE EM PAZ!
Após os noventa minutos desta partida da Terra! Hoje tem o melhor da saudade no Tricolor da Presidente Vargas, com MILTON E MILENA e a participação especial do cantor ROBERTO MORENO, a partir das 23 horas. Imperdível!

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