Artigo – Os dois mundos das vacinas e a esperança comum

Por Oswaldo Bezerra

Começou hoje a vacinação contra a Covid-19 no Reino Unido. Prontamente, a imprensa ocidental comemorou e deu destaque a vacinação da primeira pessoa do mundo a ser vacinada contra o coronavírus? Como assim, e os milhares de russos que já foram vacinados, e os milhões de chineses que também já foram vacinados? Parece que existem dois mundos. Um é formado pela Europa e o norte do continente americano. O outro é formado pelo resto do planeta.

Margaret Kennan, uma idosa de 90 anos foi a primeira britânica a ser vacinada. A vacina foi a da Pfizer/BioNtec de empresas norte-americana e alemã. A vacinação priorizou os trabalhadores da saúde e pessoas com mais de 60 anos. Sem dúvida foi uma grande notícia.

Antes da vacinação do Reino Unido, a imunização russa começou no sábado passado coma Sputnik V. Antes mesmo antes da russa, também já havia começado a da China, com a vacina SinoVac, que já passa hoje de mais de 1 milhão de imunizados. Nada disso foi noticiado pela imprensa ocidental, por não ser uma boa notícia para os governos ocidentais.

A imprensa britânica afirmou que a Sputnik V foi antecipada para ganhar a batalha uma batalha propagandística. Como se a Rússia não estivesse no seu pior momento de número de casos e mortes e que pudesse esperar mais tempo. Qualquer vacina que não viesse do eixo Washington/Bruxelas passaram a ser desconsiderada, inclusive idéia esta seguida por nosso governo brasileiro. A Hungria, por exemplo, que tentou obter a vacina russa sofreu pressão e ameaças de embargos.

Essa visão limitada não é só geográfica e geopolítica, os governos ocidentais desconsideram as emergências sociais. Dentre as principais vacinas, a vacina da Pfizer tem as piores condições logísticas. Elas requerem armazenamento e transporte com temperatura ambiente de -70 graus.

Imagine utilizar esta vacina, com estas condições de armazenamento e transporte, em países com limitadas redes hospitalares como na América Latina, África ou Ásia. As condições de transporte e armazenamento precisam ser: Pfizer -700oC, Moderna -20oC, Astrazeneca 2 a 8oC, Sputnik V 2 a 8 oC, SinoVac 2 a 8 oC.

Estas outras vacinas podem ser armazenadas em refrigeradores normais, o que facilitaria a vacinação em países mais pobres. Isso se os países mais ricos deixarem vacinas para estes países em desenvolvimento. As nações mais ricas, que correspondem a 14% da população mundial compraram 53% de todas estas vacinas. Estes dados até agora foi obtido pela People´s Vaccine Alliance.

O Canadá, por exemplo, já comprou 400 milhões de doses, mesmo que pese que sua população tenha 40 milhões de habitantes. Enquanto isso, o Brasil só garantiu, até agora, vacinar ao longo de 2021, apenas 15% da população, com 70 milhões de doses da Pfizer (são necessárias duas doses). Difícil vai ser arrumar transporte e acomodações, em Santarém durante a campanha, com menos de 700 graus centígrados.

O custo de uma vacina também deve ser considerado na hora de avaliar sua viabilidade prática para a campanha de imunização. As mais caras são a sinoVac (120 dólares), a moderna (66 dólares) e a Pfizer (40 dólares). As mais baratas são a Sputnik V (20 dólares), e a astraZeneca (8 dólares).

Mesmo sendo uma das mais caras e de difícil armazenamento, é preciso se levar em conta que a grande vantagem da vacina da Pfizer é que é a amis segura para as pessoas de mais idade, a idade mais afetada pelo corona vírus. A Sputnik V, por agora, ainda não se aplica em pessoas com mias de 60 anos por falta de estudos suficientes.

Os governos precisam entender que quando se trata de saúde, não deve haver guerra ideológica, mas sim parcerias. Pensando assim, o laboratório russo produtor da Sputnik V, e o sueco astraZeneca que produz a vacina de Oxford, propuseram usar as vacinas combinadas para obter melhores resultados.

Todas estas vacinas, se não fossem tempos de pandemia, deveriam ter suas aprovações lá pelos idos de 2023, pelo menos. Como a situação exige atitude e rapidez, todas estas vacinas já estão conseguindo autorização para campanhas de imunização em massa, no mais tardar, para o início de 2021. É momento de termos esperança para que toda humanidade saia deste momento difícil, voltemos a prosperar e tornar a vida de cada pessoa uma passagem digna peno nosso único mundo.

RG 15 / O Impacto

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