Artigo – A semana das reviravoltas político-econômicas no mundo

Por Oswaldo Bezerra

Era esperado que a China superasse a economia dos EUA pelos meados dos anos de 2030. A crise econômica provocada pela pandemia poderia antecipar a ultrapassagem, mas lá pelo ano 2024, presumiam os economistas mais otimistas. Alguma coisa não batia. Como que a China, sendo o maior parceiro econômico de praticamente todos os países do mundo, estava atrás dos EUA?

Esta semana, o FMI apresentou seu Panorama Econômico Mundial para 2020, e forneceu uma visão geral da economia global. O fato mais inconveniente do Relatório é o que os norte-americanos não queriam ouvir, e mesmo quando o lêem, se recusam a aceitar: a China agora passou os EUA e se tornou a maior economia do mundo, segundo um parâmetro mais refinado.

A CIA e o FMI desenvolveram este parâmetro mais refinado e mais adequado para comparar as economias nacionais, é o denominado PPP (paridade do poder de compra). Pelo novo modelo, os asiáticos superaram os Estados Unidos com US$ 24,2 trilhões, contra US$ 20,8 trilhões dos estadunidenses.

Por falar em crescimento da economia, o país latino americano que mais crescia na América Latina, a Bolívia, teve seu crescimento interrompido por um golpe político e já se encaminhava para o buraco econômico, como o resto dos países daqui, em grande parte graças ao Brasil. Felizmente para os bolivianos, hoje se concretizou uma reviravolta.

Foi na manhã desta segunda-feira que a presidente auto-proclamada da Bolívia, Jeanine, admitiu que o candidato de esquerda venceu as eleições, em uma catastrófica derrota para a Direita boliviana. O vencedor, Luis Arce, não é só o candidato de Evo Morales, ele foi conduzido à política por Evo. Exilado na Argentina, desde o golpe, Evo Morales comemorou a vitória declarando: “Irmãos e irmãs, a vontade do povo prevaleceu, foi uma vitória contundente”.

Arce celebrou a vitória prometendo a volta da democracia, da paz e da estabilidade social. Declarou também que a vitória foi a garantia do pagamento do Juancito Pinto, do Renda Dignidade e do Abono Azurduy. Esses nomes são todos de programas sociais criados por Evo Morales.

Desde 2006, a Bolívia viveu o milagre econômico. Foi quando Evo subiu ao poder, foi a chamada Evonomia. O crescimento médio do PIB boliviano, durante a presidência de Evo foi de 5,5% ao ano. Mais importante de tudo, foi que quando Evo assumiu o poder, 65% do povo boliviano estava abaixo da linha de pobreza. Em dois anos, o presidente índio reduziu este número pela metade, segundo o banco mundial. Mesmo depois da queda do preço das commodities e da crise mundial de 2008 a economia boliviana continuou a crescer.

Durante o governo Evo, o ministro da economia foi justamente Luis Arce, que foi responsável também pelas estatizações que fizeram a economia do país saltar. Arce garante que, apesar da oposição, foi o partido MAS (Movimento Rumo ao Socialismo) que criou todos os programas sociais.

O golpe que tirou o MAS do poder teve apoio com erros grotescos da OEA. Carlos Mesa, o opositor, em sua campanha se vendia como o presidente que levaria de volta o neoliberalismo para a Bolívia. Outro ponto marcante da campanha de Mesa foi o de acusar o MAS de fraude eleitoral.

A resposta de Arce, a estas acusações, foi sempre a mesma. As organizações sociais se mobilizam e bastava uma eleição para que a democracia fosse restabelecida e assim o MAS voltaria ao poder. Complementou dizendo que o poder nunca foi tomado pela esquerda boliviana através de golpes, armas ou derramamento de sangue, sempre foi através de votos.

RG 15 / O Impacto

2 comentários em “Artigo – A semana das reviravoltas político-econômicas no mundo

  • 20 de outubro de 2020 em 14:50
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    General Heleno é o maior especialista em delivery de droga, levou no avião presidencial 39 kg pra Espanha.

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  • 20 de outubro de 2020 em 07:50
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    Quanta euforia, quanto sonho…com uma população cinco vezes maior que os USA, a China tem um déficit alimentar, de moradia e saneamento básico gigantesco, cuja solução dependerá da permanência de empresas estrangeiras lá dentro, cuja ameaça já se iniciou com a iniciativa nipônica de fazer retornar ao país suas empresas lá estabelecidas, em represália à iniciativa do PCChinês de espalhar o vírus Covid em todo o mundo. Tal iniciativa está sendo levada a efeito também por outros países, portanto em breve o problema do desemprego estará agravado ! Quanto ao “desenvolvimento boliviano”, não se deve confundir o aumento do PIB, devido à exportação de cocaína, com industrialização e especialização da mão de obra, aliás de tradição mais contemplativa. Com o retorno dos comunistas ao poder, agora caberá ao Morales a missão impossível de ensinar o Maduro como tirar do esgoto marxista a bolivariana Venezuela, enterrada até o pescoço mesmo gerenciando o maior cartel de drogas do mundo !

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