Artigo – Houston, cidadãos brancos se ajoelham perante negros e pedem perdão

Por Oswaldo Bezerra

Morei nos EUA nos anos 90. Minha admiração pelo povo americano aumentou por sua abnegação ao trabalho. Eles são muitos trabalhadores. Eles sabem como se automotivar e dar o melhor de si. Esta autodeterminação criou um governo que soube tirar proveito, de como o mundo funciona, e levar para eles próprios o melhor que o mundo pode dar.

A cultura formada por diversos povos fizeram deles uma referência para todos em muitos aspectos. Nem tudo são flores nos EUA. Sua política externa de dominância gerou muitos conflitos e consequentemente, mortes. Nós brasileiros sabemos muito bem disso e sofremos pela sua dominância.

O mais negativo, no entanto, que se pode observar nos EUA é o racismo. Sessenta anos atrás os negros não podiam nem estudar, nem frequentar restaurantes, nem usar transportes públicos junto dos brancos. Eram cidadãos de segunda classe. Sessenta anos atrás se iniciou o programa de cotas nas Universidades para negros norte-americanos. Sistema de cotas para negros iniciou 50 anos antes que no Brasil. Sim, não se iludam, o racismo no Brasil é maior que nos EUA.

No Texas, em particular, estive em 2012 e fiquei impressionado de como a língua espanhola estava dominando o estado. Um conhecido meu, norte-americano, me falou: -esses mexicanos estão invadindo o Texas. Eu retruquei a ele: -eles não estão invadindo, estão tomando de volta. Trabalhava em uma empresa norte-americana de petróleo. Nesta empresa havia muitos engenheiros negros. Enquanto a nossa contraparte brasileira, dos 4 mil funcionários eu só conheci um negro.

Por isso, não me surpreendi com o ato que pessoas brancas realizaram ontem no Texas, em Houston. Estava chovendo bastante, isso não impediu que vizinhos se reunissem no bairro Terceira Ala para prestar homenagem a George Floyd, o afro-americano que morreu de violência policial. Os brancos que estavam presentes se ajoelharam e pediram perdão à comunidade negra.

Centenas de pessoas saíram para exigir justiça ao cidadão negro George Floyd no bairro Cuney Homes, um dos bairros predominantemente afro-americanos da cidade. Estavam presentes, entre a população branca, policiais, legisladores, líderes religiosos e outros moradores de toda a cidade. Honraram a vida de Floyd, marchando, orando e denunciando a precária situação social que esse grupo da população nos Estados Unidos enfrenta.

Durante o evento, os moradores oraram pela família do falecido. Um grande número de brancos decidiu ajoelhar-se diante dos afro-americanos presentes em um gesto emocional de desculpas pelos séculos de submissão e injustiça que estes últimos sofreram no país.

Como você pode ver no vídeo, muitos mal conseguiam conter as lágrimas e, finalmente, a comunidade negra aceitou o pedido de desculpas e se juntou às orações, conforme relatado pela mídia local Click 2 Houston

O caso Floyd, juntamente com a morte de outros afro-americanos pelas mãos de policiais, incluindo menores, levou a protestos violentos em todo o país e à ascensão do movimento Black Lives Matters (Vidas de Negros Importam), que faz campanha contra a violência contra as mulheres e pessoas negras nos EUA.

RG15/O Impacto

 

2 comentários em “Artigo – Houston, cidadãos brancos se ajoelham perante negros e pedem perdão

  • Pingback: É verdade que brancos se ajoelham em oração pedindo perdão a negros por anos de racismo – Bereia

  • 2 de junho de 2020 em 07:49
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    Bonito ! Quero ver, também no Brasil, cidadãos negros se ajoelharem toda vez que alguém for baleado e morto por um negro, principalmente no Rio de Janeiro. O articulista procura mesmo é fomentar o ódio racial entre nós, querendo fazer comparações entre as sociedades brasileira e americana. Os problemas enfrentados pelos brasileiros são iguais para brancos , negros ou mulatos, pardos ou índios, tudo dependendo do grau de preparação recebido dos seus pais, seja educacional, motivacional ou monetário. O importante são as ações de governo, visando minorar as diferenças e dar melhores chances de sucesso àqueles que querem ascender, independente da sua cor, aliás já difícil de se denominar neste Brasil tão miscigenado !

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