VIDRO – Opinião sem spoilers

VIDRO

(Glass)

Por Allan Patrick

Sinceramente é muito difícil entender o porquê de “Corpo Fechado” ter sido tão mal avaliado. O que mais causa admiração é saber que existem pessoas que até hoje odeiam esse filme. Em minha humilde opinião, trata-se de uma das melhores produções que o Shyamalan desenvolveu, em muitos aspectos posso dizer que é até mesmo melhor que “Sexto Sentido”, o mais amado por todos.

O filme “Sexto Sentido” é um uma produção bem executada, mas completamente presa à sua fórmula, uma vez que sabemos o final de tudo, não há mais nada a acrescentar ou o que dizer. De contrapartida “Corpo Fechado”, é um filme de estrutura, ele não necessita de um final de clímax elevado; ele constrói uma jornada, para falar a verdade, duas.

“Fragmentado” é um ótimo filme de personagem, dentro da trilogia, soa como um segundo ato de três partes. Então depois de seu final surpreendente, encheu nossos corações de expectativas para a continuação. Eis que chega “Vidro”, que volta à estrutura da jornada original, e aposta na simplicidade do universo dos quadrinhos do mundo nerd, na essência de suas obras tanto quanto de seus leitores.

Sem sombra de dúvidas “Vidro”, como a maioria dos filmes do diretor, investe na pessoa comum capaz do extraordinário, na discussão da fé em todas suas faces: fé em si, fé no outro, fé no divino, fé em algo invisível, a própria negação da dúvida, aquilo que ele coloca intensamente em cada obra e ainda pega tudo e discute no divã. Gente o cara é genial! Ele nos coloca para questionar, mas não deixa dúvidas nem pontas soltas. Ele nos engana, porque queremos ser enganados. E no final de tudo. Precisamos disso.

Seu único erro é que, mesmo depois de enganados, queremos a recompensa, e ele se recusa a dá-la, pelo menos, não tão facilmente. O fim do filme divide opiniões, pois se exige um nível de sensibilidade difícil de encontrar hoje em filmes do gênero, na verdade, difícil de encontrar em quase todo tipo de cinema que tem sido feito. Exige um desprendimento, uma compreensão das regras e um desejo genuíno de ir além dos limites da expectativa de cada um de nós.

O talentoso ator James McAvoy diminui, até quase anular, qualquer soluço ou gap na mudança entre uma personalidade e outra, muitas outras aparecem! É de enlouquecer. Ele é um monstro em cena, literalmente. Por “Fragmentado”, injustamente passou sem qualquer reconhecimento na temporada de premiações. Ele rouba a cena em todo o primeiro e segundo atos do filme, já no terceiro, não tinha como competir com o brilhantismo do grande Jackson com sua melancólica trama. Afinal ele também, como o filme que o apresentou, é um meio para um fim ainda maior. Infelizmente o David Dunn de Bruce Willis não brilhou tanto, servindo mais como um preenchimento para justificar partes da trama.

Na trama, o trio de protagonistas, que contam com poderes extraordinários, está passando por um tratamento para serem controlados. Tudo foge do controle quando Elijah Price, personagem de Samuel L. Jackson, se junta com a Fera de James McAvoy para deixar o hospício. O único a deter essa dupla deve ser o vigilante de Bruce Willis.

Mesmo que “Vidro” possua alguns diálogos expositivos, até mais do que “Fragmentado” e se opondo completamente a “Corpo Fechado”, sem dúvida alguma, trata-se de um filme que fecha com honra uma trilogia que, agora, fica entre as mais envolventes já realizadas na história do cinema. Com honra e seguro de si, porque o faz de forma irreversível. Eu amei o filme, muito empolgante. Minha nota: 9,0!

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