Comunitários de Alter planejam retirada de Hippies de praça; turistas alegam preconceito

Em uma reunião realizada na segunda-feira, dia 11, ficou decida a proibição da permanência de hippies e demais vendedores que não tenham autorização da prefeitura para venda de alimentos e artesanato na Praça 7 de setembro, um dos principais pontos turísticos da vila balneária de Alter do Chão. A decisão foi tomada em comum acordo entre comunitários, comerciantes, polícia militar e prefeitura.

A decisão foi acatada pela gestão municipal mediante um pedido feito pelo conselho comunitário do distrito, que alegou que este grupo estaria prejudicando a imagem do local. Os comunitários de Alter do chão querem a retirada imediata de hippies da praça.

De acordo com moradores da vila, a decisão tem como base as inúmeras reclamações de comunitários e visitantes. Eles afirmam que se sentiam importunados pela presença dos hippies e seu ‘comportamento inadequado’: ocupando o espaço de lazer de crianças, consumindo bebida alcoólica e até mesmo demonstrando agressividade com alguns turistas.

Na reunião realizada na segunda, moradores da vila – entre comerciantes e comunitários – falaram sobre a ocupação irregular de hippies e demais vendedores na Praça 7 de Setembro. Eles afirmam haver prejuízos para o lazer das famílias e crianças, além do local ter se tornado propício às cenas de violência.

De acordo com moradores, a partir da quarta-feira, dia 13, haveria apreensão dos produtos que estiverem sendo vendidos sem autorização da prefeitura na Praça 7 de setembro.

REPERCUSSÃO NAS REDES SOCIAIS: A medida tomada pelos comunitários de Alter do Chão logo caiu nas redes sociais e a repercussão foi em sua maioria negativa. No entanto, muitos moradores da vila se posicionaram a favor da retirada dos Hippies, alegando que eles vêm desrespeitando quem anda por ali e proporcionando cenas que vão desde os xingamentos à violência.

“Sou morador de Alter do chão e essa demanda partiu da comunidade, pois já presenciamos assassinatos, tentativas de homicídios, brigas com xingamentos e palavrões sem qualquer limite. Também consumo excessivo de entorpecentes a qualquer hora do dia, ocupação em massa de praticamente toda a praça, reclamações diversas por parte de turistas que vêm em busca de tranquilidade. Então somando todos esses fatos chegamos à conclusão que temos que dar um basta nessa situação, afinal de contas Alter do chão é a sala de visita de Santarém e precisa ser ‘varrida’ continuamente. A grande questão é que [os Hippies] não podem mais ficar na praça principal, bebendo, fumando, brigando e se rebarbando. Não somos obrigados a carregar essa galera no colo”, afirma Jaime Vasconcelos, comunitário da vila balneária de Alter do Chão.

No entanto, grande parte da população santarena se posicionou contra a ação, considerada por muitos como exagerada. Alguns creem que se faça necessário uma melhor fiscalização da venda de produtos na Praça 7 de Setembro, o que não necessariamente significa que deve-se proibir a venda por parte dos Hippies, o que segundo muitos fere a lei e o direito de ir e vir das pessoas.

Para a artesã Fernanda Barros, esta situação demonstra algo muito preocupante por parte dos comunitários de Alter do Chão: o preconceito. Segundo ela, mais do que se preocupar em melhorar a vila, os que tomaram esta decisão estão demonstrando preconceito com artesãos – sendo hippies ou não – e tentando obstruir os direitos das pessoas de serem vendedores autônomos.

“Sou de Santarém, sou artesã, artista de rua, e assim como os outros artesãos, merecemos respeito. Temos família pra sustentar, todos os dias nós estamos nas ruas, debaixo de sol ou chuva, pois é disso que vivemos. Assim como vocês, saímos para trabalhar. Existe também uma lei federal que nos ampara, e nos dá liberdade para expor os trabalhos em qualquer via pública, praças e espaços culturais do Brasil. Acho um absurdo essa hipocrisia, o preconceito estampado. Muitos artesãos residem na vila de Alter, logo o dinheiro fica lá mesmo. Alter do Chão é ponto turístico mundial e está proibindo a liberdade de expressão na arte e cultura de rua? Todo ano na alta temporada é a mesma ladainha! Os que se dizem ‘barões de Alter’ querem tirar os artesãos da praça pra poder colocarem suas bancas com preços super abusivos e péssimo atendimento ao público. Toda essa ‘frescura’ por uma única causa dinheiro. Querem tirar as pessoas que estão trabalhando, porque estão atrapalhando o ‘negócio deles’. É isso”, comenta Fernanda Barros, artesã.

Outros santarenos se atentaram também para uma reclamação recorrente sobre a Vila de Alter do Chão: os altos preços. Há quem diga que os comunitários tentam retirar os hippies da Praça 7 de Setembro para venderem os produtos ao preço que bem entenderem. É o que pensa Jean Martins, que vê precipitação por parte dos moradores de Alter e que deveriam discutir outras questões mais pertinentes.

“Eu acho que deveriam dar um prazo e colocar comunicados sobre a decisão, para assim não pegar ninguém de surpresa. Não podemos generalizar, tem muito pai e mãe de família que tiram seu sustento do artesanato e venda de iguarias. Fazer reunião para tirar quem está trabalhando é fácil, quero ver fazer reunião da comunidade e Procon para diminuir os preços de produtos vendidos lá em Alter”, afirma Jean Martins, acadêmico.

“Discutir o preço absurdo que eles [comunitários de Alter] colocam lá pra vender não fazem, agora querem tirar os caras que só tão ganhando o dinheiro deles para sobreviver ou sustentar a família. E outra, os turista adoram eles e fazem comprar. Estava observando isso nesta semana em Alter do Chão e eles [hippies] são super educados”, finaliza Janaína Mendonça.

4 comentários em “Comunitários de Alter planejam retirada de Hippies de praça; turistas alegam preconceito

  • 16 de novembro de 2019 em 08:38
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    EU NÃO SOU CONTRA E NEM A FAVOR PORQUE NÃO SE FAZ UM CADASTRO DE TODOS ESTAS PESSOAS QUE VENDEM NA PRAÇA TANTO OS HIPPIES COMO OS OUTROS, OUTRA QUESTÃO O PROCON JÁ FOI NAS PRAIAS DE ALTER DO CHÃO PARA VE OS PREÇOS UM REFRIGERANTE DE 2 LITROS 10,00 UM TIRA-GOSTO 25,00 COM 15 BOLINHO DE PIRACUI E AINDA TEM 0S DEZ POR CENTO PARA OS GARÇONS OI PROCON VAMOS TRABALHAR E CADE O RESPONSÁVEL PELO DISTRITO.

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  • 14 de novembro de 2019 em 10:39
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    Medida coerente, pois a maioria desses hippies além de ocuparem praticamente todos os espaços da pequena praça, deixam rastros de sujeira e muitas vezes se comportam de maneira pouco pouco condizente. Seria bom adequá-los às regras, para que possam continuar no local.

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  • 14 de novembro de 2019 em 08:57
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    Pro turista, hospedado em hotel ou pousada, tudo é bonito e diferente, porém pros moradores locais, suportar todos os dias os incômodos hippies, travestidos de improvisados artesãos , fica insuportável, pois os mesmos não colaboram com a limpeza das ruas e praças, além de serem pouco chegados à higiene pessoal, exalando uma terrível nhaca !

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    • 16 de novembro de 2019 em 23:32
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      Verdade, a carinha de suvaco é grande. Mas mesmo assim nos hippies são gente boa.

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