Artigo – Alerta ligado: identificada presença de microplástico em frutas e verduras

Por Oswaldo Bezerra

Foi descoberto por um estudo da Universidade de Catania, na Itália, a presença de pequenas partículas de plástico em maçãs, alface, brócolis, batata e pera. O microplástico penetra nas frutas e vegetais pelas raízes das plantas.

Segundo o estudo, publicado na revista Enviromental Research, as maçãs foram as mais contaminadas, enquanto a cenoura foi o vegetal mais contaminado. Por outro lado, o menor nível médio do plástico foi observado na alface.

Os cientistas descobriram que as frutas em geral tinham um nível mais alto de microplástico que os vegetais. Segundo os pesquisadores, isso ocorre porque as árvores frutíferas são mais antigas e têm raízes maiores e mais profundas.

O fato de partículas de plástico penetrarem nas raízes das plantas já tinha sido demonstrado por cientistas da China e dos Estados Unidos. Os pesquisadores realizaram um experimento com uma planta chamada Arabidopsis thaliana. Eles colocaram o plástico triturado em suas raízes e depois procuraram ver se ele era absorvido pela planta.

As nanopartículas de plástico acabaram penetrando nos tecidos do sistema radicular. Os resultados do experimento, publicado na revista Nature, mostraram que o plástico pode prejudicar a planta e a colheita.

O nanoplástico pode se acumular nas plantas, dependendo da carga superficial das partículas. Os nanoplásticos também bloqueiam o fluxo de água com nutrientes, portanto, inibindo o crescimento das plantas.

O acúmulo de nanoplásticos pelas plantas pode ter consequências ambientais diretas para a agricultura sustentável e a segurança alimentar, em geral, alertam os cientistas.

Em outro estudo foi ligado o alarme sobre impacto à saúde humana. Foram detectados nas fezes dos consumidores destes alimentos a presença de partículas de cloreto de polivinila (PVC), polipropileno, tereftalato de polietileno (PET) e outros tipos de plásticos. Revestidas em microplásticos, essas pequenas partículas de plástico têm menos de 5 mm e podem afetar principalmente o sistema imunológico.

Ainda não existem confirmações do efeito danoso a saúde humana. Estudos com animais mostram que partículas de microplástico são capazes de entrar na corrente sanguínea, no sistema linfático e de atingir até o fígado. Além disso, estudos com animais também demonstraram que os microplásticos podem causar danos intestinais, alteração nas vilosidades intestinais, distorção da absorção de ferro e estresse hepático.

RG 15 / O Impacto

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