Artigo – Aleatoriedade, indeterminação e a incerteza governamental

Por Oswaldo Bezerra

Logo quando a Coreia fez seus primeiros testes balísticos, Trump prometeu que não permitiria que o país asiático criasse um míssil intercontinental que pudesse atingir os EUA. Atacou duramente o presidente koreano e foi visitá-lo. Quando voltou de da reunião disse que, Kin Jong Um, o presidente da Coreia era uma pessoa bárbara e se tornaram grandes amigos.

Ontem, um jornal europeu descreveu que no 75.º aniversário do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte, foram apresentados mísseis nucleares intercontinentais. A imprensa europeia, em uma dura crítica, disse que isso foi resultado de uma política aleatória de Donald Trump.

Trump pode ser acusado de muitas coisas, mas não de aleatoriedade. A palavra aleatoriedade exprime quebra de ordem, propósito, causa, ou imprevisibilidade em uma terminologia não científica. Um processo aleatório é o processo repetitivo cujo resultado não descreve um padrão determinístico, mas segue uma distribuição de probabilidade.

Falando em aleatoriedade, na semana passada, em rede nacional, o presidente afirmou que acabou com a Lava Jato, pois não havia mais corrupção no governo. Mesmo o Brasil há 5 anos consecutivos o país vir caindo para piores posições no ranking da corrupção. Esta fala fez parte de um discurso que entrará para história como o mais aleatório de todos.

Vamos explicar o motivo. No início de outubro a ANAC lançou o programa “Voo Simples” que promete a desburocratização do setor aéreo. Dentre as várias mudanças, não é mais exigido que o co-piloto tenha o mesmo treinamento do piloto. Acabou também a obrigatoriedade anual de treinamento em simuladores. Algumas habilitações que precisavam ser renovadas ano a ano não terão mais vencimento.

Na conferência com a imprensa, para lançamento deste programa, o governo deveria explicar e justificar todas estas mudanças. Começou com a apresentação do velho dono da Havan, vestido estilo personagem de quadrinhos o “Zé Carioca”.

O presidente começou o discurso elogiando o dono da Havan e fazendo merchandising da inauguração de suas lojas. Um destas inaugurações feita em Belém, foi exemplo em todo o Brasil de uma vergonhosa “jequice”. Inauguração esta que virou até caso de polícia.

Após a apresentação do dono da Havan, o presidente se dedicou a falar sobre o ministro Marcos Pontes e sua estadia na estação internacional, em 2006.

Após a fala sobre o ministro Marcos Pontes, o presidente falou sobre a possibilidade de criação de hotéis na Amazônia, e de maneira rápida, sobre as queimadas. Disse que o programa “Voo Simples” irá facilitar a vida de quem irá para lá. Afirmou que o turismo para a Amazônia mostraria, aos gringos, que a Amazônia não pega fogo.

Neste ponto ele afirmou que era “imbroxável”. E emendou no discurso que acabou com a Lava Jato, por não haver mais corrupção no governo. Depois de encerrado o discurso e já de saída, o presidente lembrou que não falou da ANAC. Ficou consciente de que havia fugido tema. Sorte que não era o ENEM. Seria zero na redação.

A reação da apresentação do presidente foi uma nota de repúdio dos já desmoralizados procuradores da Operação Lava Jato. Desmoralizados tanto pela Vaza a Jato quanto pela imprensa, que mostrou que a operação foi uma orquestração de órgãos norte-americanos. Nota de repúdio foi o que mais se ouviu falar este ano no Brasil. Logo eles que atuaram de forma intensa pela eleição do atual presidente.

Faltou ser dito na reunião qual seria o impacto das 50 medidas, tanto na segurança dos vôos como na economia, não só para as empresas aéreas, mas também para o público em geral. Nada foi dito na apresentação do programa. Este foi belo exemplo de aleatoriedade.

RG 15 / O Impacto

Um comentário em “Artigo – Aleatoriedade, indeterminação e a incerteza governamental

  • 13 de outubro de 2020 em 13:38
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    Ah, então pro comunistinha a Lava Jato foi uma “orquestração de órgãos americanos”? Além de chegado a uma invencionice, também tem o complexo do vira latas, nada que o brasileiro faz é bom, se deu certo então tem o dedo dos USA ! Tudo que o Presidente Bolsonaro diz ou faz, é sempre condenado por esses adoradores do Carniça 51, o maior ladrão do mundo ! Sobre o lixo em que a Venezuela foi transformada, por mera incompetência e roubalheiras dos comunistas, os comunas tupiniquins nada condenam, ainda elogiam como sendo uma “democracia popular”, porém nenhum de vcs vai morar lá, nem a passeio, pelo contrário vão passear em N.York, morar em Paris, Londres, somente nos “infernos capitalistas”. Haja hipocrisia e cretinice, mas o povo já abriu os olhos e agora sabe quem são vcs, parasitas de governo e de estatais, onde roubam o que puderem !!!

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